Radiohead Tarja Preta
Ontem, ao lado de hordas de modernos, fui ver o Radiohead.
Ouvindo seu melancólico show com neons frenéticos, além de dor, passavam por minha cabeça cenas de minha vida ao lado dessa banda. Meus momentos sozinho no recreio ouvindo ‘Ok Computer’ no fone de ouvido, ‘Creep’ na época que ainda tinha música na MTV, meus primeiros ataques de pânico ouvindo ‘Kid A’, a depressão de ‘Amnesiac’, a chatice de ‘Hail to the Thief’ e sim, finalmente me libertei de Radiohead e minha vida melhorou e muito. Descobri meu canto, meu brilho e abandonei de vez os resmungos incompreensíveis de Thom Yorke.
Vale dizer que ‘Fake Plastic Trees’ só se tornou um hit mesmo quando virou tema de propaganda assistencial.
Uma geração de garotos melancólicos, meninas solitárias elevou essa banda ao topo da pirâmide musical. O golpe de mestre foi a jogada publicitária de ‘In Rainbows’ um gesto com cara de Ladi Di e raciocínio de Nizan Guanaes.
E finalmente, depois de anos, depois que superei meu vício e me tornei uma pessoa feliz, bem-comida e boa comedora eis que como uma caixa de pandora eles vem ao Brasil.
E o desfile fúnebre passa pela minha frente, incluindo a banda morta-viva Los Hermanos, os zumbis ultrapassados e enterrados do Kraftwerk e finalmente duas horas e meia de baladas, pirotecnia de dicotecas ideotèques, olhos zarolhos de Thom Yorke em expressivo primeiro plano e todos podiam cantar em uníssono: “What the hell am I doing here? I don´t belong here.”
Nelson Rodrigues dizia que “A pior solidão é a companhia de um paulista”.
Eu corrigiria: “A pior solidão é um coro de fãs do Radiohead”.
O show foi mesmo incrível.
Autor: berlam - Categoria(s): Música Tags: berlam, creep, just a fest, kid a, kraftwerk, los hermanos, ok computer, radiohead, show