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“É muito difícil pensar em ’ser escritor’ quando se nasce num país em
que ninguém lê: os pobres porque não sabem ou porque não possuem
meios para adquirir conhecimentos, e os ricos porque não sentem
vontade. Numa sociedade assim, querer ser escritor não é optar por
uma profissão, mas por um ato de loucura.” MARIO VARGAS LLOSA

17/10/2009 - 17:01

Curiosidades etimológicas: Esculachar

“Esculachar”, um dos verbos centrais da linguagem bandida de hoje, significa, como se sabe, baixar o cacete. Seu charme marginal lhe garante presença no vocabulário de um grande número de falantes urbanos, especialmente jovens. A maioria nem deve imaginar que se esculacha no Brasil faz tempo.

Tudo indica que a palavra nos chegou com os imigrantes italianos no início do século 20. Sculacciare vem de culo e quer dizer dar palmadas na bunda, especialmente de crianças. Entre nós, teve seu sentido ampliado para se tornar, ao longo de quase todo o século passado, o verbo mais expressivo para a ação de repreender de forma violenta ou grosseira.

Fazia tempo que o esculacho andava fora de moda: nas últimas décadas foi perdendo a preferência dos falantes para o esporro. O mais interessante é que volta à cena assumindo um significado mais próximo do original, ligado à violência física, do que daquele que por muito tempo foi o mais corrente. Algumas palavras hibernam.

Publicado no “NoMínimo” em 11/8/2005.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): A palavra é... Tags:

24 comentários para “Curiosidades etimológicas: Esculachar”

  1. Rosângela disse:

    kkkkkkkkk levei muito esculacho… pelos “bad blogs”…kkkk mas já perdoei todos… nem doeu… rsrs ( tinha hora que ficava até com vergonha dos carões…) kk

  2. Lenin Pires disse:

    Interessante a proposta. Eu, de minha parte, acredito que o termo “Esculachar” tenha correspondência com o seu co-irmão “esculhambar”, que provém de “culhão”, como propõe outro Sérgio, o Buarque de Holanda. Neste sentido, o termo esculachar me sugere um tipo de ação insultante onde a pessoa – seja homem ou mulher – tem simbolicamente seu “saco escrotal” extirpado e, dessa forma, comprometida sua capacidade de reprodução de suas estratégias de participação no espaço público brasileiro. Para mim, é um termo que faz alusão ao hábito dos senhores de escravos de, para castigar escravos fujões, esmigalhar parte de seu aparelho reprodutor com pedras. Era uma forma recorrente de castigo, pelo menos até as primeiras décadas do século XIX, quando os ingleses obrigaram a interrupção do tráfico de negros escravos.

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