O ano de 2010 começou marcado por um forte otimismo. Os prognósticos de crescimento da economia faziam prever uma bolsa em forte valorização – falava-se em até 20%, o que representaria um índice Bovespa a 84 000 pontos – com inflação sob controle e dólar estável.
Os quatro primeiros meses do ano mostraram que as coisas não estão tão boas. A Bolsa acumula uma queda de 4% no ano, os índices de inflação estão em forte alta e o dólar mostra uma volatilidade acentuada.
O que aconteceu? Uma explicação simples é que o mercado está refletindo uma piora das condições econômicas nacionais e internacionais.
Começando pelo mundo: a crise europeia é muito mais grave do que parecia à primeira vista. Apesar de a Grécia ser um país economicamente sem importância, o buraco de suas contas é enorme. O pacote de ajuda da União Europeia e do FMI, fechado neste domingo, dia 2 de maio, é de US$ 160 bilhões, quase R$ 280 bilhões.
Ainda não é possível calcular se países como Portugal, Espanha, Itália e Irlanda vão precisar de dinheiro. Seus rombos são menores do que o grego, mas suas economias são maiores do que a da Grécia. Os especialistas temem que esses países também acabem precisando de dinheiro.
Independentemente do futuro, o caso grego já drenou US$ 160 bilhões de investimentos europeus. Esse dinheiro deixará de ser destinado ao consumo e ao investimento, reduzindo o ritmo econômico de uma região que é um parceiro comercial e de investimentos muito importante para o Brasil.
No Brasil também há problemas. A economia vem crescendo aceleradamente, o que é bom para as empresas e para as ações, mas esse crescimento já está refletido nas cotações. Além disso, o Banco Central – que elevou os juros de 8,75% para 9,5% ao ano na quarta-feira passada – deverá puxar as taxas para até 11,50% ou 11,75%. Na ponta do lápis, menos dinheiro para as empresas e menos combustível para a alta das ações. Com tudo isso, o cenário para os investidores piora.
O que fazer? A recomendação dos especialistas é cautela com as ações. Segundo Paulo Levy, da corretora MyCap, está difícil achar pechinchas na Bolsa. O investidor que quiser ganhar dinheiro com ações tem de ter paciência e pensar no longo prazo.
As aplicações de renda fixa deverão apresentar um rendimento melhor do que em 2009, mas as taxas mais altas vão compensar apenas parcialmente a inflação mais elevada e o aumento da mordida do Leão, que é calculado sobre a rentabilidade nominal.
No caso do dólar, a recomendação dos especialistas é cautela. Apesar de o calendário eleitoral ser muito menos turbulento do que em eleições anteriores – ninguém espera que Dilma Roussef ou José Serra realizem mudanças drásticas na economia – eleição e câmbio costumam ser uma mistura explosiva. Além disso, esse é um mercado para profissionais.