Após taxação do CDB, sobram os fundos para o investimento de curto prazo
O CDB (Certificado de Depósito Bancário) é, originalmente, um investimento para períodos mais longos.
Porém, depois que o governo federal eliminou a cobrança de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre os resgates em prazos inferiores a trinta dias, na virada do ano, o título passou a ser usado na aplicação daqueles recursos que toda família guarda para alguma emergência, os quais precisam ser facilmente acionados. E, ainda, empresas de todos os portes aproveitavam a sua rentabilidade, maior que a de outras ferramentas de curto prazo, para administrar o capital de giro durante o mês.
Agora, o CDB deixou de ser uma opção interessante para tais fins, porque a Receita Federal restituiu a tributação, com uma alíquota de 1% ao dia sobre determinada parcela dos rendimentos. A taxação é regressiva –ou seja, vai diminuindo conforme avança o tempo em que o dinheiro permanece na aplicação–, mas ainda assim engole boa parte dos ganhos.
Sobram, dessa maneira, poucas alternativas para quem possui algumas economias paradas das quais vai precisar em até quatro semanas.
A caderneta de poupança não é uma delas, porque só remunera no seu aniversário, em 28 dias, e os ganhos proporcionados andam bem desanimadores.
Restam os fundos de investimento. “Mesmo descontando o imposto de renda, de 22,5% nesse intervalo reduzido, a remuneração oferecida é a mais vantajosa”, afirma Alexandre Chaia, professor do Insper. Essa aplicação distribui os recursos por diversos ativos –inclusive CDBs, e também outros títulos e ações–, então é essencial conversar com o gerente do banco sobre os tipos disponíveis e ler o prospecto a fim de identificar o mais adequado para cada objetivo.
A maioria dos bancos também costuma oferecer aos seus clientes a aplicação dos montantes que ficam sobrando na conta corrente com resgate automático quando o saldo fica negativo. “Esses fundos são uma ferramenta interessante porque permitem aportes de baixo valor –a partir de R$ 100– e possuem taxas de administração pequenas”, diz Sinara Figueiredo, superintendente de investimentos do Santander. Constituem a melhor solução, portanto, no caso de não se saber exatamente quando será necessário resgatar os valores. Para usar a facilidade, o correntista deve procurar a sua agência e solicitar a adesão ao serviço.
“O CDB continua sendo atraente para os investidores que desejam aumentar o seu capital no longo prazo com uma boa segurança. A tributação tem justamente o objetivo de estimular que o cliente deixe o seu dinheiro guardado por mais tempo”, explica Celso Grisi, professor da FIA (Fundação Instituto de Administração). Em sua opinião, com o restabelecimento da cobrança do IOF o governo está dando um grande desestímulo a que o brasileiro economize e construa um patrimônio. “No momento em que a população começa a ter uma educação financeira melhor, o investidor é penalizado. A fúria fiscal está retirando dele as possibilidades mais simples de multiplicar o seu dinheiro.”
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Autor: Denyse Godoy Tags: cdb