Eu vi o futuro, mas esqueci
Este post ambiciona ser uma saudável ducha de humildade no caldeirão quente em que agora nos debatemos todos os que lidam com livros, da escrita à divulgação, empenhados – inevitavelmente, mas mesmo assim… – em prever o futuro do nosso negócio.
Vale lembrar um axioma indestrutível: todas as grandes previsões sociais, econômicas e tecnológicas estão fadadas ao erro. Por definição, só o que não foi previsto pode acontecer.
Mas continuamos prevendo, o que garante o ganha-pão deste divertidíssimo site, o Paleo-Future, que leva o seguinte subtítulo: “Um olhar sobre o futuro que nunca foi”. Trata-se de uma coleção – organizada por décadas e começando em 1870 – de prognósticos furados que em algum momento gozaram de crédito junto ao público e aos meios de comunicação. Como o automóvel voador (desenho acima) e a semana de trabalho de 16 horas (que chegaria em 2020 – alguém acredita que esta previsão ainda possa decolar?).
A futurologia que cabe aos escritores de ficção científica também é desmontada por um deles, Cory Doctorow, neste artigo recém-publicado na revista “Tin House”:
Todo escritor de ficção científica tem uma FAQ – Frequently Awkward Question, Pergunta Embaraçosa Frequente – ou duas, e para mim é esta: “Como é possível trabalhar como autor de ficção científica, prevendo o futuro, quando tudo muda tão depressa? Você não teme que os eventos reais ultrapassem aqueles que você descreveu?”
É uma pergunta do tipo sincero, e seu autor ainda faz a gentileza de escalar você como Sábio Previsor no pacote, mas acho que é uma bobagem. Escritores de ficção científica não prevêem o futuro (a não ser por acidente), mas, se forem muito bons, talvez consigam prever o presente.
Do tirocínio futurista dos economistas nem é preciso falar. Mas será que os cientistas se saem melhor? Não muito, segundo este artigo de Stuart Blackman na “The Scientist”:
Naturalmente, os cientistas são fortemente incentivados a fazer previsões ousadas – a saber, para conquistar financiamentos, influência e acesso a publicações de peso. Mas, se poucos deles ficam desapontados quando seus prognósticos mais pessimistas não se confirmam, previsões não realizadas – do tipo que estamos vendo cada vez mais – podem ser um golpe duro para os pacientes, os encarregados de traçar políticas públicas e a própria reputação da ciência.
Depois de considerar tudo isso, não resisto a uma previsãozinha singela: em 2050, se o mundo não acabar antes, o ser humano ainda estará prevendo o futuro. E errando.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Rosângela, suspende a pinga, que está te fazendo mal.
Sergio,parabéns pela sua delicadeza.
Tibor Morics, amado! Nem sabia que o Tibor aqui era você. rsrsrs Verdade. Estou pensando que é um guru por aí. Perdoa eu fio, nem conheço você … Não tem nada a ver com você, não tem, apesar de nem te conhecer. Só quero deixar claro que se este nome está ligado a alguem que está comentando aqui, não foi esta minha intenção. Creia. Querido Tibor, acabo de tirar você desta encrenca. Agora entendo porquê você achou que tomei pinga. Meu Deus!!! Que horror.. Sabia lá quem era Tibor…
Esqueça este episódio, Rosângela. Foi divertido.