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	<title>Todoprosa &#187; Posts</title>
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	<description>Blog de literatura de Sérgio Rodrigues</description>
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		<title>O melhor da Flip – de graça</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Jul 2007 14:07:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Rodrigues</dc:creator>
				<category><![CDATA[Posts]]></category>

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		<description><![CDATA[Para quem, como eu, já está de malas prontas (não esquecer os tênis mágicos, de solado resistente ao calçamento mais absurdo do planeta) para ir a Parati, eis um aperitivo. Para quem não vai, uma ótima oportunidade de estragar um pouco o prazer alheio, usufruindo de graça daquilo que outros estão comprando caro.
Do ponto de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para quem, como eu, já está de malas prontas (não esquecer os tênis mágicos, de solado resistente ao calçamento mais absurdo do planeta) para ir a Parati, eis um aperitivo. Para quem não vai, uma ótima oportunidade de estragar um pouco o prazer alheio, usufruindo de graça daquilo que outros estão comprando caro.</p>
<p>Do ponto de vista estritamente literário, é inútil negar que a maior atração da Flip é o escritor sul-africano/australiano JM Coetzee, um sujeito com fama de recluso e esquisitão que já avisou: não admitirá perguntas do público, limitando-se a ler em primeiríssima mão trechos de seu próximo livro, <em>Diary of a bad year</em> (“Diário de um ano ruim”), que seria lançado em outubro mas, parece, está ficando para janeiro do ano que vem.</p>
<p>Fora a aura da presença grisalha do prêmio Nobel de 2003, portanto, o que Coetzee apresentará não é nada muito diferente do que pode ser usufruído aqui, neste <a target="_blank" href="http://www.nybooks.com/articles/20390">trecho suculento </a>antecipado pelo último número do “New York Review of Books” (em inglês, acesso livre).</p>
<p>O excerto revelado de <em>Diary of a bad year</em> alterna blocos de texto ensaístico produzido por um famoso escritor australiano de 72 anos – coisa cabeçuda, investigando o eterno e insolúvel conflito entre a legitimidade do Estado e a liberdade do indivíduo – com pequenas inserções pessoais em que o escritor fala de seu desejo por uma vizinha jovem e bonita que, cheio de segundas e terceiras intenções, convida para trabalhar como sua secretária enquanto tenta pôr de pé a ambiciosa obra.</p>
<p>Mais uma vez, o velho à beira da morte babando pela jovem cheia de vida. Quem achar que alguns dos maiores escritores dos últimos tempos têm batido insistentemente nesta tecla terá, na pior das hipóteses, uma boa tese para defender. E talvez não seja descabido usar nessa defesa, além da eternidade do tema, duas provas de aguda contemporaneidade, uma material, a outra circunstancial: o Viagra e o culto cada vez mais absolutista à juventude.</p>
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		<title>(Re)começou</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Jun 2007 14:18:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;Era uma sexta-feira chuvosa e triste quando&#8230;&#8221;, escreveu, e se deteve.
Desde quando um clichê como aquele era um começo digno para o segundo volume?
PS: Ops, começamos com problemas técnicos. Quem entrou ontem à meia-noite neste blog encontrou a casa muito mais arrumada. Um tufão de origem ainda desconhecida passou de madrugada, deixou tudo de pernas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>&#8220;Era uma sexta-feira chuvosa e triste quando&#8230;&#8221;, escreveu, e se deteve.</p>
<p>Desde quando um clichê como aquele era um começo digno para o segundo volume?</p>
<p><i>PS: Ops, começamos com problemas técnicos. Quem entrou ontem à meia-noite neste blog encontrou a casa muito mais arrumada. Um tufão de origem ainda desconhecida passou de madrugada, deixou tudo de pernas para o ar. Peço desculpas &#8211; e um pouco de paciência.</i></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Dicionário de papo furado</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Jun 2007 14:12:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Rodrigues</dc:creator>
				<category><![CDATA[Posts]]></category>

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		<description><![CDATA[O Cânone – Documento misterioso (que ninguém jamais viu) idealizado (ninguém sabe quando) secretamente por uma conspiração (ninguém sabe onde) de pouquíssimos machos europeus mortos, a fim de ditar aquilo que todo mundo precisa ler.
O divertido Dictionary of Fashionable Nonsense, glossário satírico do “pensamento” (perdão pelo substantivo impreciso) politicamente correto escrito pelo pessoal do ótimo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>O Cânone – Documento misterioso (que ninguém jamais viu) idealizado (ninguém sabe quando) secretamente por uma conspiração (ninguém sabe onde) de pouquíssimos machos europeus mortos, a fim de ditar aquilo que todo mundo precisa ler.</em></p>
<p>O divertido <a target="_blank" href="http://www.butterfliesandwheels.com/dictionary.php">Dictionary of Fashionable Nonsense</a>, glossário satírico do “pensamento” (perdão pelo substantivo impreciso) politicamente correto escrito pelo pessoal do ótimo site inglês <a target="_blank" href="http://www.butterfliesandwheels.com/">Butterflies and Wheels</a>, merece uma visita – a dica é do <a target="_blank" href="http://blogs.guardian.co.uk/books/2007/06/a_welcome_dictionary_of_fashio.html">blog</a> de livros do “Guardian”.</p>
<p>Pode-se ler online uma amostra da versão de papel, com mais de quinhentos verbetes, que está à venda na Amazon.com. Duvido que a obra esgote o tema – que talvez seja inesgotável – mas, a julgar pelo trailer, deve garantir um bom sobrevôo no território da neoburrice.</p>
<p>Outros exemplos:</p>
<p><em>Educação – Introdução violenta e brutal de material arbitrário nas cabeças limpinhas e inocentes das crianças, que deviam ser deixadas vazias.</em></p>
<p><em>Elitista – Alguém que sabe mais do que eu.</em></p>
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		<title>Dois finais faltantes + um encontro marcado</title>
		<link>http://colunistas.ig.com.br/sergiorodrigues/2007/06/27/dois-finais-faltantes-um-encontro-marcado/</link>
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		<pubDate>Thu, 28 Jun 2007 01:58:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Rodrigues</dc:creator>
				<category><![CDATA[Posts]]></category>

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		<description><![CDATA[Primeiro os finais, depois o encontro.
A realidade que eu conhecera n&#227;o mais existia. Bastava que a sra. Swann n&#227;o chegasse exatamente igual e no mesmo momento que antes, para que a Avenida fosse outra. Os lugares que conhecemos n&#227;o pertencem tampouco ao mundo do espa&#231;o, onde os situamos para maior facilidade. N&#227;o eram mais que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Primeiro os finais, depois o encontro.</p>
<p><i>A realidade que eu conhecera n&atilde;o mais existia. Bastava que a sra. Swann n&atilde;o chegasse exatamente igual e no mesmo momento que antes, para que a Avenida fosse outra. Os lugares que conhecemos n&atilde;o pertencem tampouco ao mundo do espa&ccedil;o, onde os situamos para maior facilidade. N&atilde;o eram mais que uma delgada fatia no meio de impress&otilde;es cont&iacute;guas que formavam a nossa vida de ent&atilde;o; a recorda&ccedil;&atilde;o de certa imagem n&atilde;o &eacute; sen&atilde;o saudade de certo instante; e as casas, os caminhos, as avenidas s&atilde;o fugitivos, infelizmente, como os anos.</i></p>
<p>(Marcel Proust, &ldquo;No caminho de Swann&rdquo;)</p>
<p><i>Nonada. O diabo n&atilde;o h&aacute;! &Eacute; o que eu digo, se for&#8230; Existe &eacute; homem humano. Travessia.</i></p>
<p>(Guimar&atilde;es Rosa, &ldquo;Grande sert&atilde;o: veredas&rdquo;)</p>
<p>Convido os leitores do <b>Todoprosa</b> a seguir o blog em sua travessia para um novo endere&ccedil;o, <a href="http://www.todoprosa.com.br" target="_blank">www.todoprosa.com.br</a>, que estar&aacute; funcionando a partir de s&aacute;bado. Atualizem seus favoritos e espalhem a not&iacute;cia, por favor. Espero todo mundo l&aacute;.</p>
<p>Sim, a &aacute;rea de coment&aacute;rios vai sobreviver &agrave; viagem. Nada muda, embora tudo mude.</p>
<p>(Mas que ningu&eacute;m se surpreenda se o <b>NoM&iacute;nimo</b> renascer com algum novo formato &ndash; os caminhos, afinal, s&atilde;o fugitivos &ndash; dentro de um ou dois meses. Merece respeito uma tradi&ccedil;&atilde;o de resist&ecirc;ncia que &eacute; quase t&atilde;o velha quanto a internet brasileira. Mesmo com outro nome, voc&ecirc;s logo o reconhecer&atilde;o. N&atilde;o tem erro: &eacute; s&oacute; procurar, bem na testa, a marca de nascen&ccedil;a do jornalismo independente, do tipo que n&atilde;o subestima a intelig&ecirc;ncia do leitor. O artigo, como se sabe, &eacute; raro.)</p>
<p>E assim termina o primeiro volume. N&atilde;o a obra, que, espero, ainda vai me consumir letrinhas &agrave; be&ccedil;a, com a ajuda de voc&ecirc;s.</p>
<p>Muito obrigado por tudo.</p>
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		<title>Finais inesquec&#237;veis</title>
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		<pubDate>Mon, 25 Jun 2007 18:42:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O NoM&#237;nimo vira hist&#243;ria &#8211; em todos os sentidos &#8211; dentro de poucos dias, mas a frase de Tom Stoppard n&#227;o est&#225; a&#237; em cima por acaso. O Todoprosa ficar&#225; no ar. Aguardem not&#237;cias de seu novo paradeiro.
N&#227;o gosto de choradeira (n&#227;o em p&#250;blico, pelo menos), mas n&#227;o custa tentar corrigir algumas distor&#231;&#245;es na reta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O <b>NoM&iacute;nimo</b> vira hist&oacute;ria &ndash; em todos os sentidos &ndash; dentro de poucos dias, mas a frase de Tom Stoppard n&atilde;o est&aacute; a&iacute; em cima por acaso. O <b>Todoprosa</b> ficar&aacute; no ar. Aguardem not&iacute;cias de seu novo paradeiro.</p>
<p>N&atilde;o gosto de choradeira (n&atilde;o em p&uacute;blico, pelo menos), mas n&atilde;o custa tentar corrigir algumas distor&ccedil;&otilde;es na reta final. No fim de semana, pensando nesta etapa que se encerra, me ocorreu o desequil&iacute;brio gritante em que o blog incorreu. Sabemos que o mundo &eacute; feito de tal forma que o n&uacute;mero de come&ccedil;os, no fim das contas, &eacute; sempre exatamente igual ao n&uacute;mero de fins. Por defini&ccedil;&atilde;o. Se n&atilde;o &eacute; igual, &eacute; porque o &ldquo;fim das contas&rdquo; ainda n&atilde;o chegou.</p>
<p>Traduzindo: depois de tantos Come&ccedil;os Inesquec&iacute;veis, me ocorreu o tamanho da d&iacute;vida de Finais Inesquec&iacute;veis que acumulei. Tento saldar parte dela agora, enquanto &eacute; tempo. Com algum atropelo e, naturalmente, sem pretender fazer uma lista de &ldquo;melhores&rdquo; &ndash; como nunca foi a inten&ccedil;&atilde;o dos Come&ccedil;os Inesquec&iacute;veis, ali&aacute;s &ndash;, a&iacute; vai uma pequena antologia descaradamente impressionista. No m&iacute;nimo, ficamos no clima da semana.</p>
<p>Alguns finais s&atilde;o melanc&oacute;licos:</p>
<p><i>E assim prosseguimos, barcos contra a corrente, arrastados incessantemente para o passado.</i></p>
<p>(F. Scott Fitzgerald, &ldquo;O grande Gatsby&rdquo;)</p>
<p>Outros gelam a espinha:</p>
<p><i>Mas, de p&eacute; no quarto j&aacute; quase totalmente escuro, verifiquei que Ana Meneses n&atilde;o existia mais. Inclinei-me para cerrar-lhe as p&aacute;lpebras e, n&atilde;o sei, julguei perceber que no seu semblante n&atilde;o havia nenhum sinal dessa paz que &eacute; t&atilde;o peculiar aos mortos.</i></p>
<p>(L&uacute;cio Cardoso, &ldquo;Cr&ocirc;nica da casa assassinada&rdquo;)</p>
<p>H&aacute; os apocal&iacute;pticos:</p>
<p><i>No momento em que os seus &uacute;ltimos representantes v&atilde;o desaparecer, achamos leg&iacute;timo render &agrave; humanidade esta &uacute;ltima homenagem; homenagem que tamb&eacute;m acabar&aacute; por apagar-se e perder-se nas areias do tempo; deve-se, entretanto, ao menos uma vez, faz&ecirc;-la. Este livro &eacute; dedicado ao homem.</i></p>
<p>(Michel Houellebecq, &ldquo;Part&iacute;culas elementares&rdquo;)</p>
<p><i>Haver&aacute; uma explos&atilde;o enorme que ningu&eacute;m ouvir&aacute;, e a Terra, retornando &agrave; sua forma original de nebulosa, errar&aacute; pelos c&eacute;us, livre dos parasitas e das enfermidades.</i></p>
<p>(Italo Svevo, &ldquo;A consci&ecirc;ncia de Zeno&rdquo;)</p>
<p>Os metaf&iacute;sicos:</p>
<p><i>Caminhou contra as l&iacute;nguas de fogo. Elas n&atilde;o morderam sua carne, elas o acariciaram e o inundaram sem calor e sem combust&atilde;o. Com al&iacute;vio, com humilha&ccedil;&atilde;o, com terror, compreendeu que ele tamb&eacute;m era uma apar&ecirc;ncia, que outro o estava sonhando.</i></p>
<p>(Jorge Luis Borges, &ldquo;As ru&iacute;nas circulares&rdquo;)</p>
<p>Tamb&eacute;m os tristes, mas esperan&ccedil;osos:</p>
<p><i>Encerro hoje, aqui, este volume malfadado do meu Di&aacute;rio. N&atilde;o posso imaginar volume pior, com a morte da camarada Camila!</p>
<p>Quero que amanh&atilde;, um dia qualquer, sem nada de especial, assinale o come&ccedil;o de nova vida para mim.</p>
<p>S&atilde;o quatro horas da tarde.</p>
<p>O dia continua frio, mas firme de tempo.</i></p>
<p>(Carlos Sussekind, &ldquo;Que pensam voc&ecirc;s que ele fez&rdquo;)</p>
<p>Os luminosos:</p>
<p><i>E a mulher amada, de quem eu j&aacute; sorvera o leite, me deu de beber a &aacute;gua com que havia lavado sua blusa.</i></p>
<p>(Chico Buarque, &ldquo;Budapeste&rdquo;)</p>
<p>E a vida que segue, lambona, deliciosa:</p>
<p><i>&ndash; Sh, sh! &ndash; disse ela, e botando a l&iacute;ngua para fora me lambeu o rosto. &ndash; Criaturinha querida, ador&aacute;vel!</p>
<p>&ndash; Au, au! Au, au! &ndash; lati. &ndash; Au! Au, au, au!</i></p>
<p>(Henry Miller, &ldquo;Sexus&rdquo;)</p>
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		<title>Come&#231;os inesquec&#237;veis: Herman Melville</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Jun 2007 03:01:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Rodrigues</dc:creator>
				<category><![CDATA[Posts]]></category>

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		<description><![CDATA[Sou um homem de certa idade. A natureza das minhas ocupa&#231;&#245;es, nestes &#250;ltimos trinta anos, me levou a entrar permanentemente em contato com uma esp&#233;cie de homens interessantes e um tanto singulares, da qual, que eu saiba, nada at&#233; agora se tem escrito: refiro-me aos copistas, escritur&#225;rios ou escreventes a servi&#231;o de homens de leis. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><i>Sou um homem de certa idade. A natureza das minhas ocupa&ccedil;&otilde;es, nestes &uacute;ltimos trinta anos, me levou a entrar permanentemente em contato com uma esp&eacute;cie de homens interessantes e um tanto singulares, da qual, que eu saiba, nada at&eacute; agora se tem escrito: refiro-me aos copistas, escritur&aacute;rios ou escreventes a servi&ccedil;o de homens de leis. Conheci muitos, quer profissional quer particularmente, e poderia, se quisesse, contar sobre eles in&uacute;meras hist&oacute;rias que fariam sorrir af&aacute;veis cavalheiros e levariam &agrave;s l&aacute;grimas as almas sentimentais. Mas renuncio &agrave;s biografias de todos os demais escritur&aacute;rios para relatar algumas passagens da vida de Bartleby, o mais estranho de todos que jamais vi e de quantos tive not&iacute;cia.</i></p>
<p>Aproveitando o mote da nota &ldquo;O nosso Bartleby&rdquo;, a&iacute; embaixo, que sirva o in&iacute;cio de &ldquo;Bartleby, o escritur&aacute;rio&rdquo; (Rocco, 1986, tradu&ccedil;&atilde;o de Lu&iacute;s de Lima) como convite para quem ainda n&atilde;o conhece essa brilhante novelinha &ndash; ou conto alentado &ndash; que o escritor americano Herman Melville (1819-1891) publicou anonimamente numa revista em 1853, dois anos depois de sua obra-prima &ldquo;Moby Dick&rdquo;, e em livro, j&aacute; com seu nome, tr&ecirc;s anos mais tarde.</p>
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		<title>Caro Coetzee</title>
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		<pubDate>Fri, 22 Jun 2007 18:28:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#201; boa a temporada. Praticamente numa fornada &#250;nica, a Companhia das Letras p&#244;s nas livrarias novos t&#237;tulos de tr&#234;s dos maiores autores de l&#237;ngua inglesa da atualidade. Logo depois de &#8220;Casa de encontros&#8221;, de Martin Amis, e colado em &#8220;Na praia&#8221;, de Ian McEwan, chega o romance &#8220;Homem lento&#8221;, de J.M. Coetzee, principal atra&#231;&#227;o da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img src='/wp-content/homem_lento.jpg' alt=''>&Eacute; boa a temporada. Praticamente numa fornada &uacute;nica, a Companhia das Letras p&ocirc;s nas livrarias novos t&iacute;tulos de tr&ecirc;s dos maiores autores de l&iacute;ngua inglesa da atualidade. Logo depois de &ldquo;Casa de encontros&rdquo;, de Martin Amis, e colado em &ldquo;Na praia&rdquo;, de Ian McEwan, chega o romance &ldquo;Homem lento&rdquo;, de J.M. Coetzee, principal atra&ccedil;&atilde;o da iminente Flip (tradu&ccedil;&atilde;o de Jos&eacute; Rubens Siqueira, 280 p&aacute;ginas, R$ 46). Al&eacute;m de uma manifesta&ccedil;&atilde;o de louvor (para a tradu&ccedil;&atilde;o) e outra de absoluto a$$ombro, nada tenho a acrescentar ao que j&aacute; comentei sobre esse curioso livro <a href="http://todoprosa.nominimo.com.br/?p=323" target="_blank">aqui</a>.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Quem tem medo de JT Leroy?</title>
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		<pubDate>Thu, 21 Jun 2007 14:40:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Rodrigues</dc:creator>
				<category><![CDATA[Posts]]></category>

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		<description><![CDATA[O &#8220;caso JT Leroy&#8221; foi t&#227;o embara&#231;oso para o establishment liter&#225;rio em geral que acabou sendo muito menos discutido do que merece. Levantou-se uma orelha do tapete, varreu-se o assunto, uma pena. Vale aproveitar o fato de a confus&#227;o ter finalmente chegado aos tribunais na forma de uma acusa&#231;&#227;o de fraude &#8211; leia a reportagem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O &ldquo;caso JT Leroy&rdquo; foi t&atilde;o embara&ccedil;oso para o <i>establishment</i> liter&aacute;rio em geral que acabou sendo muito menos discutido do que merece. Levantou-se uma orelha do tapete, varreu-se o assunto, uma pena. Vale aproveitar o fato de a confus&atilde;o ter finalmente chegado aos tribunais na forma de uma acusa&ccedil;&atilde;o de fraude &ndash; leia a <a href="http://www.nytimes.com/2007/06/20/nyregion/20cnd-writer.html?_r=1&amp;hp&amp;oref=slogin" target="_blank">reportagem </a>do &ldquo;New York Times&rdquo;, mediante cadastro gratuito &ndash; para recordar a hist&oacute;ria.</p>
<p>Para quem n&atilde;o se lembra, o escritor-personalidade JT Leroy, apresentado como um jovem travesti drogado, prostitu&iacute;do e soropositivo, salvo por um triz da ru&iacute;na por sua genialidade liter&aacute;ria, entrou em cena em 2000 nos Estados Unidos para virar uma celebridade instant&acirc;nea.</p>
<p>A quest&atilde;o constrangedora &eacute;: quanto da imediata e festiva ado&ccedil;&atilde;o de JT pela imprensa liter&aacute;ria se devia &agrave; sua biografia e quanto &agrave; literatura em si? Porque a biografia provou-se mais falsa do que uma presta&ccedil;&atilde;o de contas do presidente do Senado. E se o texto era mesmo t&atilde;o espetacular quanto andaram dizendo, que import&acirc;ncia tinha um <i>nom de plume</i>? Por que, do dia para a noite, todo mundo que o cobrira de elogios saiu assobiando para cima?</p>
<p>JT Leroy, soube-se h&aacute; dois anos, era na verdade uma dona de casa quarentona chamada Laura Albert. A irm&atilde; de um namorado dela andou representando o papel do &ldquo;escritor maldito&rdquo; em apari&ccedil;&otilde;es p&uacute;blicas &ndash; inclusive no Brasil, onde a Gera&ccedil;&atilde;o Editorial lan&ccedil;ou dois livros de Leroy, &ldquo;Sarah&rdquo; e &ldquo;Maldito cora&ccedil;&atilde;o&rdquo;, e o autor foi tratado como uma esp&eacute;cie de &ldquo;novo Salinger&rdquo;.</p>
<p>No julgamento, a defesa de Laura Albert tenta afastar de sua cliente a pecha de manipuladora c&iacute;nica ao apresent&aacute;-la como uma pessoa perturbada, com problemas ps&iacute;quicos que a fizeram desenvolver uma &ldquo;personalidade alternativa&rdquo;. O que talvez seja &ndash; ou n&atilde;o? &ndash; mais uma camada ficcional nessa hist&oacute;ria fascinante.</p>
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		<title>O nosso Bartleby</title>
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		<pubDate>Wed, 20 Jun 2007 14:06:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Rodrigues</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8230;a minha impress&#227;o sugere que Raduan &#233; um caso at&#237;pico de Bartleby. Seu sil&#234;ncio liter&#225;rio aparentemente n&#227;o se origina das tens&#245;es internas da modernidade liter&#225;ria, n&#227;o veio de um drama autoral frente ao um desafio extremo, Raduan apenas se encaminhou para fora. A estranheza vem do nosso olhar, acostumados que estamos a descri&#231;&#245;es de &#8220;literatura [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><i>&#8230;a minha impress&atilde;o sugere que Raduan &eacute; um caso at&iacute;pico de Bartleby. Seu sil&ecirc;ncio liter&aacute;rio aparentemente n&atilde;o se origina das tens&otilde;es internas da modernidade liter&aacute;ria, n&atilde;o veio de um drama autoral frente ao um desafio extremo, Raduan apenas se encaminhou para fora. A estranheza vem do nosso olhar, acostumados que estamos a descri&ccedil;&otilde;es de &ldquo;literatura como destino&rdquo;, &ldquo;rela&ccedil;&atilde;o org&acirc;nica texto-autor&rdquo; e a escritores que lan&ccedil;am livros a cada dois ou tr&ecirc;s anos sem ter nada a mostrar. O &lsquo;caso Raduan&rsquo; &eacute; um problema para n&oacute;s, n&atilde;o para o pr&oacute;prio.</i></p>
<p>Em seu <a href="http://marcopolli.wordpress.com/2007/06/18/o-caso-raduan-bartleby-e-co-5/" target="_blank">blog</a>, Marco Polli comenta com perspic&aacute;cia o &ldquo;caso Raduan Nasssar&rdquo; &agrave; luz de &ldquo;Bartleby e  companhia&rdquo;, do espanhol Enrique Vila-Matas &ndash; um estudo liter&aacute;rio sobre escritores que, a exemplo do escritur&aacute;rio de Herman Melville, em algum momento se recusam a contribuir para o excesso de letrinhas no mundo e avisam: &ldquo;Prefiro n&atilde;o fazer&rdquo;.</p>
<p>A nota me fez pensar numa raz&atilde;o para que o &ldquo;sil&ecirc;ncio dos escritores&rdquo;, que n&atilde;o foi inventado ontem e pode obedecer a um milh&atilde;o de raz&otilde;es particulares, nos pare&ccedil;a, neste in&iacute;cio de s&eacute;culo, um tema cultural cada vez mais relevante e desafiador. Deve ser porque vivemos &ndash; e n&atilde;o apenas na literatura &ndash; dentro de uma evidente pandemia, a do escrever por escrever, falar por falar, apenas para <i>ocupar espa&ccedil;os</i> e exprimir alguma individualidade na qual ningu&eacute;m est&aacute; realmente interessado.</p>
<p>Para essa doen&ccedil;a, o &ldquo;prefiro n&atilde;o fazer&rdquo; pode parecer mesmo o &uacute;nico rem&eacute;dio. Mas que h&aacute; algo de profundamente desolador na escolha entre o blablabl&aacute; e a mudez, h&aacute;.</p>
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		<title>&#8216;Os versos sat&#226;nicos&#8217; &#8211; tudo de novo?</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Jun 2007 19:41:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Sérgio Rodrigues</dc:creator>
				<category><![CDATA[Posts]]></category>

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		<description><![CDATA[O t&#237;tulo de cavaleiro que o governo brit&#226;nico concedeu a Salman Rushdie no &#250;ltimo s&#225;bado est&#225; provocando rea&#231;&#245;es de profunda insatisfa&#231;&#227;o em diversos pa&#237;ses isl&#226;micos. Nenhuma que chegue perto, no tom de amea&#231;a aberta, destas palavras de Mohammed Ijaz ul-Haq, ministro de Assuntos Religiosos do governo do Paquist&#227;o, em discurso no parlamento:
&#201; hora de 1,5 [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O t&iacute;tulo de cavaleiro que o governo brit&acirc;nico concedeu a Salman Rushdie no &uacute;ltimo s&aacute;bado est&aacute; provocando rea&ccedil;&otilde;es de profunda insatisfa&ccedil;&atilde;o em diversos pa&iacute;ses isl&acirc;micos. Nenhuma que chegue perto, no tom de amea&ccedil;a aberta, destas palavras de Mohammed Ijaz ul-Haq, ministro de Assuntos Religiosos do governo do Paquist&atilde;o, em discurso no parlamento:</p>
<p><i>&Eacute; hora de 1,5 bilh&atilde;o de mu&ccedil;ulmanos considerarem a gravidade dessa decis&atilde;o. O Ocidente tem acusado os mu&ccedil;ulmanos de extremismo e terrorismo. Se algu&eacute;m explodir uma bomba atada ao corpo, estar&aacute; certo em faz&ecirc;-lo, a n&atilde;o ser que o governo brit&acirc;nico pe&ccedil;a desculpas e retire (</i>de Rushdie<i>) o t&iacute;tulo de </i>Sir.</p>
<p>A reportagem do &ldquo;Guardian&rdquo;, em ingl&ecirc;s, pode ser lida <a href="http://books.guardian.co.uk/news/articles/0,,2105740,00.html" target="_blank">aqui</a>.</p>
<p>O escritor passou a d&eacute;cada de 90 entocado, amea&ccedil;ado de morte pela <i>fatwa</i> decretada pelo aiatol&aacute; Khomeini, do Ir&atilde;, depois que seu livro &ldquo;Os versos sat&acirc;nicos&rdquo; foi considerado ofensivo ao Isl&atilde; pelas autoridades religiosas do pa&iacute;s.</p>
<p>Vai come&ccedil;ar tudo outra vez?</p>
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