Arquivo da Categoria bienal internacional de grafite
08/09/2008 - 00:32
Ao som de E2 e U-Gueto, chegou ao fim a 1ª Bienal Internacional de Grafitti de Belo Horizonte – BIG: primeiro evento dedicado à arte do grafite no mundo! Em nove dias, milhares de pessoas visitaram as exposições, participaram do seminário, curtiram os vários shows e discotecagens e puderam ver artistas de diferentes lugares do mundo juntos numa só galeria. Além disso, workshops e intervenções urbanas também fizeram parte da grade de programação do evento.
Rui Santana, curador e respnsável pela organização da BIG, disse que a Bienal foi um acontecimento importantíssimo e histórico. “Nunca aconteceu nada assim no mundo. Fizemos um evento internacional, formamos um intercâmbio cultural com a mistura de diferentes nacionalidades, formações e estilos. A Serraria recebeu, em média, 3.000 pessoas por dia. Promovemos visitas monitoradas para alunos de diversas escolas públicas e privadas. Produzimos intervenções que viraram um registro na cidade”.

A aceitação do público certamente foi muito positiva. O zigue-zague de pessoas pelo galpão da Serraria foi constante durante toda a duração da BIG. A importância desse evento deve ficar em destaque constante. Afinal, é uma oportunidade de se debater uma arte, de aumentar o conhecimento e fazer novas reflexões, que possam, ou não, vislumbrar novas direções. Passada a surpresa e a novidade da estréia, é fato que, daqui a dois anos, a Bienal Internacional de Graffiti de Belo Horizonte cravará seu espaço no circuito cultural da capital mineira. E que o exemplo seja seguido!
Confira abaixo algumas imagens da exposição ‘Arte de Rua’, um dos destaques da Bienal, que mistura instalações, objetos e derivações. E os visitantes também puderam deixar seus registros nas paredes dessa galeria.
E fica a dica para que ainda não acessou o site do evento. Lá estão disponíveis várias outras fotos dos melhores momentos da BIG, o blog e um espaço interativo onde os internautas podem criar seus grafites e disponibilizá-los para visualização. Acesse www.bigbh.com.br e confira!
Até daqui a dois anos!
Autor: Redação - Categoria(s): Hip hop, bienal internacional de grafite, street art
Tags: bienal internacional de graffiti, grafite, Hip hop, street art
06/09/2008 - 12:41
Uma das propostas da 1ª Bienal Internacional de Graffiti de Belo Horizonte, é promover intervenções pela cidade afim de fazer uma espécie de diálogo entre a arte, o espaço público e a própria Bienal. Como pôde ser aprendido nessa semana de seminários, faz parte da essência do grafite esse caráter de trangressão, em que o artista aproveita os espaços públicos e cria uma linguagem intencional para interferir na cidade.
Trabalhos de intervenção urbana foram feitos, e ainda estão sendo, durante todo o período do evento. Alguns pontos da cidade terão, para sempre, o registro da 1ª Bienal Internacional organizada para discutir os rumos dessa arte urbana.
Além dos espaços que já estavam marcados para as intervenções, como o muro que cerca a Serraria Souza Pinto e o muro do restaurante Pizza Sur, próximo à Praça da Liberdade e em frente ao Usiminas Belas Artes de Cinema, a organização conseguiu permissão para que os artistas pintassem os muros de uma antiga e enorme fábrica de tecidos da cidade, localizada no Bairro Renascença, e do galpão do Sistema de Limpeza Urbana (SLU).
Rui Santana, curador e organizador da Bienal, disse que poder fazer isso é incrível! “Essas interveçoes são muito importantes e farão com que o evento fique marcado para sempre na história da cidade . A Serraria Souza Pinto é tombada pelo Patrimônio Histórico (é proibido qualquer tipo de alteração nas estruturas do local sem autorização prévia). É o registro de uma arte que não morre mais” – completou.
Quem quiser pode ver ao vivo a criação dessas intervenções. O muro da Serraria ainda não está finalizado e o trabalho na antiga fábrica de tecidos começou hoje. Quem não puder ir ver, pode conferir alguns clicks dos trabalhos na galeria abaixo. Mais fotos em breve.
Crédito: Alan Terra
Outras informações no site www.bigbh.com.br
Autor: Redação - Categoria(s): Hip hop, bienal internacional de grafite, street art
Tags: bienal internacional de graffiti, grafite, Hip hop, intervenção pública, street art
04/09/2008 - 19:20

Identidade é o conjunto de caracteres próprios e exclusivos com os quais se pode diferenciar uma coisa de outra. Pessoas, animais, plantas e objetos inanimados possuem sua própria identificação. Obviamente, isso se dá da mesma maneira com os artistas: cada um possui seu estilo, sua marca, sua identidade; e repassam isso para as suas obras.
Com o tema “Grafite como identidade nos séculos XX e XXI”, o seminário realizado hoje na Serraria Souza Pinto trouxe à tona essa discussão. Foram convidados para falar ao público presente a artista plástica e arte-educadora, Julia Pontes; o professor da Universidae Federal de Minas Gerais (UFMG), Juarez Dayrell e o rapper belorizontino Renegado.
Julia, como artista plástica que é, salientou que o que forma a identidade de uma arte é o processo criativo e o projeto poético da mesma. Partindo desse pressuposto ela afirmou que, hoje, “as coisas estão misturadas. Grafiteiros e artistas pláticos formam um grupo só”. Isso talvez pelo fato de ela considerar que a construção da obra e de seu caráter poético, tanto nas artes plásticas quanto na grafitagem, partem de um mesmo pressuposto: a vontade de se expressar e se identificar.
O rapper Renegado vê o grafite como intervenção no espaço público, tanto em âmbito local como global. Ele frisou que o que identifica uma arte é a sua base. “Podemos alçar vôos maiores, mas é bom sempre mantermos nossa base identificatória perfeitamente cimentada, para que não venhamos a nos perder mais pra frente”. Tendo isso em mente, o rapper ainda alertou a platéia para um fenômeno que pode embaçar essa identidade: “Hoje em dia ocorre uma constante inversão de valores onde conceitos são desformatados por inteiro”. Daí é que parte a importância de se preservar as próprias bases.
O professor Juarez Dayrell fez um apanhado da história do grafite até o dia da constatação de sua própria identidade. “Nos anos 90 o grafite era algo totalmente marginal e hoje ocupa galerias de arte. É um salto qualitativo que demarca a identidade dessa arte”. Ele, assim como fez o Renegado, destacou o fato de o grafite acontecer aqui, como acontece pelo mundo afora. ”Apesar de se mostrar uma continuidade (daquilo que surgiu ou foi feito num outro lugar), o grafite, seja ele de onde for, também possui especificidade”; garantindo assim, mais uma vez, um status de identidade própria.
Essa questão da identidade dessa arte é uma discussão sem fim, pelo menos por enquanto. Afinal, que identidade é essa? Foi isso que todos ficaram se perguntando durante o debate, inclusive os próprios conferencistas. Tentando amenizar essa dúvida, o professor da UFMG completou, “eu vejo o grafite como uma fonte de formatação da identidade que, por sua vez, é uma coisa dinâmica, que vai se reconstruindo através da renovação”.
Autor: Redação - Categoria(s): Hip hop, bienal internacional de grafite, street art
Tags: arte, bienal internacional de graffiti, Hip hop, identidade, renegado, street
03/09/2008 - 21:14

A 1ª Bienal Internacional de Grafitti de Belo Horizonte, além de difundir o grafite como arte contemporânea e promover a inclusão social e cultural de jovens talentos que usam esse estilo como forma de expressão, tem também o objetivo de facilitar o acesso da população à arte por meio de ações nas quais os cidadãos possam olhar criticamente aquilo que vêem e ouvem.
Pensando nisso, a Bienal e sua organização promovem ações educativas para instituições de ensino públicas e municipais, por meio de visitas monitoradas pela Serraria Souza Pinto em grupos de 20 alunos. As crianças recebem uma aula sobre toda a história dessa arte. Só hoje, 10 escolas diferentes foram à Bienal. De acordo com o coordenador de comunicação do evento, Mateus Santana, “37 instituições estão sendo atentidas, o que gera um total de 1.350 crianças”.
O coordenador conta ainda que cinco escolas municipais convidaram artistas da Bienal para desenvolverem trabalhos nesses espaços, inclusive com o tema doenças sexualmente trasmissíveis. “Fazer cultura no Brasil é complicado, e quando vemos um reconhecimento como esse é muito gratificante” – finaliza Mateus.
Vale lembrar que as incrições para as visitas monitoradas já estão encerradas, pois todos os horários já foram preenchidos.
Outras informações no site da Bienal.
Autor: Redação - Categoria(s): Hip hop, bienal internacional de grafite, street art
Tags: arte, bienal internacional de graffiti, educação, street
03/09/2008 - 20:42

O terceiro seminário da 1ª Bienal Internacional de Graffiti de BH levou muita gente à Serraria Souza Pinto, fazendo com que o seminário fosse o mais cheio de todos até agora. Para discutir sobre “grafite, tatoo, design, pubicidade e arquitetura” foram convidados o arquiteto e professor da Universidade Fumec (Fundação Mineira de Educação e Cultura), Flávio Negrão; o designer e também professor da mesma universidade, Eduardo Braga e o artista plástico Edmundo Bravo, o Didi. Também foi convidado o tatuador Leo Lobinho, que não compareceu.
Flávio Negrão é integrante de um projeto que procura transformar o lixo em objeto novamente utilizável, de diversas formas. Este trabalho é realizado na marcenaria da Asmare (Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Material Reciclável). Para isso, ele conta com a ajuda da galera do design e do grafite. “O projeto já existe há mais de três anos e é o único do Brasil a trabalhar com eco-design” – conta o professor. Ele ainda explicou que tudo o que é usado nas produções é previamente e “sustentavelmente” analisado. “É necessário avaliar o ciclo de vida dos materiais usados. Para onde vão as latinhas? As chapas? E as placas? Tudo isso tem de ser levado em consideração”.
No âmbito da arquitetura, o professor observou que o grafite evoluiu muito em Belo Horizonte. “Hoje não é preciso pular o muro do trilho do trem para ver um grafite. A arte veio às ruas. Mas é preciso cautela, pois senão o grafite acaba por perder a sua essência ou então a cidade fica poluída” – termina.
No lado da publicidade, Didi explicou que “a propaganda se utiliza muito dos ícones do grafite para diferentes coisas”, e que, juntos, “colaboram para um resultado melhor”, atitude que ele enxerga como positiva. Em contrapartida, disse também que a propaganda possui muitas idéias que podem e devem ser usadas pelo grafite. “O grafite deveria sair de seu quadrado”.
Eduardo Braga deu uma pincelada no que diz respeito à relação do design moderno com o grafite, uma arte contemporânea. “Temos que ter um olhar amplo e trabalhar todos os sentidos em todos os seus significados”, frisou o professor.
No final, como em todos os outros seminários, a platéia pode debater a questão com os convidados. Hoje, a vontade de participar era tanta que, no meio da palestra, um espectador pediu a palavra. As discussões foram mais fervorosas e as discussões entre diversas opiniões durou um longo tempo. “Essa é proposta. Melhor água fervendo do que água morna” – comentou o organizador da Bienal, Rui Santana.
Autor: Redação - Categoria(s): Hip hop, bienal internacional de grafite, street art
Tags: arquitetura, bienal internacional de graffiti, design, grafite, Hip hop, street, tatoo
02/09/2008 - 20:28

Qualidade ou nacionalidade de cidadão. Essa é a definição que o dicionário nos dá da palavra CIDADANIA. O conceito geral de cidadania que circula pelo mundo afora sempre esteve fortemente atrelado à noção de direitos, especialmente os direitos políticos, que permitem ao indivíduo intervir na direção dos negócios públicos do Estado, participando de modo direto ou indireto na formação do governo e na sua administração. No entanto, dentro de uma democracia, a própria definição de Direito pressupõe a contrapartida de deveres, uma vez que em uma coletividade os direitos de um indivíduo são garantidos a partir do cumprimento dos deveres dos demais componentes da sociedade.
Nessa terça-feira, o papo que rolou na Bienal Internacional do Graffiti teve a ver com isso. ‘Criatividade, grafite e cidadania’ foi o tema do seminário de hoje, que levou vários interessados à Serraria Souza Pinto para debater a questão.
Para compor a mesa foram convidados arte-educadores envolvidos em projetos que mesclam estas três palavras, além de um antrpólogo. Rui Santana, organizador e curador do evento, foi o mediador do debate mais uma vez.
Essa questão do grafitti, atrelado à cidadaia e criatividade é um ponto de discussão muito relevante nos dias de hoje. Como arte comtemporânea a grafitagem precisa se impor como tal, e isso acarreta várias outras discussões.
Roberto Carlos Madalena é coordenador do projeto Quixote, de São Paulo, que acolhe crianças de rua, que passaram pela antiga Febem ou que sofreram abusos, e jovens que não tem o que fazer pela cidade. “Nosso projeto já existe há dez anos, utilizando o graffiti como ferramente pedagógica. Buscamos fazer com que essas crianças resgatem seus sonhos, suas possibilidades e passem a almejar algo de bom”. O uso dessa arte atual como instrumento da cidadania se faz eficaz: “a garotada vê no graffiti uma forma de se relacionar e conversar com a sociedade”.
Outro bom exemplo é o projeto Escola Integrada, da Prefeitura de Belo Horizonte. O projeto atende crianças de seis a quatorze anos de idade em 50 escolas diferentes em BH. A professora de arte Maria Luisa Viana, integrante do projeto, contou que o objetivo principal é “ampliar o potencial educativo” dos atendidos. Dentro do projeto são realizadas várias oficinas, inclusive de artes; cujo programa dialoga com o graffiti.
Em um outro viés da discussão, o coordenador do projeto Guernica, José Marcius, explicou que, ao contrário dos outros, o projeto Guernica não faz um trabalho de acolhimento e resgate, mas trabalha com a questão do suporte-cidade, com o embate pixação versus graffiti; tudo relacionado às políticas públicas. “Não formamos grafiteiros. Nós buscamos tentar estabelecer uma melhor relação da arte com a cidade, mostrando que o lado contestatório do graffiti é a mesma coisa que o lado cidadão do grafiteiro”.
Único conferencista a tocar na quesito criatividade, José Márcio, antropólogo e professor da PUC, disse que a relação entre graffiti, cidadania e criatividade não é natural e nem imediata. “Uma coisa existe perfeitamente sem a outra; é preciso construir essa relação”.
Partindo disso, José Márcio levantou uma discussão: o graffiti é o meio ou fim dessa relação? Se for o meio, ele acredita que o graffiti será reconhecido através de algo que não o pertence. Além disso, ele acredita que o gênero artístico ficaria estigmatizado. “O graffiti é feito por tal pessoa, que veio de tal lugar, por tal motivo” – exemplifica.
Se for reconhecido como fim da relação graffiti-cidadania-criatividade, ele pensa que isso representaria “o reconhecimento da arte como experiência estética e cultural, como gênero de arte urbana”. O professor também fez uma explanação sobre essa relação: “a cidadania não deve ser pensada somente como direitos e deveres. Ela é também identidade e participação. Para que possamos relacionar essas três coisas, precisaríamos, antes, reconhecer, no campo da cidadania, a pluralidade. E criatividade é muito mais do que ser criativo. É algo que precisa e se aloja no indivíduo mas depende da cultura”.
Para terminar, citou Rubem Fonseca, que disse que criatividade é um labirinto: o difícil não é encontrar a saída, mas sim a entrada. “Cidadania e criatividade são portas que precisam ser abertas” – completou o professor.
Mais uma vez, o ponto mais alto do seminário foi quando o público pôde partcipar, tornando o debate muito mais rico. Todos puderam fazer perguntas sobre o tema aos conferencistas, debater questões dos projetos citados e ainda levantar hipóteses que sustentam um horizonte mais limpo para essa relação que, apesar de já tão debatida, continuará sendo ainda por um bom tempo.
Confira abaixo alguns registros do quarto dia da Bienal:
Autor: Redação - Categoria(s): Hip hop, bienal internacional de grafite, street art
Tags: bienal internacional de graffiti, cidadania, criatividade, grafite, street art
02/09/2008 - 11:30
Ontem, ao som do Dj Fmx, enquanto aguardava o início do seminário – que se deu com um pequeno atraso por conta de problemas com um dos palestrantes, que foi prontamente substitído por Rui Santana -, resolvi conversar com algumas pessoas que apreciavam as exposições.
Desde o primeiro dia de Bienal, a diversidade do público me saltou aos olhos. Achei curioso, pois não sabia que o graffiti, essa provocativa arte comtemporânea, consegue agradar públicos tão distintos.
Erik Alves, 21, estudante de Engenharia Ambiental, estava impressionado em ver como a arte do graffiti consegue expressar perfeitamente a voz de um povo. “Não digo que são pinturas engajadas, mas elas refletem uma realidade. Os artistas fazem críticas, apelos, dão conselhos, pregam a paz. Muito bacana isso. Nunca tinha visto obras como essas daqui. Aliás, o único contato que eu já tinha tido com o graffiti foi através das ruas mesmo”.
Inclusive, não é difícil encontrar leigos, nos que diz respeito ao graffiti, conferindo a Bienal. E disso se faz valer o objetivo de disseminar a arte para o maior número de pessoas possível. “A idéia de uma Bienal, gratuita ainda por cima, foi excelente. É só ver o meu caso: entrei sem nem saber onde estava pisando e agora estou saindo com uma visão totalmente diferente a respeito do graffiti” – completa Erik.
Em outra parte do galpão da Serraria, um grupo de amigos se divertia com as obras. Rafael Silveira, 23, estudante de Design e aspirante a grafiteiro, disse que nunca viu uma coisa igual. “O trabalho desses artistas ficou espetacular. Quase não acreditei quando fiquei sabendo como isso tudo aqui foi feito!” As exposições foram erguidas em apenas três dias. Foram 134 artistas trabalhando sem parar, em condições que poderiam ser melhores. “Isso aqui tá incrível” – emendou Rafael.
Percebi que o som do Dj tinha parado. Satisfeito com as breves conversas que tive, fui me sentar para acompanhar o seminário. Algumas cadeiras ao lado, uma senhora também esperava. Me sentei ao lado dela e perguntei o que ela tinha achado das exposições. Sebastiana Fialho, 63, artista plástica desde os 27, me respondeu que tinha gostado muito. “Ainda não terminei de ver todos os corredores, mas até agora gostei muito do que vi”. A ocorrência de pessoas mais velhas visitando a Bienal é também uma constante. “Vai começar! Vamos ver o que essa galera mais nova tem pra falar” – finalizou Dona Sebastiana.

Autor: Redação - Categoria(s): Hip hop, bienal internacional de grafite, street art
Tags: bienal internacional de graffiti, grafite, Hip hop, street
01/09/2008 - 19:16

Hoje, discussões acerca do Muralismo e do graffiti reinaram pelos cantos da Serraria Souza Pinto, devido ao fato da realização do primeiro seminário da Bienal Internacional de Graffiti de Belo Horizonte. Com o título de ‘O Novo Muralismo e suas abordagens históricas’, a galera pôde debater essa questão com os conferencistas convidados. A mesa estava composta pelos artistas Charbelly Estrella (RJ) e Saulo di Tarso (SP); pelo grafiteiro e curador da Bienal, Binho Ribeiro e pelo artista plástico, organizador e curador do evento, Rui Santana.
Apenas para situar, o Muralismo é a pintura executada sobre uma parede. Vinculada à arquitetura, pode explorar o caráter plano de uma parede ou criar o efeito de uma nova área de espaço. Foi cultivado nas civilizações grega e romana e, no século XX, ressurgiu com todo vigor em três fases principais: uma mais expressionista e abstrata, que surgiu em Paris e se manifestou nos trabalhos de Picasso, Matisse, Léger, Miró e Chagall; outra que se manifestou a partir do movimento revolucionário mexicano; e um movimento mural de curta duração, na década de 1930, nos Estados Unidos.
A fase mexicana foi a mais lembrada durante o seminário, talvez por conta de seu caráter revolucionário. E é justamente esse caráter um dos principais pontos que diferem a grafitagem do Muralismo. Existem, sim, pontos de contato entre a produção desses dois ”movimentos”, mas nada suficiente para juntar um ao outro e muito menos para se ter, no graffiti, o Novo Muralismo.
Para Charbelly, mesmo com a existência desses pontos de contato entre um e outro, como a escala das produções ( apesar de a do graffiti ser, segundo ela, bem mais frenética) e a conexão visual, por exemplo, ”eles precisam ser mais bem definidos”. Ela ainda frisou que o graffiti é uma arte totalmente diferente.
Já Saulo di Tarso foi um pouco mais radical: “graffiti nada tem a ver com Muralismo”. Ele reconheceu a existência de certas semelhanças, mas destacou que o que o graffiti discute vai além; possuem dimensões diferentes. “O graffiti surgiu como revolução, mas não como vontade revolucionária com uma matriz política”. A grafitagem não ostenta caráter e vontades relacionadas com a politicagem. “Essa é uma arte livre e comtemporânea”, completou.
Binho Ribeiro, responsável pela ponte entre os artistas nacionais e estrangeiros da Bienal, também compartilha a idéia de que ‘uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa’. “Acho ruim rotular a cultura do graffiti. Não somos organizados em busca de um mesmo resultado. O grafitti não é uma única coisa”, disse.
Ao final dos 15 minutos dedicados a cada palestrante, foi a vez do público interagir com a mesa. O microfone foi dado à galera que, por sua vez, também mandou muito bem. Questões conflitivas, analíticas e concordantes ao que foi exposto rechearam ainda mais o seminário. A impressão que ficou foi a melhor possível. O importante é debater e levantar discussões frutíferas acerca de tudo aquilo que remete – direta ou indiretamente – à arte da grafitagem.
Pra quem quiser esticar a noite de segunda-feira, o agito vai ficar por conta das Negras Ativas e da banda Nós Pega e Faz.
Autor: Redação - Categoria(s): Hip hop, bienal internacional de grafite, street art
Tags: bienal internacional de graffiti, graffiti, grafitagem, muralismo, novo muralismo, street
31/08/2008 - 20:37
Já é possível afirmar, mesmo sendo este apenas o segundo dia, que temos vários grandes talentos entre os grafiteiros que compõem as exposições. Vale a pena navegar por suas respectivas páginas no site da Bienal para conhecê-los um pouco mais.
Hoje, durante todo o dia, ao som das intervenções musicais de Danny e Dj Alex C, todos que compareceram à Serraria Souza Pinto puderam continuar apreciando os trabalhos de diversos artistas que estão expostos pelo grande galpão. Os shows musicais começaram no fim da tarde com as apresentações dos Titios do Samba, dando uma pausa no hip hop, e da banda Julgamento, com um rap de qualidade. Durante os intervalos o Dj Yuga e o Vj Gton ficaram encarregados de não deixar a galera desanimar.
Para quem ainda não foi - ou não poderá ir – conferir a 1ª Bienal Internacional de Graffiti de BH, segue abaixo uma pequena amostra do que pode ser encontrado por lá. Amanhã terá início a sequência de seminários diários, a partir das 16h.

Não deixe de conferir!
Autor: Redação - Categoria(s): Hip hop, bienal internacional de grafite, street art
Tags: bienal internacional de graffiti, big, Hip hop, street
30/08/2008 - 19:43

Antes mesmo das portas da Serraria Souza Pinto se abrirem, um aglomerado de pessoas já esperava do lado de fora, numa tarde quente em BH. Poucos minutos após as 16h, o público foi autorizado a entrar no local. Apesar de pouco numeroso, esse grupo de pessoas parecia atraído pela novidade: a 1ª Bienal Internacional de Graffiti de Belo Horizonte.
Isso tudo pelo fato de o grafitti representar uma meneira moderna de se expressar, adotada pela maior parte do mundo. Essa juventude usa as ruas para se relacionar com a sociedade, contando com a força de uma arte. Apesar desse caráter jovem, foi possível observar que o graffiti atrai um público diversificado: os próprios jovens obviamente, os mais velhos e também as crianças. Constatação perfeita para desmoronar, cada vez mais, o preconceito que insiste em rodear os passos da juventude que se moderniza.
Em seu dia de abertura, a Bienal ofereceu aos adeptos do mundo do grafitti exposições de diversos artistas, misturados em temáticas relevantes em nosso cotidiano. Com os nomes de A Grande Arte, Diálogos Híbridos, Módulo Histórico e Arte de Rua, essa última com instaçaões e objetos, ambas procuraram reunir grafiteiros do Brasil e de outras partes do mundo para apresentarem ao público o grafitti como arte comteporânea, e não como pixação. Além disso, os grafiteiros se misturaram com artistas plásticos graduados numa produção coletiva que mostrava claramente a perfeita mistura entre estilos tidos como diferentes. Creio que, no geral, o objetivo dessas exposições é mostrar à grande comunidade de espectadores uma visão mais ampla do universo do graffiti.
Além do passeio cultural pelas paredes grafitadas da estrutura armada, a galera também pôde conferir de perto alguns artistas mandando ver ao vivo! Quem ficou por conta de animar o povo durante toda a noite foram as artistas Maria Bragança e Aline Prado e o rapper belorizontino Renegado.
Amanhã, a partir das 9h, a casa estará aberta para visitação às exposições e, à noite, mais shows rolarão pra galera. Os seminários começarão na segunda-feira.
Autor: Redação - Categoria(s): Hip hop, bienal internacional de grafite, street art
Tags: bienal internacional de grafite, big, Hip hop, street
Voltar ao topo