
João Bosco e Vinícius (Foto: Divulgação)
João Bosco e Vinícius acabam de lançar no mercado o DVD “A Festa”. O álbum, gravado entre 250 convidados em uma luxuosa residência em Itu, no interior de São Paulo, traz 14 canções e conta com hits, modões e músicas românticas. “Sem palavras” e “Química” são alguns dos destaques. A primeira, é uma releitura do sucesso da dupla Chico Rey & Paraná. Enquanto a segunda, mostra o lado romântico da dupla. Depois de “Colo colo”, ela é a eleita para ser a segunda música de trabalho da dupla para divulgar o DVD, gravado de forma discreta, mas que tem tudo para ganhar um grande espaço no mercado.
iG: Em vez de escolherem uma grande casa de shows, preferiram uma residência e fizeram uma gravação sem alardes. Por que optaram por uma produção de DVD tão discreta?
João Bosco: Por dois motivos principais. O maior é porque, até esse projeto, nós havíamos gravado três DVDs para um grande público, num grande show. E nesse projeto a gente queria mostrar mais nossa intimidade um com o outro e fazer um projeto mais intimista, mais perto do nosso público. Segundo, era fazer no formato de uma festa. Ou seja: reunir os amigos, tomar uma cerveja, comer alguma coisa e, nesse ambiente, gravar o CD e o DVD. Ficou diferente de tudo o que tem no mercado, e diferente dos projetos de DVD que a gente já tinha feito.
iG: E como você define esse trabalho dentro da carreira de vocês?
João Bosco: Uma nova fase, mais descolada. Nós sempre nos preocupamos muito com tudo o que a gente fez na nossa carreira. Tudo foi muito de caso pensado. E o que a gente quis passar com o CD e o DVD “A Festa” é realmente uma bagunça organizada, ou mais ou menos organizada. O DVD não tinha roteiro. Tinha um repertório para seguir, mas a gente estava à vontade para fazer o que quisesse. Tanto é que termina o projeto com a gente pulando na piscina de roupa e tudo. Não adianta você ser muito sério. Independente de você gravar um projeto na Torre Eiffel ou dentro de uma casa, igual gravamos, o que importa é o repertório. Então, priorizamos o repertório com arranjos bem sertanejos e populares.
iG: O último trabalho de vocês recebeu algumas críticas e, este, tem uma mistura musical, mas é bem mais dançante que os últimos discos de vocês. É pensando no mercado atual? Vocês têm medo de receberem novas críticas por estarem seguindo um pouco do que está sendo tocado hoje?
João Bosco: As críticas do CD passado foram feitas mais especificadamente nas questões de não ter sido um CD ao vivo, com aquela sonoridade meio louca que as pessoas estão adorando hoje. E por terem arranjos mais pops, mais voltados para guitarra, sendo que as características do João Bosco e Vinícius sempre foram violão e sanfona. Já esse projeto a gente priorizou ao máximo o repertório, levando em consideração isso que você falou. A popularização da música sertaneja hoje é muito grande. Então a gente tinha que vir com músicas populares, com linguajar nosso, característico de João Bosco e Vinícius, e popular. Ou seja, com arranjos de sanfona, violões, colocamos até uma harpa paraguaia nas regravações que fizemos. A gente trouxe esse projeto mais popular que o outro, mais para o povão.
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iG: Nesse CD tem hit, como “Colo, colo”, tem moda de viola, tem música mais romântica. Se não precisassem pensar nas mudanças e rumos do mercado, o que vocês gostam mesmo de tocar?
João Bosco: Modão. Nesse projeto, a gente quis trazer à tona novamente uma reciclagem dos projetos de nossa carreira. A gente quis mostrar que João Bosco e Vinícius conseguem fazer parte dessa nova geração, dessa popularização, dessas músicas que tem influência do arrocha, mais dançante, sem perder nossa própria identidade.
iG: Falando em arrocha, a maioria das duplas hoje tem ao menos uma canção nesse ritmo. Ao longo dos anos, o sertanejo trouxe várias influências. Acha que o arrocha veio para ficar?
João Bosco: Você falou tudo. A música sertaneja é uma miscigenação de ritmos. Mas eu sempre digo o seguinte: não adianta você falar o que você acha que vai acontecer. Quem escolhe é povo. Se o povo continuar assimilando o arrocha, a vanera, é o que vai tocar. Apesar de eu achar que o mercado sertanejo está voltando para o romantismo.

João Bosco e Vinícius (Foto: Divulgação)
iG: Vocês vão completar 20 anos de carreira no próximo ano. Como analisam o mercado sertanejo desde então? O que mudou?
João Bosco: Tudo mudou. Antigamente, você teria que passar pela escola do festival, do barzinho, arrumava gravadora, fazia trabalho de rádio, do conhecimento de uma música, trabalho de TV, e aí virava sucesso. Hoje não. Com a internet, uma dupla com um, dois anos de carreira, já é um grande sucesso no país. Não estou criticando. Só estou dizendo que hoje as coisas estão mais fáceis.
iG: Sobre a internet, existem vários vídeos desse novo DVD já disponíveis na rede. O quanto isso contribui e o quanto prejudica o trabalho de vocês?
João Bosco: Prejudica pelo fato do investimento que é feito. Mas não tem jeito de você ir contra o mundo globalizado. Você tem que tentar tirar proveito disso. Em termos de lucro que traz pra gente, é o conhecimento do projeto novo. Mas em termos financeiros, não traz lucro nenhum.
iG: Você trocaram de gravadora e de assessoria. O que essa mudança representa na carreira de vocês e porque tomaram essas decisões?
Vinícius: O fato de a gente ter um trabalho muito antigo com nossa equipe passada de assessoria, não foi um rompimento por atritos ou divergências de ideias, e sim, o fato de eu e João enxergarmos e entendermos que, para a gente não relaxar, o que é normal em qualquer relação muito antiga, a gente queria viver novas experiências. Nossa mudança de equipe foi entendermos que estava tudo andando muito bem, mas a gente precisava de algo a mais. Respirar novos ares.
João Bosco: existe uma palavra para resumir tudo isso que ele falou: renovação. A gente quis se reciclar, se renovar.
iG: No novo DVD, tem alguma música que representa esse momento de renovação de vocês?
Vinícius: Acho que a música “Química”. Apesar de sermos muito românticos, o fato de gravar uma música romântica, romântica mesmo, só voz e piano e um violãozinho de base, foi um desafio para nós. Essa tendência de gravar músicas com uma levada mais dançante é a nossa cara. Agora, gravar uma música romântica — ela tem muito a levada do sertanejo dos anos 90 –, foi um desafio mesmo.
João Bosco: Mas ficou linda.
iG: Você, João, comentou que acredita que o romântico esteja voltando como marca do sertanejo. O lançamento de “Química” já é pensado nisso?
João Bosco: Também. Mas também pensando na qualidade da música.
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iG: Vocês estão lançando esse DVD, mas já estão em processo de gravação de um álbum com músicas que tocavam em barzinhos no início da carreira, em parceria com outras duplas. O que já foi feito?
Vinícius: Já gravamos com Chitãozinho e Xororó, Chico Rey e Paraná, Cézar e Paulinho, Rio Negro e Solimões, Mato Grosso e Mathias e Felipe Falcão.
iG: E o que tem pela frente?
Vinicius: Não podemos falar (risos). Só mais um: vai ter participação do Leonardo e Sérgio Reis. A gente quer trazer nesse projeto as músicas que a gente tocava na época dos botecos com os artistas originais.
iG: Falando em Leonardo, ele comentou que pretende largar a carreira para se tornar apenas empresário. Hoje, é muito comum as duplas empresariarem outros artistas. Vocês não pensam nisso?
Vinícius: Eu não digo a palavra empresário, a gente tem alguns parcerias. Com o Michel (Teló), agora com o Kleo Dibah e Rafael. Acho que empresariar é uma palavra muito forte.
João Bosco: Deixa os empresários empresariarem (risos).
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