Loteria é o melhor lado da capitalização
A imagem ruim que uma considerável parte dos consumidores tem dos títulos de capitalização possui duas explicações.
A primeira é histórica. Décadas atrás, os títulos não ofereciam correção monetária. Então, em tempos de crise e inflação elevada, viravam pó, deixando para os seus detentores o gosto amargo de perder todo o dinheiro.
A segunda vem da maneira torta como muitas vezes o título é vendido: empurrado pelo gerente do banco quando o correntista pede um empréstimo.
“Mas não haveria cerca 24 milhões de clientes de capitalização no país se fosse assim tão negativo”, pondera Rita Batista, presidente da comissão de produtos e coordenação da Federação Nacional de Capitalização (FenaCap).
Para a entidade, as más impressões têm origem em um entendimento errado a respeito do instrumento. “Não se trata de um investimento, porque não paga juros”, explica Rita. “O uso correto é como uma forma de poupança programada, já que existe a obrigatoriedade de quitar um valor determinado todo mês. Ao final do período contratado, o consumidor recebe o seu dinheiro de volta devidamente corrigido mais a variação da TR (taxa referencial).”
A capitalização teria, então, uma função educativa, ensinando quem não costuma guardar dinheiro a ter esse hábito.
Embora as empresas que emitem os títulos afirmem que os prêmios devem ter uma influência menor, para o cliente, na decisão de contratar o produto, é a possibilidade de ser contemplado nos sorteios periódicos que atrai o consumidor.
E, na avaliação dos especialistas em finanças, encarar o título como uma loteria é de fato a melhor forma de compreender o produto.
Quem aposta toda semana os três joguinhos do volante na Mega Sena desembolsa R$ 24 por mês. Com aproximadamente R$ 20 já pode adquirir um título de capitalização, que lhe dá uma chance de uma ou duas em 100 mil –dependendo das características do produto– de ganhar, enquanto, na Mega Sena, a possibilidade é de uma em mais de 50 milhões.
“O brasileiro é sonhador, por isso essa parte lúdica do produto funciona”, concede Rita.
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Autor: Denyse Godoy Tags: Bancos, Loteria