Funcionário pode reorganizar sua vida financeira com a ajuda da empresa
Tudo começa com as dívidas em excesso, que levam à inadimplência. Aí, tem a perda da auto-estima, as dores de cabeça, de estômago, a insônia. A produtividade diminui violentamente e as faltas ao trabalho se multiplicam junto com o estresse e a irritabilidade. Toma-se crédito consignado, financiamentos da cooperativa, e tenta-se até conseguir empréstimos com os colegas, que também se vêm obrigados a comprar trufas, cosméticos e outros produtos. Como última saída, o pedido para ser demitido, na esperança de que as verbas rescisórias acabem com aquele tormento.
Esse é um roteiro ao qual as empresas assistem diariamente: os problemas financeiros atrapalham o desempenho e o desenvolvimento de muitos colaboradores.
Para impedir que essas preocupações acabem com a sua carreira, o funcionário tem somente uma opção: resolvê-las.
“O problema é que muita gente simplesmente acha que não existe solução. Mas é possível, sim, vencer essa batalha –e o sucesso depende apenas do empenho de cada um”, diz Reinaldo Domingos, consultor e autor do livro “Terapia Financeira” (Editora Gente).
Ser discreto a respeito das dificuldades é a primeira recomendação dos especialistas a quem se encontra nessa situação. Ficar reclamando ou comentando que as contas da família ficaram atrasadas prejudica a imagem do profissional, que parece desorganizado ou desleixado mesmo.
O passo seguinte é fazer um diagnóstico dos débitos e das pendências e também elaborar um orçamento da casa, listando em detalhes todas as despesas e receitas. Esse processo leva, no mínimo, um mês, durante o qual devem ser anotados todo e qualquer gasto.
Então chega a fase dos ajustes, de reduzir –apenas por um tempo determinado, até que se volte à normalidade– determinados gastos. Com a sobra do mês, vai-se quitando os débitos.
O empregador pode dar uma boa ajuda nesse ponto. O colaborador deve procurar o departamento de Recursos Humanos e expor a situação objetivamente, evitando se lamentar ou dizer que ganha pouco. Se não quiser falar com o seu chefe direto, nem precisa. Além de consultorias personalizadas que auxiliam o funcionário a se reorganizar e utilizar da melhor forma as ferramentas disponíveis, como adiantamentos de salário, as empresas agora oferecem programas de educação financeira. Trata-se de serviços que o colaborador não pode bancar se já está com um déficit de caixa.
“As companhias estão preocupadas com a qualidade de vida dos empregados”, afirma Samuel Marques, professor que organiza cursos corporativos sobre finanças pessoais e investimentos. “Até porque o funcionário endividado está sempre insatisfeito com o que ganha e não reconhece o valor dos benefícios dos quais goza. Acaba mudando para outra empresa para ganhar R$ 100 a mais pensando que assim vai desatar o nó. O esforço conjunto do empregador e do funcionário a fim de reequilibrar a vida financeira do profissional resulta em benefícios para ambos.”
Em diversos casos, a melhoria nas pesquisas internas de clima organizacional é creditada à implantação desse tipo de projeto.
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