Cafungadores e coveiros: vamos virar a página?
Um maniqueísmo mais apaixonado que inteligente tem marcado as conversas sobre o livro eletrônico no Brasil, entre o pessoal que prefere morrer a abrir mão de uma cafungada no papel e o que prega simplesmente a morte do livro como o conhecemos. Nesse cenário, é uma boa notícia este artigo de Jerome Vonk, que o autor me enviou por email e que pode ser lido na íntegra em pdf em seu site. Não por conter novidades, mas por trazer um olhar lúcido e a certeza de que não estamos diante de um mata-mata: o campeonato se estende até onde a vista alcança e é disputado em sistema de pontos corridos. Um trecho:
Examinemos de perto o livro eletrônico, e percebamos que ele não é apenas a versão digital do livro físico; é muito, muito mais! É o superlivro no modo mega hiper blaster total; confira aqui os acessórios originais de fábrica (variações existem de modelo a modelo):
• busca de palavra ou expressão
• dicionário embutido
• imagens animadas, áudio e vídeo (multimídia)
• hiperlinks e referências cruzadas com outros livros, revistas online, blogs…
• realce de texto, marcação de página e anotações
• empréstimo do livro e envio de trechos/anotações para outras pessoas
• modo de leitura texto para voz
• atualização automática do conteúdo
• oferta de mais de 1.000.000 de livros gratuitos e mais de 360.000 a preços razoáveis (no exterior, a menos de R$ 20,00)
• leitura no computador, celular, e-book reader…
O assunto aqui é o futuro da leitura, e não o futuro do livro. Os dois livros (as duas formas de leitura) podem e deverão conviver pacificamente, e é irrelevante discutir sobre isto. Os debates sobre prós e contras, a apaixonada defesa de um ou outro, as crônicas saudosistas de uma morte que ainda não se consumou cheiram a ranço. (…)
A maneira de ler modifica-se com a introdução de novas tecnologias (estruturas, dispositivos e sistemas) e técnicas (nossa habilidade em usar estas tecnologias). O livro eletrônico não é a mera digitalização do livro impresso, e sim o aprendizado e a conquista de um novo modo de leitura. Todas as funções descritas acima – e as vindouras – nos permitem e ensinam a ler de forma não linear, fragmentada, sobreposta, múltipla e compartilhada – instantaneamente – com terceiros.
Acrescento uma única observação: faz tempo que esse “modo de leitura” nos vem sendo ensinado pelo computador. A novidade do e-reader é ser um objeto projetado especificamente para a leitura, com todas as suas funções subordinadas a este fim e o trunfo principal de uma tela que nossos olhos (quase) acreditam ser de papel.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Por favor, senhor Neno, visite este site e veja que são poucas as palavras agora.
http://www.agloriadosenhorsobrecampos.blogspot.com/
se a preocupação é com o final da leitura não há o que se preocupar. o Brasil tem 911 livrarias, enquanto Buenos Aires tem 934. E esse número já foi bem maior. Preocupem-se com o audio livro. É muito provável que os nossos netos não leiam nada e tudo se absorva pelo olho e pelo ouvido. Mas será que vai fazer realmente falta?
Se me permite a propaganda, 20 de agosto escrevi um texto sobre e-books para o Aguarrás: http://aguarras.com.br/index.php?s=e-book Abss!
Gostei do texto, Eric. Futurologia de boa qualidade. Abraços.
Prometi e cumpro: tô que nem a Isabel, apaixonada pelo meu kindle, mas, diferente dela, sinto-me a ponto de cuspir no prato em que tanto comi, segue trecho de minha crônica de hoje no Noga Bloga, a primeira como feliz proprietária de um kindle: “Ainda estou no comecinho do livro, mas já posso afirmar, com o tom de exagero que me é peculiar, que converti-me irremediavelmente ao Kindle ao ler na cama sobre a vida de Clarice. Nunca mais aqueles livros pesados, aquele virar a página por fora do cobertor que é tão complicado aqui na Serra nos dias mais frios, o dicionário sempre ao lado, e pior, pobres traduções para o português, nunca mais, agora que tenho à distância de um toque sem fio o acesso barato a todos os originais, que cheiro de papel que nada.”
Tá certo, Noga…