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20/11/2009 - 14:00
A propósito do Bad Sex Award, nosso tema de ontem, Sarah Duncan escreve (em inglês) no blog de livros do “Guardian” sobre o que faz uma cena ficcional de sexo funcionar. O assunto é interminável e, embora a moça defenda seu ponto de vista com bravura, não concordo inteiramente com ela.
Como tudo mais num romance, o que dá certo ou não dá certo nada tem a ver com alguma idéia preconcebida que se possa adotar universalmente, e tudo com a moldura da obra em questão. Quem acha que descrições gráficas de sexo não podem ser excitantes nunca leu “História de O”. Mesmo assim, a ênfase de Duncan no clima, na sugestão e nas lacunas não me parece um mau conselho a quem se vê diante da tarefa insana de conjurar essa febre num monitor de cristal líquido:
No meio do ato sexual eu não penso: oh, ele acaba de enfiar seu órgão pulsante em minha genitália, então por que o personagem deveria pensar tal coisa? Em vez de escrever sobre ações, eu me concentro nas reações, nas sensações mentais e físicas. Entre na cabeça do personagem e você conseguirá criar a ilusão de que, sim, aquilo é real, está acontecendo ao leitor.
Escrevo principalmente para leitores do sexo feminino, e falando por meu sexo acho que gostamos de ser seduzidas. Não queremos que nos atirem segredos de alcova na cara, literal ou metaforicamente. Gostamos de um pouco de delicadeza, de uma certa sutileza. Como escreveu Anaïs Nin em “Delta de Vênus”: “Sem sentimentos, invenções, climas, não há surpresa na cama. O sexo deve vir misturado a lágrimas, risos, palavras, promessas, cenas, ciúme, inveja, todos os temperos do medo, viagens internacionais, novos rostos, romances, histórias, sonhos, fantasias, música, dança, ópio, vinho.” Talvez seja só eu, mas acho essa imagem, com seu foco nas sensações físicas, muito mais sexy do que toda a penetração, agarração e fricção.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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19/11/2009 - 16:29
Quem se lembra do Bad Sex Award, aquele prêmio inglês para o livro que contém a pior cena de sexo do ano, que o Todoprosa acompanha com o maior interesse? Pois não é que nesta edição escalaram Philip Roth entre os finalistas, por uma cena de The humbling que envolve duas mulheres, um strap-on verde e um deus Pã que tudo observa, lascivo? Estava demorando.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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18/11/2009 - 14:04
Diz o escritor argentino César Aira em entrevista à revista “Letras Libres”, aqui:
Acho que a literatura não tem uma função importante na sociedade. Por outro lado acho que a literatura sempre foi e é e continuará a ser minoritária, para poucos. E acho que a literatura tem que ser opcional. Há muitos colegas meus pregando a obrigatoriedade da literatura. Fazer os jovens lerem. Não gosto disso. Na nossa sociedade tudo vai se tornando aos poucos obrigatório, deixemos a literatura ser uma atividade optativa. Leia quem quiser. Quem quiser ler terá muita felicidade na vida, mas não querendo ler também se pode ser muito feliz. Não sou um evangelista da leitura. Agora isso está na moda, promover a leitura. Há até fundações que se dedicam a isso. Suspeito que todos os que fazem tal trabalho, e ganham um bom dinheiro ao fazê-lo, nunca lêem. Nós que lemos não somos tão inclinados a promover a leitura. Talvez por já termos aprendido que é a atividade mais livre que alguém pode exercer.
Gostei. Sempre encarei com algum desconforto os “programas de incentivo à leitura”. Programa de incentivo à leitura que eu conheço, e parece que funciona, é alfabetização de verdade. Ensinar a ler corretamente um texto como: “Precisa-se de babá, carta de recomendação exigida”. Ou uma notícia de jornal. Nem pensar na ironia de Machado aqui. Apenas não despejar no mundo milhões de analfabetos funcionais – isso é programa de incentivo à leitura.
Nada contra quem incentiva a leitura nas margens paupérrimas do núcleo educado brasileiro, pelo contrário. Aira supõe que ganhem um bom dinheiro, pois por mim podem ganhar tudo o que estiverem dispostos a lhes pagar. Espalhar por aí, mesmo que de modo amador e intermitente, o acesso físico a livros e histórias escritas ou orais é uma atividade mais que louvável. Só não acredito muito em sua eficácia. Se dizer “tome, isso lhe fará bem” fosse uma boa estratégia de comunicação, o McDonald’s venderia espinafre.
Incentivem, pois. Eu daqui escrevo. Mas acho que nenhum de nós vai longe enquanto o Estado não cumprir seu dever de alfabetizar de verdade, promovendo de modo maciço o que os educadores chamam de letramento. A isso sim se pode atribuir a tal “função importante na sociedade” que Aira nega acertadamente à literatura.
Se a mocinha-cidadã vai partir do anúncio da babá para um poema do Sá-Carneiro? Pode ser, pode ser. Mas, além de altamente improvável, isso é problema dela: os que gostam de literatura vão continuar sendo meio escassos, embora, assim é de se esperar, menos estratificados economicamente numa sociedade mais educacionalmente justa.
Um lugar parecido ao de hoje, mas talvez com Cristovam Buarque no ministério da Educação e o adubo dos bilhões canalizados da burocracia onde apodrecem para a educação básica sem a qual, naturalmente, o país em que o mundo está adorando apostar não irá a lugar nenhum.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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16/11/2009 - 12:45
Um maniqueísmo mais apaixonado que inteligente tem marcado as conversas sobre o livro eletrônico no Brasil, entre o pessoal que prefere morrer a abrir mão de uma cafungada no papel e o que prega simplesmente a morte do livro como o conhecemos. Nesse cenário, é uma boa notícia este artigo de Jerome Vonk, que o autor me enviou por email e que pode ser lido na íntegra em pdf em seu site. Não por conter novidades, mas por trazer um olhar lúcido e a certeza de que não estamos diante de um mata-mata: o campeonato se estende até onde a vista alcança e é disputado em sistema de pontos corridos. Um trecho:
Examinemos de perto o livro eletrônico, e percebamos que ele não é apenas a versão digital do livro físico; é muito, muito mais! É o superlivro no modo mega hiper blaster total; confira aqui os acessórios originais de fábrica (variações existem de modelo a modelo):
• busca de palavra ou expressão
• dicionário embutido
• imagens animadas, áudio e vídeo (multimídia)
• hiperlinks e referências cruzadas com outros livros, revistas online, blogs…
• realce de texto, marcação de página e anotações
• empréstimo do livro e envio de trechos/anotações para outras pessoas
• modo de leitura texto para voz
• atualização automática do conteúdo
• oferta de mais de 1.000.000 de livros gratuitos e mais de 360.000 a preços razoáveis (no exterior, a menos de R$ 20,00)
• leitura no computador, celular, e-book reader…
O assunto aqui é o futuro da leitura, e não o futuro do livro. Os dois livros (as duas formas de leitura) podem e deverão conviver pacificamente, e é irrelevante discutir sobre isto. Os debates sobre prós e contras, a apaixonada defesa de um ou outro, as crônicas saudosistas de uma morte que ainda não se consumou cheiram a ranço. (…)
A maneira de ler modifica-se com a introdução de novas tecnologias (estruturas, dispositivos e sistemas) e técnicas (nossa habilidade em usar estas tecnologias). O livro eletrônico não é a mera digitalização do livro impresso, e sim o aprendizado e a conquista de um novo modo de leitura. Todas as funções descritas acima – e as vindouras – nos permitem e ensinam a ler de forma não linear, fragmentada, sobreposta, múltipla e compartilhada – instantaneamente – com terceiros.
Acrescento uma única observação: faz tempo que esse “modo de leitura” nos vem sendo ensinado pelo computador. A novidade do e-reader é ser um objeto projetado especificamente para a leitura, com todas as suas funções subordinadas a este fim e o trunfo principal de uma tela que nossos olhos (quase) acreditam ser de papel.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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13/11/2009 - 11:48
Quem acompanha este blog começou a ouvir falar no ano passado do projeto de romance que o grande Vladimir Nabokov deixou rascunhado em 138 fichas antes de morrer, em 1977 – e que, de acordo com seu desejo, deveria ter virado cinza há muito tempo. Como se sabe, seu filho Dmitri descumpriu a ordem paterna.
“O original de Laura”, sobre um escritor que decide morrer pelo processo inaudito de “autodissolução”, começando pelos dedos dos pés, ganhou o subtítulo “Morrer é divertido” e começa agora a ser resenhado pelo mundo. De modo geral, não tem sobrado ficha sobre ficha, como neste texto (em inglês) de Aleksandar Hemon para a revista eletrônica “Slate”.
Seria ridículo, claro, culpar o falecido pela venda de seu espólio. Nabokov não se limitou a ser inequívoco em seu desejo de que as fichas manuscritas fossem destruídas. Também era intransigentemente claro em seus pontos de vista sobre a arqueologia de manuscritos inacabados ou de rascunhos que precedessem versões finais e publicadas – e também sobre o valor absoluto de uma obra de arte pronta. Na introdução à sua tradução de “Eugene Onegin”, escreveu: “Um artista deve destruir sem dó seus manuscritos após a publicação, para evitar que eles induzam mediocridades acadêmicas a pensar erroneamente que é possível destrinchar os mistérios do gênio por meio do estudo de versões abortadas. Na arte, a intenção e os planos não são nada; só o resultado conta”.
Pode-se dizer com segurança que o que acaba de ser publicado como um romance intitulado “O original de Laura (Morrer é divertido)” não é um resultado que Nabokov desejasse ou fosse aplaudir. Não apenas contraria seu desejo expresso, mas também sua própria sensibilidade estética e sua vida inteira como artista. Doente demais para destruir as fichas que continham “O original de Laura”, o mestre está agora exposto eternamente ao mundo velhaco e ganancioso de acadêmicos, editores e todas as demais mediocridades embaralhadoras de fichas, excitadas pela visão de um gênio indefeso. É improvável que morrer tenha sido tão divertido assim, mas certamente ler “O original de Laura” é devastadoramente triste.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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10/11/2009 - 14:00
Uma divertida ferramenta da Universidade de Chicago, chamada “Monte sua própria frase acadêmica” (em inglês), permite a qualquer pessoa escrever sentenças tão boas quanto – ou melhores que – as de muitos pós-doutores cascudos. Ou seja, coisas inteiramente destituídas de sentido, mas com aquele ar hermético de altíssima sabedoria que é fundamental para enganar trouxas.
Funciona assim: você escolhe quatro substantivos cabeludos em quatro listas e recebe uma frase pronta. Se não gostar dela, basta um clique e os termos voltam numa nova ordem. Tanto faz, claro, porque nada quer dizer nada. Eis alguns exemplos traduzidos do que arranjei por lá:
A reificação da hegemonia pós-capitalista revive (de forma paródica) a historicização da economia especular.
A cultura dos valores normativos carrega em si a política da esfera pública.
A poética da cultura pop pede para ser lida como a autenticação do poder/conhecimento.
Uma única limitação impede a brincadeira de ser genial, como observa Macy Halford, do blog de livros da “New Yorker” (onde eu soube da novidade): as frases são curtas demais. Nenhum acadêmico que se preze seria tão sucinto. No entanto, com um certo jogo de cintura sintático, é possível emendá-las e corrigir o problema. Assim:
Conquanto a reificação da hegemonia pós-capitalista reviva (de forma paródica) a historicização da economia especular, levando a política dos valores normativos a carregar em si a cultura da esfera pública, a autenticação da cultura pop pede para ser lida como a poética do poder/conhecimento.
Ou talvez fique melhor assim:
Se a poética da cultura pop pede para ser lida como a autenticação do poder/conhecimento, visto que a historicização da hegemonia pós-capitalista revive (de forma paródica) a reificação da economia especular, conclui-se que a cultura dos valores normativos carrega em si a política da esfera pública.
Vai dizer que não?
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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09/11/2009 - 13:16
A reportagem do “Wall Street Journal” (em inglês, acesso gratuito) pergunta a um punhado de escritores qual é sua rotina ao escrever. Previsivelmente, aparecem métodos, hábitos, rituais e manias de todos os tipos – ou alguém achou que o título deste post, que é também o da reportagem, anunciava um passo-a-passo de validade universal?
De qualquer modo, é sempre interessante saber o que se passa na mesa de trabalho dos outros. O que mais me impressionou foi descobrir que ainda existem tantos adeptos – Michael Ondaatje, Kazuo Ishiguro, Orhan Pamuk, Amitav Gosh – da velha caneta (ou lápis) no papel.
Eu acreditava que esse tipo de escritor, com a óbvia exceção dos poetas, estivesse rumando para a extinção. Pelo visto, não está. Talvez a turma da caligrafia concorde com Graham Greene, que disse: “Meus dois dedos numa máquina de escrever nunca se conectaram com meu cérebro. Minha mão numa caneta, sim. Uma caneta tinteiro, é claro”. Ressalvado o direito sagrado de cada um escrever como bem entende, alguma coisa nessa tirada de Greene sempre me incomodou. Um dia descobri o que era: os dois dedos. O cara catava milho!
Da minha parte, para retomar a feliz idéia de “conexão” com o cérebro, acho o processador de texto o melhor amigo do escritor. Quando as sinapses estão desembestadas – o que pode ser raro, mas acontece – dedos bem treinados conseguem correr no teclado numa velocidade que só bons taquígrafos poderiam superar. Sem falar nas correções limpas, nos comandos de busca, no corta-e-cola, na magnífica tecla Del…
E já entrando no terreno das manias em que a reportagem do WSJ se detém com tanta volúpia, sempre uso Times New Roman, corpo 12, entrelinha 1,5. Há muitos anos, quando ainda alimentava alguma nostalgia da máquina de escrever, brinquei com o Courier New. Mais tarde fiz umas experiências com o elegante Garamond, mas parei logo. A prosa estava ficando bonitinha demais.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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06/11/2009 - 12:58
Este post ambiciona ser uma saudável ducha de humildade no caldeirão quente em que agora nos debatemos todos os que lidam com livros, da escrita à divulgação, empenhados – inevitavelmente, mas mesmo assim… – em prever o futuro do nosso negócio.
Vale lembrar um axioma indestrutível: todas as grandes previsões sociais, econômicas e tecnológicas estão fadadas ao erro. Por definição, só o que não foi previsto pode acontecer.
Mas continuamos prevendo, o que garante o ganha-pão deste divertidíssimo site, o Paleo-Future, que leva o seguinte subtítulo: “Um olhar sobre o futuro que nunca foi”. Trata-se de uma coleção – organizada por décadas e começando em 1870 – de prognósticos furados que em algum momento gozaram de crédito junto ao público e aos meios de comunicação. Como o automóvel voador (desenho acima) e a semana de trabalho de 16 horas (que chegaria em 2020 – alguém acredita que esta previsão ainda possa decolar?).
A futurologia que cabe aos escritores de ficção científica também é desmontada por um deles, Cory Doctorow, neste artigo recém-publicado na revista “Tin House”:
Todo escritor de ficção científica tem uma FAQ – Frequently Awkward Question, Pergunta Embaraçosa Frequente – ou duas, e para mim é esta: “Como é possível trabalhar como autor de ficção científica, prevendo o futuro, quando tudo muda tão depressa? Você não teme que os eventos reais ultrapassem aqueles que você descreveu?”
É uma pergunta do tipo sincero, e seu autor ainda faz a gentileza de escalar você como Sábio Previsor no pacote, mas acho que é uma bobagem. Escritores de ficção científica não prevêem o futuro (a não ser por acidente), mas, se forem muito bons, talvez consigam prever o presente.
Do tirocínio futurista dos economistas nem é preciso falar. Mas será que os cientistas se saem melhor? Não muito, segundo este artigo de Stuart Blackman na “The Scientist”:
Naturalmente, os cientistas são fortemente incentivados a fazer previsões ousadas – a saber, para conquistar financiamentos, influência e acesso a publicações de peso. Mas, se poucos deles ficam desapontados quando seus prognósticos mais pessimistas não se confirmam, previsões não realizadas – do tipo que estamos vendo cada vez mais – podem ser um golpe duro para os pacientes, os encarregados de traçar políticas públicas e a própria reputação da ciência.
Depois de considerar tudo isso, não resisto a uma previsãozinha singela: em 2050, se o mundo não acabar antes, o ser humano ainda estará prevendo o futuro. E errando.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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05/11/2009 - 17:59
O primeiro bom exemplo brasileiro de como serão os lançamentos de livros no nosso futuro (presente) digitalizado é o que cerca o “O seminarista”, título de estréia de Rubem Fonseca na Editora Agir, que sai neste sábado – simultaneamente em versão de papel, para Kindle (que o próprio autor já disse detestar, como lembra oportunamente Lauro Jardim) e iPhone.
Não é só: desde ontem, no twitter da editora Agir, uma saraivada de textos com menos de 140 caracteres espicaça a curiosidade dos leitores – coisas como “José só trabalha por encomenda. É conhecido como O Especialista”.
E hoje, para arrematar, estreou no YouTube o clipe do livro, coisa caprichada, com arte de Cristiano Menezes (que também assina a capa) e uma narração rouca, em off, do próprio Rubem.
“O seminarista”, embora tenha 184 páginas, é uma novela. Quem tiver uma sensação de déjà vu assistindo ao clipe não estará enlouquecendo: o narrador, o matador de aluguel e ex-seminarista José, surgiu em três contos de “Ela e outras mulheres” (2006): Belinha, Olívia e Xânia – no último, mata o personagem do Despachante, intermediário que contratava seus serviços.
Corre por aí à boca nem tão pequena que “O seminarista” é, com muitos corpos (olha o duplo sentido) de vantagem, o livro mais violento do escritor de 84 anos. O que, em seu caso, é muito.
Quem comprar a edição de papel ganhará de brinde uma edição do conto A arte de andar nas ruas do Rio de Janeiro (de “Romance negro e outras histórias”, de 1992) ilustrada por ensaio fotográfico de Zeca Fonseca, filho do homem. São também de Zeca as fotos do autor (!!!) que estão sendo distribuídas aos veículos de comunicação.
Simultaneamente, a Agir relança “Os prisioneiros” e “Lúcia McCartney”, dando início a uma coleção que, com a curadoria do jornalista Sérgio Augusto, terá dois títulos a cada dois meses – os próximos, em janeiro, serão “Agosto” e “A coleira do cão”.
O lançamento high tech empolga o editor Paulo Roberto Pires. “Está sendo muito bom ver como isso é bacana, como é rico, como é complexo – e como é fácil”, diz ele.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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03/11/2009 - 14:35
Uma empresa de pesquisa de mercado chamada Flurry acaba de anunciar (em inglês) que, em setembro deste ano, os aplicativos de livros para iPhone tomaram pela primeira vez dos aplicativos de games a liderança em número de downloads.
A informação fica mais interessante quando degustada ao lado da reportagem (em inglês) que Joel Achenbach publicou na quinta-feira passada no “Washington Post”, sobre o futuro das narrativas longas na era digital:
Para entender a mágica da narrativa, é preciso refletir sobre o surgimento no Japão dos “romances de celular”. Trata-se de romances escritos num teclado de celular. O leitor o baixa tela por tela. Os japoneses, sempre tecnófilos, andam lendo seus telefones do modo como os ocidentais costumavam ler o jornal diário.
Há duas formas de encarar a situação. Uma é fazer da engenhoca eletrônica a estrela de uma história heróica chamada “A mídia cambiante”. Novos aparelhos podem fazer qualquer coisa! Não apenas põem você em contato com os amigos, mas também armazenam seu álbum de fotos, informam a latitude e a longitude e escrevem romances fabulosos. Mas outro modo de descrever a situação é dizer que não se pode abafar uma boa história. A história, não o aparelho, é que é irreprimível. Tão poderosa como forma de comunicação que brota até num celular.
Isso se daria, segundo Achenbach, porque “o amor pela história não é apenas cultural: é biológico. O cérebro humano evoluiu de forma a permitir a construção e a compreensão de narrativas”. E para reforçar seu argumento cita uma frase do escritor Jonathan Franzen:
Vivenciamos nossa vida em forma de narrativa. Se você não consegue organizar as coisas de modo narrativo, sua vida é uma tigela caótica de mingau.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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30/10/2009 - 15:37
Por que não temos uma tradição de escritores dedicados à ficção policial? Logo o nosso país, com sua espiral incontrolável de violência urbana e enredos de crimes de fazer inveja às mentes mais febris. Tantos que basta esticar a mão e colher as histórias como se brotassem em árvores. Pode ser por isso? A gratuidade daquilo que permeia nosso cotidiano afastaria nosso interesse?
As perguntas são feitas por Paulo Lima num artigo de anteontem para o site “Caos e Letras”. Na infinita câmara de eco da internet, uma resposta vem hoje de Londres, no ensaio de Nathalie Rothschild sobre o sucesso planetário do sueco Stieg Larsson, publicado no site “sp!ked” (em inglês, acesso gratuito):
Talvez seja precisamente a força da imagem da Suécia como uma sociedade civilizada, democrática, igualitária e pacifista – uma boa menina situada imediatamente a oeste do antigo bloco oriental – que dá a seus autores de ficção policial, muitos dos quais se tornam best-sellers internacionais, seu apelo. Quanto mais calma a superfície, mais poder têm as revelações de suposta sordidez fervilhando abaixo dela.
Um raciocínio parece confirmar o outro, mas será isso mesmo? Sabendo que questões desse tipo nunca têm uma resposta única e simples, Lima aponta outra possível explicação:
Ou seria mero preconceito, por julgar a literatura policial menos digna dos esforços mais elaborados?
Hmmm, melhor tentar de novo. Consta que tal preconceito existe no mundo inteiro, o que certamente inclui a Suécia.
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27/10/2009 - 19:03
Duas estréias recentes ajudam a elevar o QI médio da internet brasileira em seu maltratado departamento cultural: os novos sites da editora Cosac Naify, que inclui um blog bastante esperto, e do Instituto Moreira Salles.
E já que estamos nesse assunto, o também noviço blog da “New York Review of Books” é outro que vale uma visita.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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23/10/2009 - 13:02

– Toca pra oeste – disse ela – passando por Beverly Hills e em frente.
Engatei a primeira e dobrei a esquina para seguir rumo ao sul até Sunset. Dolores sacou um de seus longos cigarros marrons.
– Você trouxe uma arma? – perguntou.
Descubro na “Paris Review” Daylight noir: Raymond Chandler’s imagined city, livro da fotógrafa Catherine Corman sobre a Los Angeles do escritor, legendado por trechos das histórias de Philip Marlowe. O prefácio é de Jonathan Lethem.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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19/10/2009 - 13:43
Achei “Cordilheira”, de Daniel Galera, um romance apenas correto – o que alguém poderia argumentar que não é pouco, e não é mesmo. Mas Paulo Polzonoff gostou muito mais. E assim começa finalmente, após longa espera e com menos semanas restantes em 2009 do que partidas na programação, mais uma edição da Copa de Literatura Brasileira.
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