O Banco do Brasil divulgou, nesta quinta-feira, o maior lucro da história dos bancos no Brasil. Em 2009 0 BB teve um lucro de cerca de R$ 10,1 bilhões, um aumento de 15% em relação ao exercício de 2008 . O lucro recorrente foi de R$ 6,63 bi, um aumento de 2% em relação a 2008.
Apesar desse resultado excepcional, as ações do BB estão caindo forte na Bolsa de Valores de São Paulo. No meio da tarde, os papéis estavam em baixa de 2,2%, a maior queda do setor bancário. O ìndice Bovespa, que mostra a média do mercado brasileiro, estava com uma baixa muito menor, de apenas 0,2%.
Como explicar que as ações caiam mesmo com bons resultados? “É um caso clássico de investidores que compram no boato e vendem no fato”, diz Clodoir Vieira, economista-chefe da corretora Souza Barros. Segundo o economista, em geral os investidores antecipam os bons resultados e, por isso, as ações sobem de preço. Quando o resultado é de fato divulgado, os investidores que compraram as ações vendem-nas com lucro, derrubando os preços.
Outro motivo, diz Vieira, é que apesar do número pujante, o resultado do BB não surpreendeu o mercado. Aqui, é preciso saber diferenciar o resultado recorrente do resultado não-recorrente.
Em português: o resultado recorrente é aquele que vem da atividade empresarial. O resultado não-recorrente é o que ocorre uma única vez. Por exemplo, uma empresa que fabrica parafusos e tem sua fábrica em um terreno extremamente valorizado pode receber uma oferta para transferir suas atividades para outro local e vender o terreno com um grande ganho. Esse ganho só ocorre uma vez – a empresa não vai vender outro terreno no ano seguinte – por isso é chamado de não-recorrente.
No caso do BB, diz Vieira, o grande evento não-recorrente foi uma transação entre o banco e seu fundo de pensão, a Previ, maior fundo de pensão do Brasil. O banco havia separado recursos para pagar à Previ e a fundação refez seus cálculos e devolveu parte do dinheiro. No linguajar técnico, isso é uma reversão de provisão, que elevou o lucro do BB em R$ 2,3 bilhões. “Na ponta do lápis, o lucro foi de R$ 7,9 bilhões, mais ou menos dentro do previsto pelo mercado, ou seja, o resultado foi grande, mas não foi surpreendente”, diz ele.