
Identidade é o conjunto de caracteres próprios e exclusivos com os quais se pode diferenciar uma coisa de outra. Pessoas, animais, plantas e objetos inanimados possuem sua própria identificação. Obviamente, isso se dá da mesma maneira com os artistas: cada um possui seu estilo, sua marca, sua identidade; e repassam isso para as suas obras.
Com o tema “Grafite como identidade nos séculos XX e XXI”, o seminário realizado hoje na Serraria Souza Pinto trouxe à tona essa discussão. Foram convidados para falar ao público presente a artista plástica e arte-educadora, Julia Pontes; o professor da Universidae Federal de Minas Gerais (UFMG), Juarez Dayrell e o rapper belorizontino Renegado.
Julia, como artista plástica que é, salientou que o que forma a identidade de uma arte é o processo criativo e o projeto poético da mesma. Partindo desse pressuposto ela afirmou que, hoje, “as coisas estão misturadas. Grafiteiros e artistas pláticos formam um grupo só”. Isso talvez pelo fato de ela considerar que a construção da obra e de seu caráter poético, tanto nas artes plásticas quanto na grafitagem, partem de um mesmo pressuposto: a vontade de se expressar e se identificar.
O rapper Renegado vê o grafite como intervenção no espaço público, tanto em âmbito local como global. Ele frisou que o que identifica uma arte é a sua base. “Podemos alçar vôos maiores, mas é bom sempre mantermos nossa base identificatória perfeitamente cimentada, para que não venhamos a nos perder mais pra frente”. Tendo isso em mente, o rapper ainda alertou a platéia para um fenômeno que pode embaçar essa identidade: “Hoje em dia ocorre uma constante inversão de valores onde conceitos são desformatados por inteiro”. Daí é que parte a importância de se preservar as próprias bases.
O professor Juarez Dayrell fez um apanhado da história do grafite até o dia da constatação de sua própria identidade. “Nos anos 90 o grafite era algo totalmente marginal e hoje ocupa galerias de arte. É um salto qualitativo que demarca a identidade dessa arte”. Ele, assim como fez o Renegado, destacou o fato de o grafite acontecer aqui, como acontece pelo mundo afora. ”Apesar de se mostrar uma continuidade (daquilo que surgiu ou foi feito num outro lugar), o grafite, seja ele de onde for, também possui especificidade”; garantindo assim, mais uma vez, um status de identidade própria.
Essa questão da identidade dessa arte é uma discussão sem fim, pelo menos por enquanto. Afinal, que identidade é essa? Foi isso que todos ficaram se perguntando durante o debate, inclusive os próprios conferencistas. Tentando amenizar essa dúvida, o professor da UFMG completou, “eu vejo o grafite como uma fonte de formatação da identidade que, por sua vez, é uma coisa dinâmica, que vai se reconstruindo através da renovação”.