Pra descansar dessa polêmica, vim pra Lisboa. Fui convidado a fazer uma música pra trilha de um filme sobre o Saramago (vcs que falam sobre humor inteligente sabem quem é ele?) e estou aqui ouvindo fados, tomando banhos de banheira e inclusive vim no mesmo vôo que Adriane Galisteu, que se sentiu bem ofuscada mesmo usando seu casaco verde fosforescente.
Mas venho pra mostrar pra vocês como se dança o baião. E transformamos “Homem com H“, um baião nas mãos de Ney Matagrosso (a música não é dele mas foi seu maior sucesso na carreira) em um hit pras pistas. E botamos pra balançar o teatro oficina.
Quando as fanzocas adolescentes do CQC tiverem idade, poderão vir nessas festas dionisíacas. Enquanto não, vejam no youtube:
Ontem, ao lado de hordas de modernos, fui ver o Radiohead.
Ouvindo seu melancólico show com neons frenéticos, além de dor, passavam por minha cabeça cenas de minha vida ao lado dessa banda. Meus momentos sozinho no recreio ouvindo ‘Ok Computer’ no fone de ouvido, ‘Creep’ na época que ainda tinha música na MTV, meus primeiros ataques de pânico ouvindo ‘Kid A’, a depressão de ‘Amnesiac’, a chatice de ‘Hail to the Thief’ e sim, finalmente me libertei de Radiohead e minha vida melhorou e muito. Descobri meu canto, meu brilho e abandonei de vez os resmungos incompreensíveis de Thom Yorke.
Vale dizer que ‘Fake Plastic Trees’ só se tornou um hit mesmo quando virou tema de propaganda assistencial.
Uma geração de garotos melancólicos, meninas solitárias elevou essa banda ao topo da pirâmide musical. O golpe de mestre foi a jogada publicitária de ‘In Rainbows’ um gesto com cara de Ladi Di e raciocínio de Nizan Guanaes.
E finalmente, depois de anos, depois que superei meu vício e me tornei uma pessoa feliz, bem-comida e boa comedora eis que como uma caixa de pandora eles vem ao Brasil.
E o desfile fúnebre passa pela minha frente, incluindo a banda morta-viva Los Hermanos, os zumbis ultrapassados e enterrados do Kraftwerk e finalmente duas horas e meia de baladas, pirotecnia de dicotecas ideotèques, olhos zarolhos de Thom Yorke em expressivo primeiro plano e todos podiam cantar em uníssono: “What the hell am I doing here? I don´t belong here.”
Nelson Rodrigues dizia que “A pior solidão é a companhia de um paulista”.
Eu corrigiria: “A pior solidão é um coro de fãs do Radiohead”.
Invadi o estúdio de gravação do Trash pour 4 que está preparando seu terceiro cedê, cheio de músicas de vários cantos do mundo, países inóspitos com a Lapônia e misturando tudo com uma pitadinha de carimbó. Quem conhece a banda vai querer saber mais e quem não conhece tá perdendo que eles fazem versões incríveis de grandes músicas!
Bate-bola fulminante com a cantora Tiê, que anda borboletando pelo mundo seu novo e belíssimo cedê ” Sweet Jardim”(www.myspace.com/tiemusica) . Invadi o camarim e quase constrangi a moça que vem encantando (sem trocadilhos) no Studio SP e prepara as malas pro exterior. Recebeu essa malinha multi-colorida e contou tudo!
(Reparem no estilo altamente documental quase sem interferência do apresentador que vos fala.)
Seguindo minha trajetória de cine-verdade sobra a nova cena da MPB internacional, invadi o camarim de Leo Cavalcanti logo após seu show no SESC Pompéia.
Assisti ontem na estréia o documentário dos Titãs – a Vida até Parece uma Festa (visitem o site que tem muita coisa).
É melhor que um show, é melhor que tudo que eles fizeram nos últimos anos. Dá até pra engolir algumas músicas como “epitáfio” “é preciso saber viver” quando vistas no seu contexto. Agora as imagens dos anos 80 são incríveis e mostram como uma banda pode ser criativa, louca e muito popular.
os titãs, com esse documentário, justificam seu nome. ainda bem que tiraram o terrível aposto “do iêiêiê” já que eles foram muito além do estilo do canastrão Roberto Carlos (que aparece no filme mais artificial que Silvio Santos).
Dá até pra ver eles antecipando o Radiohead de maneira muito mais irreverente fazendo clipe no supermercado. Só que sem o chororô emo de Thom Yorke…
Dá pra ver que eles fizeram tudo pra fazer sucesso, mas arrebentavam nos programas de auditório. Não é que nem esses neo-tímidos que fazem sucesso mas fingem que nem queriam isso.
É gentche, deu saudade do tempo em que rock ainda era porreta!
É povo, fui ao show da Madonna, como muitos, e fiquei um pouco desapontado com a infra. Quando vc vai num show desse tamanho, mais que ver a velhota pulante vc quer ver um grande palco, um espetáculo mostruoso. Pois o palco era super baixo, um pouco maior que uma pessoa (já toquei em palcos muito mais altos) e tinha dois “M” s patéticos ao lado do palco. Parecia que uma tela de obra cobria eles, mas não: eles eram uma mal-feita e improvisada imitação de um “M” em 3d num paninho vagabundo que ela deve ter trazido na mala. Pra piorar ainda tinha um pedacinho do “M” que saia do pano feito de plático pra alimentar a falsa imprensão de ser uma estrutura grandiosa. Dois telões alugados em qualquer buffet mostravam o que o povão (de alta classe, diga-se) não conseguia ver da pista.
Eles devem ter trazido o cenário em duas malinhas louis vitton pra ganhar uma grana por aqui.
Quanto ao show, divertido como um grande videoclipe no cinema. Os hits da loira são fantásticos, mas são apenas discotecados no show. Num tem banda, ela mesma deixa as backings canteram por ela enquanto fica fazendo aquelas coreografias de musical americano.
Teve um momento enfadonho de música latina-espânica em que ela se deu o direito de ficar num canto do palco ouvindo um violeiro (ao invés de aproveitar a deixa pra pelo menos trocar de roupa) até que os hits de pista finais deram uma animada.
Um show fraquinho, bom pra ver num parque da Disney de uma mulher que já está um tanto demodée. Mas eu fui com as Garotas Fantásticas e elas são fãs incondicionais. De peruca loira e batom vermelho dançaram sem parar e se emocionaram com a falsa loira mandonna.
Eu, ao invés de criticar, me joguei!
(afinal eu num sou bloggeiro pra ficar sofrendo ao invés de dançar)
Estava voltando de viagem quando finalmente resolvi ter a paciência de ouvir o disco do Marcelo Camelo. Já tinha tentado na loja, na casa de amigos, mas o clima excessivamente calminho e ameno não permitia que ficasse ouvindo por muito tempo. Parecia que precisava comprar uma casa em itapoã e depois de 10 dias de rede sem nada o que fazer quem sabe estivesse pronto pra tanta “sofisticação”. Depois de dormir muito bem, passar um dia tranquilo finalmente chegou a hora. Ouvi até pelo menos a metade sem reclamar, nem adiantar nenhuma música. Mas a repetição de um mesmo tema ao longo de todo cd, as músicas com dedilhados de violão infinitos e as letras sempre chorosas (isso não é novidade pra fãs do los hermanos, que sempre fizeram ótimas músicas de “corno”) fazem do cd uma obra difícil de chegar ao fim.
Mas assim que paramos de ouvir, cheguei a um restaurante beira de estrada quando tive a impressão de que tocava no ambiente o mesmo cd, fui conferir e quem tocava era um daqueles violonistas de boteco, que tocam grandes sucessos em versões calminhas.
Cd bom pra hall de hotel: Camelo passa de um estilo João Gilberto, vai voltando pra músicas de “morena” à la Dorival Caymmi e ainda chega a uma marchinha mais inocente que a dos tempos da vovó.
A música mais marcante é obviamente seu dueto com Mallu Magalhães. Graciosa e romântica. Tomara que com novo amor ele cante um pouco menos sobre a dor e viva emoções mais envolventes. Porque dedilhado de violão com fundo de praia tem pra vender em qualquer beira de estrada.
Este Sábado quem está em São Paulo vai ter a chance de ver Berlam Belozo & A Banda Larga e ganhar o EP com 4 músicas. O Lançamento será no Café Concerto Uranus que fica na r. Carvalho de Mendonça, 40 – Santa Cecília. São módicos R$20 pra entrar, ganhar o cd ver o show e se jogar na balada.
Participações das Garotas Fantásticas, do trombonista Gil Duarte e muito mais novidades…
Vem que vai ferver!
As músicas são Discolorado, Futebol Bemol, Carnaval Baixo Astral e Bichamarga.
Todas podem ser baixadas gratuitamente no myspace:
Gentche,
pra quem não sabe, muito além e antes de apresentador, sou cantor e compositor. Talvez tudo e um pouco mais ande junto e eu ando grudado com minha Banda Larga… Estamos lançando nosso EP de quatro músicas semana que vem…
quem quiser conhecer essa minha faceta mais forte, visite nosso myspace: www.myspace.com/berlambelozoeabandalarga
e se prepare que dia 22/11, sábado, São Paulo vai tremer com o show de lançamento do ep de
Essa noite de Sábado no TIM Festival foi uma sacola. Ponto de encontro dos moderninhos, que pagam R$150 pra ver shows de bandas estrangeiras que nem conhecem. Eu, como moderno, fui também. Pois as bandas gringas eram realmente chatas e o show mais interessante foi curto e no começo… Quando começou a esquentar um problema técnico atrapalhou o show do Cérebro Eletrônico.
O The National com seu vocalista resmungão e músicas invariavelmente em evolução “crescente” foi bom pra passear e não ver o tempo passar. O MGMT, promessa de animação começou seu show jogando cerveja em ursinhos de pelúcia com um discurso incompreensível ovacionado pela platéia baba ovo brasileira.
A melhor descrição de como era o público presente, fica por um video do Hermes e Renato. O resto é silêncio (e zumbido no ouvido)
Francesa maravilhosa com rápida e discreta passagem por aqui (o que fizeram o Skol Beats e o Tim Festival que não perceberam?) Yelle bomba na internet com seus clipes “fantásticos”. Só conheci depois as enormes semelhanças entre esse clipe de “Je veux te voir” e nossa aula de ginástica!
O show dela no Glória foi incrível, com sua dupla de beats eletrônicos e ao vivo. Eu e minhas Garotas Fantásticas estivemos por lá pra conferir!