Solimões: “Música é que nem jiló, tem muita gente que não ouve por preconceito”
Rionegro e Solimões lançaram na tarde desta quinta-feira (06) o clipe de “Romântica” (assista abaixo), canção que já está tocando nas rádios e que fará parte do próximo CD da dupla. Solimões contou ao iG que a escolha da canção como novo trabalho em vídeo não teve nenhuma influência do mercado sertanejo, que tem mostrado muito mais romantismo do que o visto em 2012. “Gravamos e lançamos porque achamos a música linda”, explicou o cantor, que ainda comentou as críticas feitas por Victor Chaves sobre as atuais duplas. “Música e novela são feitas baseadas no que o povo está vivendo. Mesmo que eu não curta, tenho que respeitar. Eles cantam o que o povo faz”, comentou Solimões.
Em 2014, Rionegro e Solimões completam 25 anos de carreira e já pensam em um trabalho para celebrar. “Temos um projeto, que está só na nossa cabeça, de gravar um DVD para comemorar”, comentou. Enquanto não se confirma a gravação, eles seguem na estrada com cerca de 90 shows por mês. “Não queremos passar de 100, porque fica cansativo, e menos de 80 é preocupante”.
iG: Qual o perfil do próximo CD? Seguirá a linha da canção “Romântica”?
Solimões: A linha do Rionegro e Solimões é a mesma desde 1997. Procuramos nos manter no mesmo ritmo. Somos uma dupla sertaneja, mas já gravamos rock e outras maluquices. Para este CD, vamos manter o padrão romântico e dançante. O que podemos mostrar é nossa evolução dentro da música, sem perder nossa característica que é de modas doídas por um lado e animadas do outro, como ‘Bate o Pé’. A música diz o que o povo está vivendo. Antes se falava de carro de boi. Hoje os assuntos são outros.
iG: Quantas faixas terá o CD e quando será lançado?
Solimões: Já temos três músicas gravadas. Ainda não sabemos quantas faixas serão. Só saberemos depois que gravarmos, porque sempre aparece uma música na última hora e que pode nos conquistar. Aí o jeito ou é derrubar uma para colocar ela no lugar, ou aumentar o número de faixas. Mas acho que vai ser entre 10 e 12 canções. A previsão de lançamento… é muito difícil marcarmos uma data, porque não tem nada que atrase mais que um disco, mas acho que nos próximos dois meses será lançado. Pode esperar até o comecinho do próximo semestre.
iG: Aproveitando a nova canção, o mercado está apostando muito nas românticas, mudando muito o cenário que foi visto no ano passado. O lançamento desta faixa é pensando nisso?
Solimões: Eu e o Rionegro gostamos de mostrar para o povo aquilo que a gente acha que tem a nossa cara. Gravamos e lançamos porque achamos a música linda. Até porque se seguíssemos a linha de que música romântica está na moda, eu ia ficar muito perdido no palco, porque eu interpreto e danço bastante no palco e brinco. E fazer palhaçada com música romântica fica ridículo. E temos uma missão de achar o caminho de agradar o púbico que gosta de música dançante e de quem gosta de música romântica.
iG: Esse ano, estão lançando o CD. O próximo trabalho já será pensando em algo comemorativo aos 25 anos da dupla?
Solimões: No ano que vem vamos fazer 25 anos de carreira. No dia 1º de abril de 1989 lançamos o primeiro disco. Temos um projeto, que está só na nossa cabeça, de gravar um DVD para comemorar. Mas como as mudanças são muito rápidas, tudo pode mudar.
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iG: Vocês já são renomados no mercado, já gravaram com muita gente. Mas existe algum sonho ainda de parceria?
Solimões: O meu sonho é estar no meio de grandes artistas, mas não tenho alguém especial que eu gostaria de gravar. Chitãozinho e Xororó foi muito legal. A gente queria ser amigos deles e sermos convidado para participar do DVD de 40 anos deles foi um sonho, uma emoção enorme. E participar do “Emoções Sertanejas”, com Roberto Carlos, também foi muito legal. Mas nosso negocio é correr atrás e trabalhar. Porque, quando as parcerias acontecem como surpresa, é muito mais gratificante do que quando a parceria é uma meta…
iG: Recentemente, Victor Chaves fez algumas críticas ao mercado, dizendo que as atuais duplas sertanejas só tocam lixo e pornografia. Como você analisa o mercado atual?
Solimões: Eu curto muito o trabalho do Victor e Leo. Acho que a música sertaneja só cresceu desde o dia que eu nasci, ela só evoluiu e foi conquistando o público. Música e novela são feitas baseadas no que o povo está vivendo. Mesmo que eu não curta, tenho que respeitar. Eles cantam o que o povo faz. Quando começamos com as músicas agitadas, tipo “Bate o Pé”, fomos respeitados e os que criticaram nos fizeram abrir os olhos e melhorar. Sou de outra geração e o que essa rapaziada canta é o que está rolando hoje na vida das pessoas, então tem que respeitar. Tem muita coisa boa, mas eu só vou dizer uma coisa: uma das músicas mais lindas dos últimos tempos se chama “Prefácio” (de João Carreiro e Capataz). Música é que nem jiló, tem muita gente que não ouve por preconceito e quem faz música boa vai ficar para a história.


