O investimento em ouro costuma dar um bom retorno em tempos de bonança e melhor ainda durante crises econômicas e políticas, como as de agora.
Visto como um refúgio seguro contra as turbulências, o metal tem sido bastante procurado nos últimos meses. E, de olho no crescimento da demanda, grandes bancos brasileiros criaram fundos especiais para facilitar a aplicação nesse ativo. (As outras opções de acesso a esse mercado são: comprar títulos negociados na Bolsa de mercadorias e futuros ou pequenas quantidades, em forma de barras, de lojas especializadas.)
O fundo estruturado pelo Itaú Unibanco se chama Capital Protegido Invest Ouro, tem aporte mínimo de R$ 5 mil, taxa de administração de 1,9% ao ano, e está aberto para clientes Personnalité (de alta renda) até 31 de março ou até que atinja um patrimônio de R$ 200 milhões.
O do Santander foi batizado como PB Ouro Capital Protegido Crédito Privado.
Os dois possuem a designação “capital protegido” porque possibilitam lucro quando o metal se valoriza e também quando cai, segundo limites determinados.
No caso do produto oferecido pelo banco espanhol, o cliente ganha toda a subida registrada pelo ouro se as cotações avançam até o máximo de 45% acumulados em qualquer momento durante os 18 meses de vigência do fundo. Para elevações superiores no intervalo, o retorno fica travado nesse nível.
Entretanto, acontecendo uma queda de até 25%, ainda assim o cotista é remunerado em igual porcentagem. Por exemplo, para baixas de 15%, recebe-se um rendimento de 15%. Desvalorizações acima desse patamar simplesmente não são consideradas. “Nessa hipótese, o cliente não ganha nem perde nada, diferentemente do que ocorreria se tivesse comprado o próprio metal”, explica Cristiano Ehlers, superintendente de private banking do Santander. “O ouro defende bem os reucursos contra a inflação e apresenta-se como uma boa alternativa para a necessária diversificação das carteiras.” O fundo do banco cobra uma taxa de administração de 1,75% ao ano e pede um aporte mínimo de R$ 100 mil, porém já foi encerrado para captações.
A tributação de fundos multimercados como esses segue uma tabela regressiva –considerando o prazo de 18 meses dos produtos citados, o imposto fica em 17,5% dos ganhos.
As instituições financeiras apostam que a tendência para o metal continuará sendo de alta porque as turbulências internacionais que vão se emendando umas nas outras desde 2008 parecem estar longe do fim.
“Não se sabe como ficará a questão do endividamento dos países periféricos da Europa, como a economia dos Estados Unidos se comportará conforme o Federal Reserve, seu banco central, for retirando o anabolizante, se haverá inflação nos países ricos, e qual será o desfecho das transformações no mundo árabe. Todas essas questões darão suporte ao preço do ouro”, diz José Inácio Franco, diretor da Ello Metais, joint-venture entre os grupos Fitta e Marsam, que comercializa barrinhas.
E esse movimento se retroalimenta. Quanto maiores as instabilidades, mais os investidores buscam o ouro, causando o medo de que falte o metal no futuro, o que provoca uma corrida.
“Na quarta-feira, a cotação estava em US$ 1.440 a onça-troy [aproximadamente 33 gramas]. Alguns analistas estimam que possa chegar a US$ 1.800 ou até US$ 2.000 no final do ano. Esse cenário só se materializará na medida da intensidade com que os problemas mencionados ou outros novos se manifestem”, comenta Franco.
Outro fator que poderia impulsionar os preços no Brasil é uma desvalorização do real ante outras moedas fortes, como o dólar. Já que o ouro é cotado no mercado internacional, suas altas acabam amplificadas no país quando a divisa local recua, pois acaba sendo necessário mais dinheiro para comprar o mesmo opinião. Na opinião de alguns economistas, a cotação da moeda brasileira não se sustentará no atual R$ 1,65 por muito tempo mais, pois esse valor é prejudicial ao país.
Para o objetivo de diversificação de portfólio, os gestores sugerem que o investidor aloque entre 5% e 10% do seu patrimônio total em ouro.
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