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30/10/2009 - 14:02

Grafite documentado

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Você conhece a história do grafite? Sabe quando foi que ele deu as caras pelo Brasil e como vive até hoje? O videomaker Leo Moreira criou o documentários Riskos Urbanos para acabar com essa deficiência de informação, pelo menos sobre a cena de Belo Horizonte.

O documentário está na internet e você pode conferir todo o trabalho aí, sentadinho, sem sair da frente do computador. Preparado?

Parte I

Parte II

O que você achou? Gostou? Acha a iniciativa interessante? Comente!

Autor: Carol Patrocinio - Categoria(s): cinema, grafite Tags: , , , ,
20/10/2009 - 12:59

Curativo com estilo

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Sempre que você se machuca e precisa colocar um curativo sente que aquilo podia ser mais bacana? Tem vontade de desenhar e pintar aquele pedacinho de plástico bege? Pensando em pessoas como você, cheias de estilo e criatividade, está sendo lançado um curativo com imagens de arte independente.

A ideia é uma parceria da MTV e da Band-Aid e vem em caixinhas de 20 peças com grafites de elementos como videogames, cartoons e toy arts. A edição é limitada, unissex e trará nove estampas diferentes de dois artistas promissores.

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Carla Barth é de Porto Alegre, mas vive em São Paulo. Faz esculturas e pinturas de um universo é habitado por seres fantásticos e oníricos. João Lelo é do Rio de janeiro. Cresceu viciado em videogames, desenhos animados e livros de fantasia. Seu trabalho é criar uma fusão dos mundos que admirava quando criança com a realidade do seu dia a dia.

Autor: Carol Patrocinio - Categoria(s): Cultura de rua, Moda Tags: , , , , , , ,
13/10/2009 - 13:14

Aproveitando a paisagem urbana

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Arte de rua não é apenas modificar o que existe, a prova disso é o Trase, um artista de Cingapura que acredita ser ativista de arte de rua desde que começou a grafitar, em 1999.

O cara é artista em tempo integral e leva a arte a sério, buscando seu amadurecimento e crescimento. Depois de ganhar alguns prêmio e finalizar seus estudos, Trase tem exibido seu trabalho na Ásia, Alemanha e EUA.

Utilizando-se de sombras ou obstáculos que normalmente incomodariam os grafiteiros, o artista faz seu stencil participar da paisagem urbana como se sempre tivesse estado ali, no lugar escolhido para sua intervenção.

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Autor: Carol Patrocinio - Categoria(s): Cultura de rua, grafite, street art Tags: , , , , , , , ,
10/10/2009 - 21:24

Pixel Show

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DSC06446GIFHoje foi o primeiro dia do Pixel Show, evento que está rolando no espaço Fecomércio, na Bela Vista, próximo à Av. 9 de Julho, em São Paulo. Nesse sábado, falaram o ilustrador e designer brasileiro Rico Lins, o ex-publicitário e agora tatuador Diguinho, a galera do estúdio de animação Santa e a desenhista/empreendedora/ex-modelo/dançarina burlesca (ufa!) Molly Crabapple, e da equipe do Digital Domain. Também rolaram alguns workshops.

O Street foi assistir à palestra da Molly, que contou um pouco de sua história e explicou melhor o que é o projeto Dr. Sketchy’s Anti-Art School, que agora também rola em São Paulo. Situado num espaço antigamente ocupado por um brechó na Vila Mariana, a ideia do projeto é funcionar como uma espécie de galeria na qual alguns desenhistas se reúnem em torno de modelos e fazem seus desenhos, conversam e trocam ideias.

“Diferente das aulas normais, onde as modelos são normalmente veneradas como musas, na Dr. Sketchy elas se mexem, se vestem de jeito diferente…”, explicou a norte-americana. “Tudo o que professores de desenho costumam dizer, eu faço justamente o contrário. Dr. Sketchy é quando se junta o burlesco, ficar bêbado com amigos, e o desenho”, brincou.

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Nem o dia feio com cara de 17h afastou a galera dos dois andares da Fecomercio. Depois da exposição do Santa, formou-se uma fila em frente à lanchonete que chegou a atrapalhar a passagem de pessoas pelo saguão. Espalhados pelo piso térreo, stands de livrarias especializadas em obras de arte urbana e ilustrações, paines em branco para quem se aventurasse a grafitar na frente de outros, uma área de descanso com vários puffs infláveis e até video games.

“Estou achando bem legal estar aqui. Tem um pessoal legal, umas coisa legais… Sem contar que é sempre bom ouvir direto de uns caras bons o que eles tem pra falar”, diz o estudante de computação gráfica Marcelo Dias, 19, que foi com os amigos da faculdade especialmente para a palestra do Digital Domain. “Quando soube que foram eles que fizeram os efeitos especiais de O Curioso Caso de Benjamin Button, fiquei na hora afim de vir ver. Os caras mandam muito”.

A palestra de Molly lotou o anfiteatro e começou mais de meia hora atrasada. Um dos motivos foi a falta de equipamentos de tradução, os quais poderiam ser solicitados por que não entendesse o inglês. A certa altura, um membro da organização chegou pedir para os que “entendessem mais ou menos o inglês” devolvessem seus fones para que os “que não entendessem nada” se utilizassem do serviço.

Para amanhã estão agendadas palestras de Nelson Balaban, às 10h15, Cubo.CC (12h05), Estúdio Árvore (13h15), Sesper (16h15) e Musa Worklab (17h25), além de vários workshops. Veja a programação completa aqui.

Autor: Bruno B. Soraggi - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , ,
09/10/2009 - 13:53

Fim de semana na rua!

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Em que lugar você consegue ver debates com o designer e diretor de arte Rico Lins; o artista plástico e músico Sesper; o ilustrador Nelson Balaban; o tatuador Diguinho; a galera da CUBOCC, uma mistura de agência e produtora, do Estúdio Santa, que trabalha design com storytelling, e ainda a os criativos do Estúdio Árvore, que faz trabalhos para empresas de moda, publicidade e promoção, além de David Rosenbaum, o gringo que assinou os efeitos de “O Curioso Caso de Benjamin Button” e “Transformers” e a desenhista norte-americana Molly Crabapple?

Só no Pixel Show, evento que rola esse fim de semana em São Paulo, é grátis e promete abordar assuntos legais com gente bacana e entendida dos temas! O encontro foi idealizado pela Zupi, uma revista de arte bem bacana!

Além das palestras e debates você vai encontrar uma Mini Feira de Arte, com exposição e workshops de stencil, colagem, carimbo e o graffiti. Esses cursos tem o custo de R$25 e a inscrição deve ser feita na hora.

No evento também vai rolar a decoração de vários espaços ao vivo, por oito personalidades que ainda são surpresa! Se você grafita, leve seus sprays ou alguns canetões para deixar sua marca no painel de grafite liberado para intervenção artística.

Serviço
Quando? Sábado e Domingo, 10 e 11 de outubro, das 8h às 19h
Onde? Fecomercio (R. Doutor Plínio Barreto, 285 – Bela Vista/SP)
Quanto? Grátis

Autor: Carol Patrocinio - Categoria(s): Eventos Tags: , , , , , , , , ,
06/10/2009 - 15:55

Corpo grafitado

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Gemma O’Brien é designer tipográfica e aproveita o blog For the Love of Thype para divulgar suas letras, formas e estilos. Este ano ela foi uma das palestrantes do evento Typo Berlin 2009, que reune os maiores nomes da tipografia mundial.

Antes da conferência, Mrs. Eaves, como é conhecida a artista, gravou um documentário sobre grafite. Se você pensa que a garota apoia a arte como ela é feita atualmente está muito enganado! O vídeo é parte da campanha “ Write Here, Right Now”, para que o grafite seja em lugares adequados.

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[Imagens: Alexander Blumhoff]

Na opinião de O’Brien, propriedades privadas de outras pessoas não devem ser alvo dos grafiteiros, o foco deve ser sua propriedade. No caso da artista, o corpo é a propriedade privada escolhida. Foram oito horas de escrita! Quer ver o vídeo?

Autor: Carol Patrocinio - Categoria(s): Cultura de rua, grafite, street art Tags: , , , , ,
29/09/2009 - 15:34

Fernando Diass e o nanquim da realidade

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Fernando Diass é um daqueles brasileiros que resolveu buscar saídas fora do país. Nanquim e técnicas de wash no papel são as maneiras encontradas para traduzir seus desenhos inspirados pela natureza humana, que já foram comparados aos da revista New Yorker, na Parsons School of Design.

Batemos um papo com o artista que vem ao Brasil ainda este ano, sem data confirmada, para saber mais sobre sua trajetória e inspirações.

IG Street: Você acredita que a mudança do Brasil para NY abriu portas para o seu trabalho?
Fernando Diass: Acho que indiretamente sim. Sair do país pode ser um experiência solitária, mas com consequências muito positivas. Quando vim para Nova Iorque amadureci bastante, me vi livre de julgamentos e passei a ser mais sincero em relação aos meus objetivos, e isso transpareceu nos conceitos que eu crio. É como se eu tivesse aberto um canal direto entre minhas ideias e o meu trabalho. A mudança e as consequências que ela traz foram mais importantes do que o destino no processo de encontrar mais oportunidades.

É claro que NY tem grandes vantagens para quem quer desenvolver um trabalho criativo. Eu, por exemplo, gosto de explorar a natureza humana, e sempre começo um trabalho a partir de algo que observei ou que vivenciei. Como toda grande cidade, NY tem um trânsito constante de pessoas, mas com uma particularidade: a dificuldade com que as pessoas têm em encontrar privacidade. Tudo acontece nas ruas porque muitas vezes os apartamentos são pequenos, os espaços são limitados e na maior parte do tempo, anda-se a pé. Então por mais que você não queira, é difícil não estar presente na vida dos outros e vice-versa. No meu caso, isso é precioso.

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IG Street: Como você se inspira para os trabalhos? Como você escolheu a técnica utilizada?
Fernando Diass: Eu não sei se é exatamente isso que me inspira, mas eu ando por aí, frequento diferentes tipos de lugar e procuro conhecer o maior número e variedade de pessoas possível. Tento conversar e enxergar novas perspectivas. Até mesmo quando isso é uma experiência desagradável tento ser observador e absorver algo. Vejo muitos filmes, em média um por dia. Me envolvo com música, aliás, outra vantagem de NY – a cena musical é incrível. Mas no final das contas eu pareço não ter muito controle sobre inspiração, é como se eu só vivesse minha vida do único jeito que sei viver e ficasse esperando pelas ideias, sem pensar muito nisso. Elas simplesmente vêm.

Acho que a minha técnica surgiu naturalmente, a partir da necessidade de aprender sozinho a qualquer custo. A maneira como eu faço meus trabalhos é fruto do que eu pude observar, filtrar e absorver ao longo do tempo. Como sempre vou continuar observando, minha técnica nunca vai parar de mudar. Hoje meu trabalho é do jeito que é porque me parece apropriado para o que eu quero dizer. Mas é como uma união entre forma e conteúdo, no momento em que o conteúdo muda, a forma também vai mudar, e para isso vou precisar adaptar a técnica.

IG Street: O que significa pra você e o seu trabalho expor junto com o Fashion Week de Nova Iorque?
Fernando Diass: O Fashion Week de NY é um grande evento cultural que atrai muita gente interessante, especialmente para áreas como o Village e o Soho, onde estou mostrando meus trabalhos. A cidade se transforma e dá espaço para um exercício explícito de criatividade, envolvendo diversas formas de arte. Por mais que eu não esteja diretamente ligado à moda, poder participar disso de alguma forma é inspirador. É como se por uma semana, eu tivesse uma audiência muito especial.

IG Street: Quais são suas referências nacionais e internacionais?
Fernando Diass: Minhas referências estão na música, na literatura, no cinema e na pintura. Sei que isso é bem abrangedor e vago, mas é muito difícil ser específico, porque eu provavelmente estaria excluindo algo.

Para citar alguns exemplos: acho que Michelangelo Antonioni fez filmes incríveis como Blow Up, L’Avventura e La Notte, entre outros. Os cineastas franceses da Nouvelle Vague também. Admiro Jean-Luc Godard e François Truffaut. Masculin Féminin, por exemplo, é um estudo interessantíssimo sobre relações humanas. Eu poderia citar muitos outros.

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Gosto muito da literatura russa de Dostoiewski. Acho Crime e Castigo tão intenso que eu poderia fazer uma série extensa de trabalhos baseada no livro. Mikhail Bulgakow escreveu um livro muito interessante chamado The Master and Margarita, recheado de sátiras e humor negro.

Gosto também de Edgard Allan Poe, tenho um profundo interesse pelo misterioso e pelo oculto. Gosto do trabalho de James Joyce, e devo ter lido praticamente toda obra de Oscar Wilde. Estou tentando ler um livro chamado Infinite Jest, de um autor americano chamado David Foster Wallace. Digo tentando porque realmente não é fácil. O livro é tão denso, complicado e extenso que me faz pensar sobre obsessão, sobre realmente querer expressar uma ideia.

Gosto do trabalho do Max Ernst, Alfred Kubin, Goya, Tchelitchew, Edward Gorey, Francis Bacon, David Shrigley… Acho que eu devo ter absorvido muito do que sei de alguns desses artistas.
Na verdade acho que a minha lista de referências vai muito além, não sei nem porque citei cineastas em primeiro lugar… Só posso dizer que todo dia adquiro uma nova referência, conheço algo novo e aprendo mais.

IG Street: Você pode contar um pouco como se deu sua ligação com as artes visuais?
Fernando Diass: Eu não sei dizer exatamente como começou, mas provavelmente foi bem cedo. Minha avó, minha mãe e minha tia são artistas plásticas, talvez isso tenha despertado o meu interesse pelas artes visuais quando eu ainda era pequeno. Me expressar através do desenho e da pintura foi como que instintivo, desenhar era algo que eu simplesmente sabia fazer, sem nem saber como ou porque.

Para mim a estética é e sempre foi intrigante de maneira geral.

Autor: Carol Patrocinio - Categoria(s): Cultura de rua Tags: , , , , ,
19/09/2009 - 08:45

Heliópolis vai ao teatro

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Arte ou guerra? Educação ou repreensão? Liberdade ou clausura? Qual o melhor caminho para a transformação da realidade social?

Na comunidade de Heliópolis, zona Sul de São Paulo, a iniciativa Arte e Cidadania em Heliópolis encontrou uma saída: viver diversas vidas dentro de apenas uma. Com isso, há quase 10 anos foi criada a Companhia de Teatro de Heliópolis.

Liderados pelo diretor e idealizador do projeto, Miguel Rocha, nove jovens de uma das comunidades mais carentes da cidade encontraram, em seis meses de atividade, um lugar onde puderam aprender aquilo que mostra saídas para o futuro: o teatro.

O espetáculo “O Dia em que Túlio descobriu a África – Um jovem brasileiro visita as civilizações de seus antepassados” entrou em cartaz essa semana e é uma ótima chance para você conhecer um outro lado da realidade, que pode ser muito bonito e sonoro.

Serviço
Quando? Sábado, 19 de setembro
Onde? Sesc Ipiranga

Quando? 24,25 e 31 de outubro e 01 de novembro
Onde? Tusp

Autor: Carol Patrocinio - Categoria(s): Eventos Tags: , , , , , , , ,
11/09/2009 - 10:00

Corações pintados em tábuas de carne chamam atenção em São Paulo

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Se você passou distraído pela famosa Rua Augusta, em São Paulo (SP), e se deparou com várias tábuas de carne expostas e corações humanos quase reais, não se assuste! A mostra “De Todo Coração” está acontecendo desde o dia 26 de agosto no bar e restaurante Z Carniceria. Ficou supercurioso para conferir essas obras de perto? É só dar uma passadinha por lá até a próxima terça-feira (15) para apreciar a arte de Miguel Anselmo, gaúcho de Porto Alegre, mas paulistano de coração.

Desde 2007, o artista plástico se apropria das tradicionais tábuas de carne, peças que agora se comunicam com a estrutura do Z Carniceria, ambientado em um antigo açougue e matadouro da década de 50. É nessa atmosfera que ele retrata o coração humano e suas inúmeras possibilidades de sentido: a morte, a vida e todas as inquietações possíveis dissecadas à tinta, com técnicas de Trompe-l’oeil – variação dos pontos de perspectiva para criar uma nova imagem – e de ilusionismo.

Miguel Anselmo tem obras espalhadas em diversos estados brasileiros e em outros países, como em Karlsruhe, Essen e Berlim, na Alemanha; Lanzarote, nas Ilhas Canárias (Espanha); Leuven, na Bélgica; Providence, em Road Island (EUA); Paris, na França; e, por fim, em Viena, na Áustria, onde teve obras comercializadas na Galerie Augustin. Além desse currículo todo, ele ainda foi o único representante do Brasil e da América Latina na segunda edição do Festival de Trompe-l’oeil, na cidade italiana de Lodi, em 2004.

Com desenvoltura e talento de sobra, Miguel fala sobre o processo criativo de sua nova exposição em entrevista exclusiva para o iG Street. Confira!

iG Street – Desde quando você se interessa por arte?
Miguel Anselmo – Além de ter cursado Desenho Publicitário, eu faço murais desde 1986. Comecei fazendo pinturas decorativas e afrescos, cuja técnica eu trago hoje para a arte mais conceitual. Mas, na verdade, eu me interesso pela arte desde quando eu ainda era criança. Sabe aquela coisa de entregar a prova em branco para a professora, mas com um desenho? Era assim! Cheguei a fazer Ciências Contábeis, mas parei e comecei a fazer Desenho Publicitário.

iG Street – Como surgiu a ideia de fazer corações em uma tábua de carne?
Miguel Anselmo – Eu achei a primeira tábua, levei para casa e deixei na frente do cavalete durante meses. Eu havia terminado uma série só com pássaros e, nessa questão dos pardais, eu já denominava “Liberdade ou Aprisionamento Humano?”. Nesse trabalho, eu usava os pardais como elemento para esse questionamento.

Também fiz um trabalho, em 1999, que se chamava “Radiografia Corporal”. Eu pintava órgãos humanos sobre a pele. Por exemplo, o coração onde está o coração, os ovários onde realmente ficam os ovários e a laringe onde se localiza a laringe em uma cantora.

Depois disso, eu olhei para tudo o que eu já tinha feito e fiquei pensando: “O que eu quero mostrar nesse trabalho novo?”. Foi assim que eu me deparei com uma tela que tenho desde 1999: um prato com um coração humano dentro. A ideia era “Sirva-se de você mesmo”, “Viva da melhor forma possível”, “Saboreie-se” e, na época, eu era vegetariano. Então, eu pensei: “Perfeito! Vou eleger o coração como objeto”. Pesquisei e descobri que, na antiguidade, ele era relacionado ao intelecto; hoje, já é vinculado ao sentimento.

iG Street – E como a tábua de carne entra na história?
Miguel Anselmo – Vi tudo o que o coração simbolizava: emoção, vida, morte, amor ou desejo. Usei a tábua para representar o suporte para o alimento, e o coração, o suporte para a vida. Voltei a questionar: “Qual é o valor dessa vida?”. A tábua é um objeto comum a todos, e o coração também; afinal, todo mundo tem e já viu a imagem de um. Aliás, ainda estou pintando outras seis.
 
iG Street – Mas até quando você vai produzir esses corações?
Miguel Anselmo –
Até quando eu não quiser mais. Na verdade, estou trabalhando em uma série paralela, que ainda não posso revelar; mas, neste ano, eu já fiz três séries: de aquarela e de riscos. Mexo com os corações desde 2007! Agora mesmo vi a arte de um rapaz que fez um trabalho com carpete verde e pensei em fazer um coração todo em grama. Anotei para não esquecer e já fui atrás da grama que eu vou usar. Cada tábua é relacionada com alguma coisa que li. Eu pesquiso, não fica só na inspiração!
 
iG Street – É justamente o que eu vou perguntar agora: onde você se inspira para fazer tantos corações diferentes?
Miguel Anselmo – Por exemplo, eu trabalhei um baseado no mito do amor, o Eros; outro, todo feito de cristal, eu trabalho valores. Enfim, eu leio, observo bastante e tenho argumentos.
 
iG Street – Quais materiais você usa para os corações parecerem tão reais?
Miguel Anselmo –
O suporte é sempre as tábuas de madeira. Então, uso óleo sobre madeira e a preparo como se fosse uma tela a ser pintada. Também uso tinta a óleo, folha de ouro, papel maché, baixo relevo e strass.
 
iG Street – Como apareceu o convite para expor na Carniceria?
Miguel Anselmo –
A subprefeitura me convidou para fazer uma exposição na passagem subterrânea da Avenida Paulista com a Consolação. Eu achei bem interessante, porque é um espaço público, onde pessoas que não teriam acesso a esse tipo de trabalho tiveram a oportunidade de ver.

Quando fui à Carniceria, como cliente, deixei o meu cartão, mas eles já tinham visto o meu trabalho pelo site. No começo, eu hesitei em fazer num bar, mas acabei gostando da ideia! Dá um jogo interessante, porque, apesar do nome, eles vendem comida vegetariana. A exposição da Paulista terminou no dia 31 de julho e, no dia 26 de agosto, começou a da Augusta, que está virada para a rua. Na semana passada, eu fiquei observando, de longe, um morador de rua olhando para uma vitrine, e um casal de clientes do bar, para a outra. Que contraste! O que será que cada um estava pensando? São situações muito diferentes. Adorei ter visto essa cena!
 

Serviço
“De Todo Coração”, de Miguel Anselmo
Data: De 26 de agosto a 15 de setembro
Entrada: Grátis
Endereço: Z Carniceria Bar
Rua Augusta, 934, Bela Vista, São Paulo (SP)
Horário: De terça a sábado, das 19h às 2h. Domingos, das 17h à 0h
Capacidade: 100 pessoas
Pagamento: Aceita cheque, todos os cartões de crédito e débito
Estacionamento em frente: R$ 10,00
Censura: 18 anos
Oferece serviço de Wi-Fi
Telefone: (11) 2936.0934

Você já conhecia a arte de Miguel Anselmo? O que achou dos corações? Deixe sua opinião!

Autor: Larissa Drumond - Categoria(s): Sem categoria Tags: , , , , , , , ,
07/09/2009 - 08:45

Picasso era do grafite!

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O nome dele já é uma obra de arte: Pablo Diego José Francisco de Paula Juan Nepomuceno María de los Remedios Cipriano de la Santísima Trinidad Ruiz y Picasso. Sim, esse é o nome completo do pintor que revolucionou as artes plásticas no século XX.

Picasso nasceu em 1881, em Málaga, e se tornou um dos artistas mais reconhecidos do mundo por seus trabalhos em diversas frentes.

O que muitos nem imaginam é que um dos fundadores do Cubismo e autor da Guernica também foi vanguardista em outra arte, ainda hoje marginalizada: a do grafite. O Light Grafite, ou grafite com luz, é hoje bastante difundido nos países da Europa e foi muito comentado no Brasil há pouco tempo.

O que Picasso fazia era trabalhar com uma câmera fotográfica com possibilidade de um bom tempo de exposição até que a foto fosse batida e, então, desenhava com luz – manipulando o princípio básico da fotografia.

Nós escolhemos algumas fotos dessa arte já praticada em 1949 por um dos grandes gênios das artes visuais. As demais imagens você pode conferir no site da revista Life.

Autor: Carol Patrocinio - Categoria(s): grafite Tags: , , , , , , , , ,
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