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sábado, 25 de setembro de 2010 COMO FAZER, Comportamento, Consumo, Crianças, Educação Financeira, Família | 05:59

Brinquedos para as crianças –como, quando e por que dar

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 Ilustração: Altovolta

 

Freqüentemente, os pais se vêem desorientados diante  das novidades do mercado infantil que brotam diariamente nas lojas e dos repetidos apelos dos seus filhos para que comprem os brinquedos que os coleguinhas da escola possuem.

Mas é fácil administrar essa despesa e garantir que os artigos tenham um papel realmente positivo na vida das crianças, dizem os especialistas.

A principal regra é evitar o exagero. “Dar brinquedos a toda hora, sem critério, e ceder sempre aos pedidos dos filhos lhes dá a impressão errada de que na vida consegue-se tudo sem esforço”, diz Vivien Santa Maria, psicóloga e pedagoga, diretora da Escola Pólen, do Rio de Janeiro. “A família deve sempre preparar a criança para o mundo real.”

O excesso de presentes, muitas vezes, é uma forma de os pais aliviarem a culpa por não participarem o quanto e como deveriam da vida das crianças.

“No fundo, os filhos não querem tantas coisas assim, apenas carinho e compreensão. Os desejos de brinquedos demais podem estar escondendo uma carência de cuidados”, afirma Silvia Alambert, educadora financeira e diretora do programa The Money Camp no Brasil. (Para quem quiser se aprofundar no assunto, ela recomenda o livro “O que as crianças realmente querem que o dinheiro não compra”, de Betsy Taylor, editora Sextante.)

Prestando atenção nas crianças, os pais percebem melhor quais são as suas necessidades e anseios verdadeiros. Por exemplo, todo mundo já viu meninos e meninas se divertindo mais com a embalagem do presente do que com o conteúdo, porque, às vezes, os pequeninhos sequer compreendem direito o brinquedo.

E, embora muitos artigos tenham propósitos educativos, é perfeitamente possível obter os mesmos benefícios com artefatos mais simples. “Com um pedaço de papelão, uma criança inventa o seu próprio super-herói para se entreter”, exemplifica Vivien. Nessa situação, obtém-se o ganho extra de estimular a criatividade da meninada.

De uma maneira bem leve, é possível utilizar essa questão relativa a presentes e brinquedos como mote para a educação financeira dos filhos.

Um tema essencial a abordar é a escolha. “Os pais precisam esclarecer por que não há condições de ter tudo que se gostaria. Não é justo dizer não pelo não”, comenta Silvia. “As crianças entendem muito mais do que os adultos imaginam. Falar que a família está guardando dinheiro para uma viagem de férias legal e por isso os brinquedos novos estão fora do orçamento por algum tempo é perfeitamente compreensível. Os filhos então passam a se engajar no esforço.”

Não existe uma periodicidade ideal para presentear. Uma ideia que funciona bem é estabelecer que datas comemorativas como Natal, aniversário e Dia das Crianças são o lugar de brinquedos melhores. Durante o restante do ano, distribui-se artigos mais simples, sempre reforçando que se trata de uma celebração do amor que faz o pai ou a mãe se lembrar da criança ao topar, por acaso, com um brinquedo que agrada ao filho. “O presente tem que ter um significado”, frisa Silvia. E colocar momentos específicos para os mimos ensina a criançada a esperar e segurar a sua ansiedade.

O que não quer dizer que brinquedos devam ser empregados como recompensas por tarefas obrigatórias como fazer a lição de casa ou arrumar a cama. Nem suspender presentes é um castigo adequado. “Tais atividades têm um fim em si que deve estar bem claro”, comenta Vivien.

Outro exercício interessante é conversar de tempos em tempos com a criança sobre os itens que não são usados e propor doá-los. 

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Autor: Denyse Godoy Tags: , , , , ,

5 comentários | Comentar

  1. 5 de 11/10/2010 12:11

    Acreditamos que desde cedo é possível ensinar a criança que ela não precisa de tantos bens materiais para ser feliz. O brinquedo deve ser valorizado pelo quanto ele estimula o desenvolvimento de habilidades e não como objeto de valor em si mesmo, que confere status ou como única forma de distração. Livros são ótimos presentes e normalmente tem vida útil grande. Por que não desenvolver o hábito de presentear com livros?
    Não se pode esquecer, também, que a criança precisa ser conscientizada da importância do consumo consciente, de não acumularmos tantos objetos que permanecerão durante muitos séculos poluindo nosso ambiente. Não faz sentido comprar coisas o tempo todo, ou somente pelo “dever” de comprar em determinada data.
    Tudo é uma questão de hábito, de educação, de cultura.

    Responder
  2. 4 Bernadette Vilhena 27/09/2010 22:00

    Ótimo Post!
    Como pedagoga, trabalho com educação financeira infantil e concordo plenamente com as informações dadas. É preciso orientar pais e educadores na busca pela formação de cidadãos mais centrados em um consumo consciente e sustentável.

    Responder
    • Thiago Simurra 28/09/2010 22:25

      Também leio os seus textos e do Conrado Navarro, que são, em sua maioria, ótimos.

    • Denyse Godoy 28/09/2010 16:20

      Muito obrigada! Vindo de você –sempre leio seus textos no Dinheirama–, fico ainda mais feliz.

  3. 3 Edna Aires 27/09/2010 10:28

    Tenho uma experiência muito positiva, minha filha hoje, com 12 anos, desde muito pequenina, sempre avaliava o valor do brinquedo, ainda com menos de dois aninhos, abria aqueles panfletos promocionais de brinquedos, na época de Dia das Crianças ou Natal e apontava um a um os brinquedos e perguntava se era caro, eu respondia que sim, até que ela encontrava um que eu dizia que não era muito caro, então ela falava: “- QUANDO DER, compra um desse mamãe?” E assim quando assistia uma propaganda na TV, sempre foi muito crítica, dizia: “_ Olha mamãe, uma coisinha tão pequena, mas tão cara.” se referindo a algum brinquedo que muitas vezes era muito pequenino e tinha um preço tão absurdo, muitas vezes por se tratar de produto licenciado, ou alguma marca que vende mais a “GRIFE” do que o produto em si. Hoje ela é “pressionada” pelas outras crianças que falam para ela que já passou da hora dela trocar o celular, quem nem tem câmera, nem tem MP3, imaginem que os amiguinhos têm celulares que nem mesmo o pai dela tem. Hoje em dia muitos pais pensam que suprindo o material dos filhos, estão suprindo o mais importante, muitas vezes se esquecendo que o SER é muiiiito mais importante que o TER.

    Responder
  4. 2 Thiago Simurra 27/09/2010 10:23

    É aquela velha história, falar é fácil. O difícil é fazer eles entenderem que “agora não dá”, que “estamos guardando dinheiro para poder viajar depois”, isso simplesmente não entra na cabeça deles, e rapidamente emitem um “eu quero!” ou “compra, pai!”. A maioria das crianças é assim, ou você vê em todas as esquinas crianças comportadas e quietinhas que esperam o mês passar para os pais poderem comprar os brinquedos? Mas com muita, mas muita paciência, chegaremos lá!

    Abraços, Denyse

    Responder
  5. 1 Wagner Heilman 25/09/2010 9:40

    Acreditamos que desde cedo é possível ensinar a criança que ela não precisa de tantos bens materiais para ser feliz. O brinquedo deve ser valorizado pelo quanto ele estimula o desenvolvimento de habilidades e não como objeto de valor em si mesmo, que confere status ou como única forma de distração. Livros são ótimos presentes e normalmente tem vida útil grande. Por que não desenvolver o hábito de presentear com livros?
    Não se pode esquecer, também, que a criança precisa ser conscientizada da importância do consumo consciente, de não acumularmos tantos objetos que permanecerão durante muitos séculos poluindo nosso ambiente. Não faz sentido comprar coisas o tempo todo, ou somente pelo “dever” de comprar em determinada data.
    Tudo é uma questão de hábito, de educação, de cultura.

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