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06/11/2009 - 12:58
Este post ambiciona ser uma saudável ducha de humildade no caldeirão quente em que agora nos debatemos todos os que lidam com livros, da escrita à divulgação, empenhados – inevitavelmente, mas mesmo assim… – em prever o futuro do nosso negócio.
Vale lembrar um axioma indestrutível: todas as grandes previsões sociais, econômicas e tecnológicas estão fadadas ao erro. Por definição, só o que não foi previsto pode acontecer.
Mas continuamos prevendo, o que garante o ganha-pão deste divertidíssimo site, o Paleo-Future, que leva o seguinte subtítulo: “Um olhar sobre o futuro que nunca foi”. Trata-se de uma coleção – organizada por décadas e começando em 1870 – de prognósticos furados que em algum momento gozaram de crédito junto ao público e aos meios de comunicação. Como o automóvel voador (desenho acima) e a semana de trabalho de 16 horas (que chegaria em 2020 – alguém acredita que esta previsão ainda possa decolar?).
A futurologia que cabe aos escritores de ficção científica também é desmontada por um deles, Cory Doctorow, neste artigo recém-publicado na revista “Tin House”:
Todo escritor de ficção científica tem uma FAQ – Frequently Awkward Question, Pergunta Embaraçosa Frequente – ou duas, e para mim é esta: “Como é possível trabalhar como autor de ficção científica, prevendo o futuro, quando tudo muda tão depressa? Você não teme que os eventos reais ultrapassem aqueles que você descreveu?”
É uma pergunta do tipo sincero, e seu autor ainda faz a gentileza de escalar você como Sábio Previsor no pacote, mas acho que é uma bobagem. Escritores de ficção científica não prevêem o futuro (a não ser por acidente), mas, se forem muito bons, talvez consigam prever o presente.
Do tirocínio futurista dos economistas nem é preciso falar. Mas será que os cientistas se saem melhor? Não muito, segundo este artigo de Stuart Blackman na “The Scientist”:
Naturalmente, os cientistas são fortemente incentivados a fazer previsões ousadas – a saber, para conquistar financiamentos, influência e acesso a publicações de peso. Mas, se poucos deles ficam desapontados quando seus prognósticos mais pessimistas não se confirmam, previsões não realizadas – do tipo que estamos vendo cada vez mais – podem ser um golpe duro para os pacientes, os encarregados de traçar políticas públicas e a própria reputação da ciência.
Depois de considerar tudo isso, não resisto a uma previsãozinha singela: em 2050, se o mundo não acabar antes, o ser humano ainda estará prevendo o futuro. E errando.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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05/11/2009 - 17:59
O primeiro bom exemplo brasileiro de como serão os lançamentos de livros no nosso futuro (presente) digitalizado é o que cerca o “O seminarista”, título de estréia de Rubem Fonseca na Editora Agir, que sai neste sábado – simultaneamente em versão de papel, para Kindle (que o próprio autor já disse detestar, como lembra oportunamente Lauro Jardim) e iPhone.
Não é só: desde ontem, no twitter da editora Agir, uma saraivada de textos com menos de 140 caracteres espicaça a curiosidade dos leitores – coisas como “José só trabalha por encomenda. É conhecido como O Especialista”.
E hoje, para arrematar, estreou no YouTube o clipe do livro, coisa caprichada, com arte de Cristiano Menezes (que também assina a capa) e uma narração rouca, em off, do próprio Rubem.
“O seminarista”, embora tenha 184 páginas, é uma novela. Quem tiver uma sensação de déjà vu assistindo ao clipe não estará enlouquecendo: o narrador, o matador de aluguel e ex-seminarista José, surgiu em três contos de “Ela e outras mulheres” (2006): Belinha, Olívia e Xânia – no último, mata o personagem do Despachante, intermediário que contratava seus serviços.
Corre por aí à boca nem tão pequena que “O seminarista” é, com muitos corpos (olha o duplo sentido) de vantagem, o livro mais violento do escritor de 84 anos. O que, em seu caso, é muito.
Quem comprar a edição de papel ganhará de brinde uma edição do conto A arte de andar nas ruas do Rio de Janeiro (de “Romance negro e outras histórias”, de 1992) ilustrada por ensaio fotográfico de Zeca Fonseca, filho do homem. São também de Zeca as fotos do autor (!!!) que estão sendo distribuídas aos veículos de comunicação.
Simultaneamente, a Agir relança “Os prisioneiros” e “Lúcia McCartney”, dando início a uma coleção que, com a curadoria do jornalista Sérgio Augusto, terá dois títulos a cada dois meses – os próximos, em janeiro, serão “Agosto” e “A coleira do cão”.
O lançamento high tech empolga o editor Paulo Roberto Pires. “Está sendo muito bom ver como isso é bacana, como é rico, como é complexo – e como é fácil”, diz ele.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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03/11/2009 - 14:35
Uma empresa de pesquisa de mercado chamada Flurry acaba de anunciar (em inglês) que, em setembro deste ano, os aplicativos de livros para iPhone tomaram pela primeira vez dos aplicativos de games a liderança em número de downloads.
A informação fica mais interessante quando degustada ao lado da reportagem (em inglês) que Joel Achenbach publicou na quinta-feira passada no “Washington Post”, sobre o futuro das narrativas longas na era digital:
Para entender a mágica da narrativa, é preciso refletir sobre o surgimento no Japão dos “romances de celular”. Trata-se de romances escritos num teclado de celular. O leitor o baixa tela por tela. Os japoneses, sempre tecnófilos, andam lendo seus telefones do modo como os ocidentais costumavam ler o jornal diário.
Há duas formas de encarar a situação. Uma é fazer da engenhoca eletrônica a estrela de uma história heróica chamada “A mídia cambiante”. Novos aparelhos podem fazer qualquer coisa! Não apenas põem você em contato com os amigos, mas também armazenam seu álbum de fotos, informam a latitude e a longitude e escrevem romances fabulosos. Mas outro modo de descrever a situação é dizer que não se pode abafar uma boa história. A história, não o aparelho, é que é irreprimível. Tão poderosa como forma de comunicação que brota até num celular.
Isso se daria, segundo Achenbach, porque “o amor pela história não é apenas cultural: é biológico. O cérebro humano evoluiu de forma a permitir a construção e a compreensão de narrativas”. E para reforçar seu argumento cita uma frase do escritor Jonathan Franzen:
Vivenciamos nossa vida em forma de narrativa. Se você não consegue organizar as coisas de modo narrativo, sua vida é uma tigela caótica de mingau.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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30/10/2009 - 15:37
Por que não temos uma tradição de escritores dedicados à ficção policial? Logo o nosso país, com sua espiral incontrolável de violência urbana e enredos de crimes de fazer inveja às mentes mais febris. Tantos que basta esticar a mão e colher as histórias como se brotassem em árvores. Pode ser por isso? A gratuidade daquilo que permeia nosso cotidiano afastaria nosso interesse?
As perguntas são feitas por Paulo Lima num artigo de anteontem para o site “Caos e Letras”. Na infinita câmara de eco da internet, uma resposta vem hoje de Londres, no ensaio de Nathalie Rothschild sobre o sucesso planetário do sueco Stieg Larsson, publicado no site “sp!ked” (em inglês, acesso gratuito):
Talvez seja precisamente a força da imagem da Suécia como uma sociedade civilizada, democrática, igualitária e pacifista – uma boa menina situada imediatamente a oeste do antigo bloco oriental – que dá a seus autores de ficção policial, muitos dos quais se tornam best-sellers internacionais, seu apelo. Quanto mais calma a superfície, mais poder têm as revelações de suposta sordidez fervilhando abaixo dela.
Um raciocínio parece confirmar o outro, mas será isso mesmo? Sabendo que questões desse tipo nunca têm uma resposta única e simples, Lima aponta outra possível explicação:
Ou seria mero preconceito, por julgar a literatura policial menos digna dos esforços mais elaborados?
Hmmm, melhor tentar de novo. Consta que tal preconceito existe no mundo inteiro, o que certamente inclui a Suécia.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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27/10/2009 - 19:03
Duas estréias recentes ajudam a elevar o QI médio da internet brasileira em seu maltratado departamento cultural: os novos sites da editora Cosac Naify, que inclui um blog bastante esperto, e do Instituto Moreira Salles.
E já que estamos nesse assunto, o também noviço blog da “New York Review of Books” é outro que vale uma visita.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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23/10/2009 - 13:02

– Toca pra oeste – disse ela – passando por Beverly Hills e em frente.
Engatei a primeira e dobrei a esquina para seguir rumo ao sul até Sunset. Dolores sacou um de seus longos cigarros marrons.
– Você trouxe uma arma? – perguntou.
Descubro na “Paris Review” Daylight noir: Raymond Chandler’s imagined city, livro da fotógrafa Catherine Corman sobre a Los Angeles do escritor, legendado por trechos das histórias de Philip Marlowe. O prefácio é de Jonathan Lethem.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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19/10/2009 - 13:43
Achei “Cordilheira”, de Daniel Galera, um romance apenas correto – o que alguém poderia argumentar que não é pouco, e não é mesmo. Mas Paulo Polzonoff gostou muito mais. E assim começa finalmente, após longa espera e com menos semanas restantes em 2009 do que partidas na programação, mais uma edição da Copa de Literatura Brasileira.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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16/10/2009 - 16:11
Como se esperava, o livro digital é a grande estrela da Feira de Frankfurt – se não em vendas de direitos (o setor corresponde a apenas 1% do mercado livreiro dos Estados Unidos, país onde está mais avançado), pelo menos como centro das atenções do setor. É o que se conclui lendo a cobertura que o evento recebeu até agora.
Com exceção do leilão pelos direitos de um livro que reunirá os apontamentos e diários que Nelson Mandela colecionou a vida inteira, a ser lançado ano que vem com o título “Conversas comigo mesmo”, nenhum livro propriamente dito tem rendido tantas notícias e comentários na internet quanto o futuro do livro digital.
Os gigantes do setor contribuem para isso. A Amazon programou o lançamento internacional do Kindle para a véspera de Frankfurt – sobre isso, vale a pena ler a entrevista de Jeff Bezos na “Veja” desta semana. E o Google esperou a feira começar para anunciar a criação, ano que vem, do Google Editions, uma plataforma de venda de e-books no atacado com um número de títulos entre 400 mil e 600 mil (a Amazon tem hoje 330 mil).
Em compensação, o Google levou um puxão de orelhas de ninguém menos que a chanceler alemã, Angela Merkel, que declarou seu governo contrário ao projeto de escanear livros sem uma discussão ampla e prévia sobre como ficam os direitos autorais no ambiente virtual.
Um sintoma do interesse pelo assunto foi a superlotação da mesa redonda frankfurtiana chamada “Todos os livros serão ‘e’?”, que reuniu peixes graúdos do mercado editorial. O debate, relatado em detalhes no blog oficial da feira (em inglês), deixou claro que, se sobra entusiasmo, certezas firmes são mercadorias escassas nesse campo.
A não ser, talvez, a certeza de que contrapor a essa tendência fórmulas sentimentais baseadas no “cheiro do livro de papel”, como faz em entrevista à “Veja” Pedro Herz, dono da Livraria Cultura, vai ficando cada vez mais vão.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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14/10/2009 - 17:38

Um concurso internético de melhor proposta de capa para “Lolita” (obsessivo, eu?), com 155 inscrições de 34 países, teve como vencedora a proposta à esquerda, de uma designer búlgara, que inova ao transferir o foco da ninfeta para Humbert Humbert, o tiozão – provavelmente um sintoma de nossos tempos politicamente corretos, ao recusar o ponto de vista do narrador papa-anjo para contemplá-lo de fora. Mas a derrota do criativo quase-abstracionismo da capa à direita, de uma designer de Cingapura, provocou alguns protestos online. Que eu, aliás, subscrevo inteiramente.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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13/10/2009 - 22:42
Quando Kelly de Souza, repórter da revista da Livraria Cultura, me procurou (e a outros escritores brasileiros) para perguntar que livro eu gostaria de ter escrito, não imaginei que aquilo fosse dar numa matéria tão interessante.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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12/10/2009 - 11:48
Sem mudar de assunto: a Feira de Livros de Frankfurt, o mais importante supermercado mundial de direitos literários, que começa depois de amanhã, também está preocupada com o livro digital:
Metade dos profissionais do setor entrevistados pelos organizadores da feira estimou que a venda de livros digitais em 2018 será maior do que aquela de edições baseadas em papel.
Os editores estão tentando descobrir um modo de ganhar dinheiro com a tendência, uma vez que muitos internautas já se habituaram a baixar conteúdo de graça.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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10/10/2009 - 10:13
Dois dias seguidos, duas cidades distantes cultural e geograficamente, e a mesma preocupação: o Kindle – ou um similar – vai matar o livro (de papel)? Falando na Feira de Livros do Sesc Paraná, em Curitiba, quinta-feira de manhã, e na Bienal do Livro de Pernambuco, em Recife, ontem à noite, encontrei a mesma dúvida, a mesma angústia. E me espantei um pouco de descobrir o quanto essa questão não me preocupa.
Sim, estamos vivendo um momento de transição profunda nas formas de ler, escrever e veicular literatura. Sim, ninguém que seja minimamente ponderado pode se gabar de saber onde isso tudo vai dar. Mas uma coisa, à medida que eu tratava de improvisar respostas tateantes à preocupação do público, foi me parecendo cada vez mais clara: aqueles que temem uma revolução completa no formato do livro tradicional deveriam ver os e-readers como aliados, não como inimigos.
Se a internet, com seus recursos de som, imagem, busca e interatividade, tem o potencial – ainda não realizado – de levar a narrativa a um hibridismo tridimensional em que provavelmente já não caberá falar de “literatura”, os Kindles e semelhantes trabalham no sentido contrário, o de preservar as formas literárias que nos foram legadas pela tradição. Aquilo não é papel, mas e daí? A matéria-prima dos escritores não é a celulose.
Por trás de sua aparência moderninha, os e-readers são na verdade engenhocas produndamente conservadoras – paladinos digitais do livro como o conhecemos.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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08/10/2009 - 08:47
A vitória da ficcionista e poeta alemã (de origem romena) Herta Müller significa que, por dois anos seguidos, o Nobel de Literatura é concedido a um escritor premiadíssimo, respeitadíssimo, mas de reduzida projeção internacional, daqueles que pouca gente leu. Ano passado, para quem não se lembra (e é mesmo fácil esquecer), o ganhador foi o francês J-M.G. Le Clézio.
Essa ignorância não é exclusiva de um Brasil periférico, onde apenas dois livros da autora são encontráveis: “O compromisso”, lançado recentemente pela Globo com tradução de Lya Luft, e o já remoto (de 1993) “O homem é um grande faisão sobre a Terra”, da editora portuguesa Cotovia. No site do Nobel, até este momento, uma enquete sobre quem já leu Herta Müller tem o resultado parcial de 92% x 8% a favor do não.
A repetição desse padrão por duas edições seguidas é uma novidade nos últimos anos. Doris Lessing (2007), Orhan Pamuk (2006), Harold Pinter (2005), Elfriede Jelinek (2004) e J.M. Coetzee (2003) compõem uma galeria com a qual o público, na maioria dos casos, pode se relacionar. Talvez o Nobel, depois de brigar explicitamente com a literatura americana no ano passado, não queira ser pop – o que pode até ser uma decisão sábia. Tomara que não se torne um prêmio da União Européia.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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07/10/2009 - 10:34
Todas as famílias felizes se parecem entre si; as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira.
A força de aforismo e o jeitão de verdade universal do início do romance “Ana Karenina”, de Leon Tolstoi (tradução de João Gaspar Simões), conduziram o escritor russo a uma vitória incontestável na eleição do começo mais inesquecível de todos os tempos. Como eu disse no já distante agosto de 2006, quando ele apareceu pela primeira vez aqui no blog, esse início “conseguiu virar aquilo que a maioria dos escritores só ousa perseguir em sonho: máxima, aforismo, provérbio, dito popular, pérola de sabedoria que parece não ter dono, mas brotar diretamente do inconsciente coletivo”.
A disputa foi animada. “O estrangeiro”, de Albert Camus, largou na frente e chegou a dar a impressão de que seria imbatível, mas acabou ultrapassado tanto por “Ana Karenina” quanto por “Lolita”, de Vladimir Nabokov (ah, esses russos…). No fim das contas, o pódio ficou assim: Tolstoi, 41 votos; Nabokov, 35; e Camus, 33.
Nas três últimas posições, houve empate entre “Moby Dick” e “Grande sertão: veredas”, com 23 votos cada um, e a lanterna sobrou para “Memórias do subterrâneo”, o preferido de 14 leitores.
Confesso que, como torcedor, saio um pouco frustrado da disputa. Entre os seis finalistas escolhidos pelos leitores, torci alternadamente por Camus (com a cabeça) e Nabokov (com a “carne”, como ele mesmo diria). Quando falo, ali em cima, em “jeitão de verdade universal”, é por desconfiar que a abertura campeã, vagamente enquadrável na categoria jornalística do nariz-de-cera, tem mais forma do que conteúdo. Não sei se as famílias felizes são todas parecidas ou se a infelicidade familiar carece de um denominador comum. Afirmar o contrário talvez funcionasse também. Mas é claro que, sendo Tolstoi um ficcionista e não um terapeuta, ponderações como essas são meio tolas.
A todo mundo que garantiu o sucesso desta brincadeira (foram 188 comentários apenas na rodada final, enquanto o blogueiro tirava umas curtas mas talvez não imerecidas férias), meus agradecimentos sinceros. E até amanhã.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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