Quem são: Mini Lamers e Didi Cunha sozinhas são o Comma. Elas dividem os vocais de forma harmônica, Didi toca bateria e Mini toca violão. Elas estão juntas há cerca de três anos circulando pelo cenário independente de São Paulo, aperfeiçoando as músicas e testando seu repertório em pequenas apresentações. Seu primeiro álbum, Monkey, foi lançado em setembro deste ano e está disponível para audição na íntegra na página das meninas no MySpace.
O que fazem: canções sobre inadequação, relacionamentos, dores de amor em pleno verão inspiradas em filmes, literatura e situações cotidianas. Elas ficam na ponte entre o folk e o indie pop, com a musicalidade simples e a beleza frágil de ambos.
Quem são: Alex Sousa morava no Rio de Janeiro e Rosanne Machado morava em Curitiba. Mesmo assim, a dupla deu um jeito de se conhecer e, à distância, dar a partida no Rosie and Me. A banda que escolhe a capital paranaense como base hoje lista mais dois integrantes oficiais: Guilherme Miranda (no baixo), Leandro Benyk (no violão) e Tiago Barbosa (na bateria). Grupo de poucos shows por enquanto, os curitibanos anunciam para “breve” o lançamento de seu primeiro trabalho, o EP “Bird and Whale”.
O que fazem: indie folk cantado em inglês e gravado da forma mais simples possível. A música do Rosie and Me ganha o ouvinte pela beleza e pela doçura e sai das caixas de som com uma placidez equivalente à presença aconchegante de um amigo querido. As músicas do grupo podem ser baixadas gratuitamente em sua página no Last.fm.
Quem são: Arthur & Yu são os apelidos de infância de Grant Olsen e Sonya Westcott, dupla de Seattle. Tocando em pequenos clubes da região, o duo foi descoberto por um dos fundadores do lendário selo Sub Pop, que escolheu a banda para lançar seu novo empreendimento, o selo Hardly Art Records. In Camera é o nome da estreia da dupla em CD.
O que fazem: “O disco soa como ele foi gravado – eu e meu quarto e as coisas da minha casa” é como o multiinstrumentista e vocalista Olsen descreve In Camera. O disco de indie folk lo-fi pouco disfarça a nostalgia dos anos 1960 e 1970 e é acalentado por uma leve brisa americana que resgata as parcerias de Nancy Sinatra e Lee Hazlewood. As harmonias mesclam as vozes feminina e masculina de modo ao mesmo tempo terno e hipnótico e a produção enevoada, quase intoxicante, dá a Arthur & Yu uma melancolia afogada em drogas herdada do Velvet Underground.
Para quem gosta de: Nancy Sinatra e Lee Hazlewood, Velvet Underground & Nico, The Raveonettes
Quem é: Alexi Murdoch não é tão novo, mas parece ainda estar esperando sua chance definitiva para aparecer. Inglês de nascimento e escocês de criação, foi nos Estados Unidos que ele escolheu desenvolver sua carreira. Lá, gravou um EP e um álbum cheio e teve gravações suas usadas para embalar episódios de diversas séries americanas, como The O.C., Ugly Betty e Grey’s Anatomy. O álbum de estreia, chamado Time Without Consequence, saiu em meados de 2006 e sua gravação mais recente é “Through the Dark”, canção que já achou caminho para a série House e a trilha do filme “Medo da Verdade”.
O que faz: o sotaque britânico e a voz lembram, muitas vezes, o vocalista do Franz Ferdinand Alex Kapranos, mas é Nick Drake a maior e indisfarçável influência de Alexi. No folk soturno dedilhado no violão, nas bases comedidas de cordas, piano e percussão. Há instantes em que ele esquenta e a música cresce, a bateria ganha força e até guitarras aparecem, mas em geral suas canções são sutis e para audição solitária e atenta. Suas letras, no entanto, são mais simples do que as perturbações profundas de Drake e até deixam escapar otimismo.
Quem é: Alessi’s Ark é apenas Alessi Laurent-Marke, uma garota pálida, de cabelos escuros e olhos tristes nascida em Londres há 18 anos. Aos 16, ela abandonou os estudos para seguir seu talento, mas prometeu aos pais que voltaria para a escola caso a carreira na música não desse certo. Parece que não será preciso.
O que faz: ela não tem o apelo pop de Kate Nash ou a crueza de Florence and the Machine. Ao contrário da maior aposta feminina da Grã-Bretanha para 2009, Alessi exala fragilidade e usa sua voz pequena e sua aparência angelical em favor de canções de ninar. Em seus arranjos, harpas, cordas e glockenspiel multiplicam o efeito etéreo. Influências de country music que lembram os trabalhos solo de Jenny Lewis (Rilo Kiley) e Isobel Campbell (Belle and Sebastian) aparecem em suas gravações mais recentes em troca da sonoridade folk e orquestral que prevalecia nas primeiras composições. O single “The Horse” saiu no final de 2008 pela EMI.
Para quem gosta de: Mallu Magalhães, Jenny Lewis, Joanna Newson
Ouvir: “The Horse”
Conexões: integrantes da banda Bright Eyes participaram das gravações do primeiro álbum de Alessi cuidando de produção e backing vocals. O disco, chamado Notes From the Treehouse, será lançado em março.
Página oficial / MySpace: www.myspace.com/alessisark
Quem é: neste início de ano, época de balanços e previsões, Florence and the Machine é o principal nome entre as listas de apostas para 2009. A banda é o veículo de Florence Welsh, uma ruiva de 22 anos que nasceu em Londres e cresceu ouvindo Kate Bush e Velvet Underground. Na infância, ela diz que não parava de cantar e hoje, em pouco mais de um ano de atividade, já venceu o prêmio da crítica do Brit Award 2009, que será entregue em fevereiro.
O que faz: compositora de tudo o que grava, ela diz que seu tema preferido é culpa e canta sobre isso em ritmo de folk, rock e blues. Não há nada de frágil ou doce em sua aparência ou sua voz. Além disso, sua música não é sempre imediata e pode não te pegar de primeira, mas a dedicação promete trazer recompensas. Seu primeiro álbum ainda não tem data certa para sair, mas já está em produção.
Para quem gosta de: PJ Harvey, Fiona Apple, Cat Power
Quem é: o carteiro Erik Mattiason tem 28 anos, mas diz que escreve músicas desde os 12. Natural de Estocolmo, Suécia, está desde 2003 ligado ao selo Imperial Recordings – o mesmo do cantor folk José González – e por ali já lançou alguns eps e um álbum sem repercussão. Isso até que a Volvo, companhia sueca de automóveis, convidou-o a escrever a trilha de sua próxima campanha publicitária; hoje, o comercial embalado por “I Adore You” está atraindo os olhares para o cantor em território norte-americano – e de lá para o resto do mundo é um pulo.
O que faz: “Você está louco ou está apaixonado?” é o verso que abre o disco de estréia do rapaz de voz doce que faz de seu indie pop acústico um calmante natural sem fórmula secreta ou contra-indicação. O nome Melpo Mene é emprestado da deusa grega da tragédia, e seus dramas de amor e solidão acompanhados por cordas e pianos são mesmo de partir os corações mais suscetíveis. Seu segundo álbum, puxado pela exposição de “I Adore You”, chega às lojas este mês.
Para quem gosta de: José González, Kings of Convenience, Elliott Smith
É jornalista. Única mulher da redação do iG Música, já colaborou com a revista Bizz e inúmeros sites independentes. Sua missão aqui é indicar boas bandas novas.