Quando um dos cônjuges resolve parar de trabalhar
Essa é uma decisão familiar –não individual–, matemática e que envolve sentimentos também.
É tomada, principalmente, pelo desejo do homem ou da mulher de se dedicar ao cuidado com os filhos e com a casa.
Para dar certo, precisa de muita conversa e de uma programação financeira caprichada.
“Fundamental é colocar na ponta do lápis as receitas e contas da casa para saber como fica esse equilíbrio se uma das fontes de renda for suprimida”, explica André Massaro, especialista em finanças pessoais e autor do livro “MoneyFit” (editora Matrix).

Cuidar melhor da família é o que leva um dos parceiros a ficar em casa (Foto: Getty Images)
Nesse momento, pode-se perceber que uma parte dos gastos da família –com babá, por exemplo– é eliminada se um dos parceiros deixa o emprego. As despesas que esse cônjuge tem com almoço e transporte para o trabalho também são riscadas da lista.
“Mas é preciso pensar em como fica o padrão de vida do casal e dos filhos, considerando inclusive que é necessário fazer uma poupança para o futuro. Todos se sentem confortáveis com a nova situação?”, questiona Massaro.
No cálculo, deve-se considerar todos os detalhes, como a freqüência com que se compra roupas e sapatos e os passeios com os amigos. “Hábitos de consumo não são mudados de repente. Mas dá para combinar de diminuir um pouco a despesa sem eliminá-la completamente”, diz Reinaldo Monteiro, professor da faculdade Veris. E endividar-se para manter o estilo anterior não é uma opção.
Depois que existe um acordo, cada centavo que entra na casa é da família, não existe mais “o meu quinhão” e “o seu quinhão”. E, no orçamento, devem estar discriminadas as despesas pessoais dos cônjuges, como o cabeleireiro para ela e o aluguel da quadra de futebol para ele, independentemente de quem ganha o dinheiro. O pagamento de tais dispêndios vai sair da conta conjunta dos dois. Os companheiros podem, ainda, ter cartões de crédito complementares. Alguns casais também combinam de aquele parceiro que não trabalha receber uma determinada quantia por mês para seus gastos particulares.
O mais importante é que ninguém ultrapasse os limites previamente estabelecidos de despesas. “Casamento é uma sociedade. Os sócios precisam se entender”, lembra Massaro.
Além desse lado prático, o emocional merece igual atenção.
É comum que o cônjuge que continua trabalhando se sinta sobrecarregado e castigue a outra parte corrtando as suas despesas ou então se julgue merecedor de privilégios especiais. Alguns parceiros passam a ter relações fora do casamento ou a se permitir pequenos luxos como uma compensação pelo peso de ser o provedor, esquecendo-se de que quem fica em casa também faz o sacrifício de abandonar uma carreira e boa parte da sua liberdade para investir na família de ambos. Sem esse suporte, o outro parceiro nem teria condições de se desenvolver tanto.
“O diálogo é o melhor recurso para sanar os problemas que vão surgindo pelo caminho”, frisa Monteiro.
ESTA MATÉRIA DÁ CONTINUIDADE A UM ASSUNTO DA SEMANA PASSADA: O que fazer quando marido e mulher têm níveis de renda diferentes
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1 comentário | Comentar
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1 Yra doce 21/02/2011 2:56
Passsamos por isso aqui em casa.
Em 1984 o marido foi demitido por conta da crise.
Por um ano e meio fui o sustentáculo da casa.
Deu certo.
Dez anos depois aconteceu comigo…uma tragédia me tirou
do mercado de trabalho…me tirou da vida normal.
Há 17 anos ele cuida de mim e eu dele e da casa.
Uma parceria de 41 anos,,,,,,
Pensamos agora no futuro….como será?…..