Estava voltando de viagem quando finalmente resolvi ter a paciência de ouvir o disco do Marcelo Camelo. Já tinha tentado na loja, na casa de amigos, mas o clima excessivamente calminho e ameno não permitia que ficasse ouvindo por muito tempo. Parecia que precisava comprar uma casa em itapoã e depois de 10 dias de rede sem nada o que fazer quem sabe estivesse pronto pra tanta “sofisticação”. Depois de dormir muito bem, passar um dia tranquilo finalmente chegou a hora. Ouvi até pelo menos a metade sem reclamar, nem adiantar nenhuma música. Mas a repetição de um mesmo tema ao longo de todo cd, as músicas com dedilhados de violão infinitos e as letras sempre chorosas (isso não é novidade pra fãs do los hermanos, que sempre fizeram ótimas músicas de “corno”) fazem do cd uma obra difícil de chegar ao fim.
Mas assim que paramos de ouvir, cheguei a um restaurante beira de estrada quando tive a impressão de que tocava no ambiente o mesmo cd, fui conferir e quem tocava era um daqueles violonistas de boteco, que tocam grandes sucessos em versões calminhas.
Cd bom pra hall de hotel: Camelo passa de um estilo João Gilberto, vai voltando pra músicas de “morena” à la Dorival Caymmi e ainda chega a uma marchinha mais inocente que a dos tempos da vovó.
A música mais marcante é obviamente seu dueto com Mallu Magalhães. Graciosa e romântica. Tomara que com novo amor ele cante um pouco menos sobre a dor e viva emoções mais envolventes. Porque dedilhado de violão com fundo de praia tem pra vender em qualquer beira de estrada.
Fiz esse programa nos estúdios da Álamo onde o querido amigo Fabio Lucindo trabalha (ele que fez garoto enxaqueca! hahaha). Assunto interessantíssimo, achei pura diversão fazer, dublar e ver o programa. Esse tá bom, afinal modéstia é uma coisa que desconheço!
Ao invés de vivermos em uma era de final dos tempos, vivemos na era em que tudo é pós-pós-pós. tudo digo, falando em termos culturais. O pós-pós-pós dominou a cabeça de artistas que tem a pachorra de dizer no meio de mais um dos milhares períodos históricos, que tudo acabou, que mais nada pode ser inventado, bla-bla-bla. Pra quem considera a ilustrada seu único meio de comunicação com o que há de bom no mundo pode ser, inclusive ela acaba de lançar o livro auto referente “Pós-tudo”. Avançando na tão atacada pretensão do título de “verdade tropical”, a biblia dos culturetes considerou esses 50 anos tudo e já é o seu pós. Tudo já rolou, nada mais pode ser inventado. Mesma sensação que sugere o show de Cibelle, que acabei de acompanhar no Bourbon Street. Parece a Gal, parecem roupas dos anos 80, parece um filme trash que abre o show, parece que vai engatar mas desengata. É Pós-tudo. Tudo é referência, com releituras referentes, afinal já é uma releitura da releitura que brinca com estar fazendo a releitura ao mesmo tempo que nega a releitura.
Não entendeu? É pós-pós-pós: “É pós entendimento, é pós entretenimento pque a vida e a cultura já se esgotaram e nada se cria tudo se copia. Ou não.”
Na verdade o que resume foi a fala de um amigo após o show: é pós qualquer coisa.
Este Sábado quem está em São Paulo vai ter a chance de ver Berlam Belozo & A Banda Larga e ganhar o EP com 4 músicas. O Lançamento será no Café Concerto Uranus que fica na r. Carvalho de Mendonça, 40 – Santa Cecília. São módicos R$20 pra entrar, ganhar o cd ver o show e se jogar na balada.
Participações das Garotas Fantásticas, do trombonista Gil Duarte e muito mais novidades…
Vem que vai ferver!
As músicas são Discolorado, Futebol Bemol, Carnaval Baixo Astral e Bichamarga.
Todas podem ser baixadas gratuitamente no myspace:
Woody Allen, o diretor neurótico a beira de um ataque de nervos, acaba de lançar um filme fantástico. “Vicky Cristina Barcelona” é mais um painel de neuroses humanas mas desta vez com muita agilidade, graça e um toque de pimenta. Ele usa e abusa de todos os clichês da sensualidade espanhola, dos bons e atraentes atores de lá para fazer uma versão Almodovar de sua própria obra. Se em seu filme anterior “O Sonho de Cassandra” ele brincava de Hitchcock, levando ao paroxismo os dilemas entre culpa, desejo e assassinato (uma trinca que Dostoievsky lançou aos quatro cantos do mundo – de Nelson Rodrigues a Almodovar) nessa ele deixa-se levar pelas paixões humanas e faz uma obra mais tolerante. Se o final moralista e irônico de ‘Match Point’ agradou a muitos, ele não fugia de fazer apologia velada a uma sociedade pautada na hipocrisia. Ao deslocar seu foco para a caliente Barcelona – cidade fetiche – ele encontra uma ambiente mais “liberal” para destilar sua ironia. Parece que sua mão de clown nunca acredita realmente na realização do desejo, que ele sempre se tornará patético e inconveniente. Mas o inconveniente nesse filme é altamente sedutor (claro, Penélope Cruz fazendo uma espanhola temperamental não poderia deixar de ser apaixonante) e o painel fica mais complexo e arejado. O narrador que emoldura o filme, dá o tom de fábula onde passeiam as incoerências humanas.
O que diferencia Almodovar de Woody Allen é que este segundo parece não querer abrir mão jamais do sentimento de culpa, sempre frisando sua existência e as amarras sociais que “prendem” os desejos e impulsos sexuais. Almodovar é mais permissivo, enxerga mais beleza no contraditório e com “Vick Cristina Barcelona” parece que Allen se deixa permear por essa visão. Como diria o marido almofadinha do filme, depois de uma boa trepada:
“Você está mais presente hoje. Será o ar de Barcelona?”
Mesmo ironizando esses efeitos, parece que o diretor se deixou levar por esse ar…
Aqui vai a entrevista divertidíssima que fiz com Dorival Coutinho, auto-intitulado “príncipe da pornochanchada”. Ele abriu agora uma escola de sexo e os assuntos foram calientes!
Gentche,
pra quem não sabe, muito além e antes de apresentador, sou cantor e compositor. Talvez tudo e um pouco mais ande junto e eu ando grudado com minha Banda Larga… Estamos lançando nosso EP de quatro músicas semana que vem…
quem quiser conhecer essa minha faceta mais forte, visite nosso myspace: www.myspace.com/berlambelozoeabandalarga
e se prepare que dia 22/11, sábado, São Paulo vai tremer com o show de lançamento do ep de
A Bienal de São Paulo recebeu um duro ataque: de seus próprios organizadores. Com a baboseira de botar um andar vazio como se fosse arte conceitual, toneladas de videos e pouquíssimas obras, a Bienal está um fracasso de público e claro, um fracasso artístico.
Se ós únicos lampejos de interesse vem de performances, eu também fiz minha:
Comparecei às Satyrianas, na tenda DRAMA MIX onde havia várias cenas de um minuto. Após varios minutos de silêncio e non-sense resolvi extrapolar meu tempo e botar uns pingos nos “i”s. E fui conhecer ‘outro lado’ da praça roosevelt….
estou indo cobrir agora a bienal do vazio e com isso formarei minha “bilogia do vazio” ou “biologia dos artistas”….