Californication – A Vida Imita a Arte
Recentemente, a quarta temporada de “Californication”, que acabou de estrear no Showtime, foi “acusada” de ser uma série soft-porn. O criador e os roteiristas argumentam que a série apenas traça um panorama do cotidiano de um homem solteiro e desejado vivendo em L.A., e que não cabe a eles ocultar a parte que os orgãos moralistas que “controlam” a TV norte-americana não estão de acordo.
O quarto ano de Hank Moody nos presenteia com o que parece ser mais uma temporada impecável de David Duchony na pele de Hank, o personagem que todos os homens que assistem a série, se não endeusam, agem como, e que se não agem, gostariam de, afim de ter um pouco do sabor do cotidiano do personagem.
Por mais ferrado que Hank possa ser, agora longe de Karen, seu grande amor, e Becca, sua filha, sua vida é uma poesia. Por ter nelas seus dois grandes amores e não saber lidar com essa paixão pelas duas, acaba por piorar ainda mais a situação, mesmo que indiretamente. Como diz Hank no segundo episódio da nova temporada: “Prometi cuidar de você e te proteger do mundo, sem perceber que acabei sendo a pessoa que mais te machucou.”
O quarto ano começa logo onde o terceiro parou. Hank está saindo da prisão, Hollywood enfim descobre que ele é o autor de “Fucking & Punching”, Karen e Becca desistem de vez de seu homem, Charlie e Marcie é passado, e Hank encara, além de um processo, uma acusação de estupro por ter transado com Mia.
Hank Moody ofusca cada vez mais o passado de Duchovny, a lembrança de que aquele cara alí era Fox Mulder. A série vem perfeita até aqui, com um elenco excelente, roteiros divertidos e bonitos ao mesmo tempo, tentando usar a vida destruida de uma pessoa perdida para nos ensinar um pouco sobre valores.
“Californication” pode parecer um soft-porn, mas no fundo, é um drama familiar sobre o homem que achou os dois grandes amores de sua vida, não soube o que fazer com isso, mas jamais cansará de tentar achar o caminho. Tudo bem se no meio disso houver meia duzia de par de pernas, para quem sabe, colocar Hank na trilha certa.
E que se dane os moralistas.


