Daniel ensaia para a gravação de seu musical (Foto: AgNews)
Assistir ao musical “O Fantasma da Ópera” em Nova York, em 1998, mexeu tanto com Daniel que, hoje, 15 anos depois, o cantor decidiu colocar em prática a vontade que teve ao assistir o espetáculo da Broadway. “Naquele momento pensei se um dia eu conseguiria levar uma história daquelas para meu show. No ano passado, decidimos fazer um teste”, comentou Daniel.
E parece que deu certo. Depois de fazer duas apresentações em São Paulo e uma no Rio de Janeiro, no final de 2012, Daniel quer eternizar o musical baseado em sua carreira (e um pouco em sua vida pessoal) e vai transformar o show em um DVD, que será gravado nos dias 24 e 25 de abril, no Credicard Hall, em São Paulo. “De uma forma cronológica, o espetáculo conta através de música essa história de 30 anos”, explicou ele, que ainda afirmou que o show traz momentos de alegria e de emoção.
Quem teve a oportunidade de assistir ao espetáculo em 2012, conta que é difícil segurar as lágrimas, em especial, no momento em que a história relembra a morte de João Paulo, parceiro musical de Daniel. O próprio cantor pontua esse trecho como um dos destaques do show. “Um dos pontos altos é a partida dele”, afirmou o cantor durante a coletiva de imprensa, que aconteceu na tarde desta terça-feira (23), no Credicard Hall.
Como trilha para este momento, Daniel escolheu a canção “Te amo cada vez mais”. Mas não é só de músicas da dupla ou de sua carreira solo que é feito o musical. “Das 30 músicas que tem no show, nenhuma foi colocada por uma questão meramente comercial. São todas músicas que fazem sentido na vida de Daniel”, contou o diretor do espetáculo Marcelo Amiky. Assim, entraram na trilha do show canções de Jessé, Elvis Presley, Almir Sater e Milton Nascimento.
Para os fãs de Daniel, não faltam músicas que marcaram a carreira, como “Adoro amar você”, “Disparada”, “Desejo de amar”, e “Tantinho”, canção mais recente de Daniel, que representará, no palco, seu momento atual: casado, com duas filhas e decidido a continuar com a carreira, fato que, há três anos, antes do nascimento de sua primogênita, Lara, poderia não fazer parte do roteiro. “A chegada das minhas filhas me fortaleceu. Elas me ajudaram no momento de indecisão. Estou mais inteiro, hoje. Eu estava meio capenga. Minha vida deu uma reviravolta total”, afirmou Daniel, que não negou sua vontade de largar a carreira antes da chegada de Lara e Luiza.
“Eu pensava nisso, mas era algo muito consciente. Eu não seria uma pessoa frustrada, não. Pé no chão sempre. Você se deparar com um momento que você não está bem, será que vale a pena? Estava assinando uma coisa que eu não queria para mim, que era desânimo, falta de vontade, e isso graças a Deus deixou de existir. E hoje vejo minha vida de uma forma diferente. Tenho muita coisa para fazer, para construir”, contou o cantor, que ressaltou nunca ter contado para ninguém que pensava em deixar a carreira. “Não estava bem, não estava 100%, mas isso são águas passadas”, ressaltou.
Essa fase de indecisão também será mostrada no musical. “Depois que o João Paulo morreu, pintou muito isso na minha cabeça de ‘será que estou fazendo o que eu queria, está valendo a pena?’ Queremos mostrar que nem tudo são flores, como na vida de qualquer um”.
Daniel contou que, desde a perda de seu parceiro musical, sempre se questiona se seria diferente se ele estivesse vivo. O cantor ainda revelou que tem um sonho frequente com João Paulo. “Sempre que sonho com ele, é o mesmo sonho: a gente voltando a cantar. Estava vendo o Alexandre Pires voltando com a história do Só pra Contrariar. Que bom o cara tem a possibilidade de dar uma pausa e depois voltar com o grupo, eles estão aí. E no meu caso não, né?”, lamentou o cantor.
A gravação do DVD permitirá que os fãs de todo o Brasil tenham alcance ao musical, já que o espetáculo não percorrerá todas as praças, por conta da logística. “Mas pretendemos levar esse show para algumas capitais, algumas casas fechadas. Vale a pena mostrar para as pessoas algo bem diferente de se ver ao vivo. Percebi que muitas pessoas que fazem parte dessa história ficaram emocionadas, porque se enquadram naquilo. É legal poder reviver isso, depois desses 30 anos”.