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“É muito difícil pensar em ’ser escritor’ quando se nasce num país em
que ninguém lê: os pobres porque não sabem ou porque não possuem
meios para adquirir conhecimentos, e os ricos porque não sentem
vontade. Numa sociedade assim, querer ser escritor não é optar por
uma profissão, mas por um ato de loucura.” MARIO VARGAS LLOSA

29/07/2009 - 13:52

A Copa de Paulo Coelho

Para quem ainda não sabe: semana passada foi divulgada a lista dos concorrentes à terceira edição da Copa de Literatura Brasileira, um divertido – e ambicioso na medida inversa de sua pompa – prêmio literário em formato de torneio esportivo mata-mata que sempre mereceu a torcida deste blog.

Este ano vai ser diferente: pela primeira vez não tenho envolvimento algum na Copa. Depois de estar entre os concorrentes do primeiro ano (meu romance “As sementes de Flowerville” chegou à semifinal) e entre os jurados na temporada seguinte (minha resenha levou “O dia Mastroianni” à final contra “O filho eterno”, que acabou campeão), agora estou na posição de simples torcedor.

Uma boa posição. De fora é mais fácil parabenizar o organizador da CLB, Lucas Murtinho, por ter desistido de levar em conta o “voto popular”, que ano passado transformou alguns escritores em candidatos a vereador e chegou perto de estragar a brincadeira. É também mais tranqüilo elogiar a lista de concorrentes, um interessante recorte no universo de romances brasileiros publicados em 2008:

“Acenos e afagos”, de João Gilberto Noll.
“Areia nos dentes”, de Antonio Xerxenesky.
“A arte de provocar efeito sem causa”, de Lourenço Mutarelli.
“O conto do amor”, de Contardo Calligaris.
“Cordilheira”, de Daniel Galera.
“Dias de Faulkner”, de Antônio Dutra.
“O fazedor de velhos”, de Rodrigo Lacerda.
“Flores azuis”, de Carola Saavedra.
“Galiléia”, de Ronaldo Correia Brito.
“Jonas, o copromanta”, de Patrícia Melo.
“O livro dos nomes”, de Maria Esther Maciel.
“Manual da paixão solitária”, de Moacyr Scliar.
“Órfãos do Eldorado”, de Milton Hatoum.
“O ponto da partida”, de Fernando Molica.
“O vencedor está só”, de Paulo Coelho.
“O verão do Chibo”, de Vanessa Barbara e Emilio Fraia.

Li apenas cinco dos 16: “Cordilheira”, “Dias de Faulkner”, “Órfãos do Eldorado”, “O ponto da partida” e “O verão do Chibo”. A proporção de 30% pode até ser considerável comparada à da média dos leitores, mas é pequena demais para que eu arrisque sem leviandade um favorito pessoal. Seja como for, o saldo que me ficou dos altos e baixos dessa amostra foi suficientemente positivo para garantir meu interesse pela Copa 2009 – sem mencionar as boas menções que li e ouvi a outros títulos.

E ainda nem falei do que promete ser a atração principal, pelo menos na primeira fase: Paulo Coelho, que está acostumado a ser uma ausência mais que conspícua nos prêmios ditos sérios. Descartar liminarmente o homem, hábito da intelectualidade brasileira, é fácil – mas é também tedioso. Quero ver como o pessoal se sai tendo que lê-lo.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria Tags:

39 comentários para “A Copa de Paulo Coelho”

  1. João disse:

    PAULO COELHO: Partindo do princípio, todo país tem seus charlatões que dão certo e ficam ricos, os ditos Gurus. Lembram que o Fantástico andou mostrando matérias sobre um cientista que dava uma bolada em dinheiro a quem provasse algum tipo de paranormalidade? (foi isto? É que eu não sou de acompanhar domingo a domingo o Fantástico). O nosso Guru tupiniquim, o lá do Rio G. do Sul (que já foi guru ou ainda é, das exóticas Baby do Brasil, Rita Lee, provavelmente da Elba Ramalho) andou dando entrevistas dizendo que ia aos EUA desafiar o cientista cético e blá, blá, blá. Ele foi lá mostrar seus poderes paranormais? É aí que se pega os charlatões. Mas ele não tem poderes? Porque não ganhou estes milhares de dólares? Engana-me que eu gosto. O guru indiano Mabarishi tentou dar um golpe nos Beatles, só que o John Lennon descobriu a tempo a farsa do esperto e voltaram para a Inglaterra. O nosso Paulo Coelho, outro Guru tupiniquim, diz que faz chover e ventar. Disseram-me que certa vez a Bruna Lombardi entrevistou-o e pediu para o mesmo fazer chover e ventar e o dito cujo falou que aquele momento e lugar não eram propícios. Paulo Coelho é tido como Gênio por muitos (em terra de cego quem tem um olho só é rei). Escreve coisas lindas no Jornal O Globo aos domingos e diariamente no Extra que pertence aos Marinhos. No Extra ele fala coisas tipo: bondade, sabedoria, o mestre falou pro discípulo… grandeza da alma humana, os sábios orientais etc. (Quem lê sabe do que estou falando). Pois bem, a Veja cita Paulo Coelho como um dos que contribui com instituições de caridade (ele tem a sua). Como meus neurônios não são atrofiados e funcionam razoavelmente bem eles me alertaram para o seguinte: Se o Paulo Coelho é tão humanitário e dá lições de moral no que escreve porque no dia que o Zé Ramalho lhe pediu para ser recebido pelo mesmo para lhe pedir autorização para incluir em seu CD algumas músicas de autoria dele com o Raul Seixas o mesmo além de não lhe receber nem uma resposta por escrito lhe mandou? (Zé Ramalho fez um CD em homenagem ao Raul Seixas, gravando suas músicas). Que arrogância do Mago que faz chover e ventar. O Zé Ramalho ficou muito magoado. – Acho que o Paulo Coelho só entrou na Academia de Letras porque trabalha para o Sistema Globo. Deve ter tido muito lobby. Quem acha que não, procurem saber sobre o livro que cita as “contribuições” do Dr. Roberto para esta instituição. É o poder da influência.
    Ah, só mais uma, a Dina Sfat (foi atriz de novelas e cinema) já doente foi a um Guru e o mesmo lhe falou que a mesma ainda viveria muito. Uma semana depois a mesma faleceu.

  2. ri ventura disse:

    Um feiticeiro africano conduz seu aprendiz pela floresta. Embora mais velho, caminha com agilidade, enquanto seu aprendiz escorrega e cai a todo instante. O aprendiz blasfema , levanta – se, cospe no chão traiçoeiro, e continua a acompanhar seu mestre.

    Depois de uma longa caminhada, chegam a um lugar sagrado. Sem parar, o feiticeiro dá meia volta e começa a viagem de volta.

    – Você não me insinou nada hoje – diz o aprendiz, levando mais um tombo.

    – Ensinei sim, mas você parece que não aprende – responde o feiticeiro. – Estou tentando lhe ensinar como se lida com os erros da vida.

    – E como lidar com eles?

    – Como deveria lidar com seus tombos – responde o feiticeiro. – Em vez de ficar amaldiçoando o lugar onde você caiu, devia procurar aquilo que te fez escorregar.

    Trecho do livro Maktub, de Paulo Coelho

    PÉROLA DA LITERATURA OU PIADA DE MAL GOSTO????

  3. Claudio Faria disse:

    Sobre a tal entrevista do Coelho com a Bruna Lombardi, citada pelo João mais acima, eu testemunho: EU ASSISTI! Ninguém me contou.

    Não bastasse ele dizer que “aquele não era o momento e o lugar”, uns 10 minutos depois (a entrevista era ao ar livre) uma leve brisa mexeu com a ramagem. Ele parou, sorriu, e apontando para o alto, disse, com ar de superioridade: “Viu?”

    O detalhe não é ele ser apenas uma fraude. É ele ser péssimo escritor. Os tais textos publicados n’O Globo e no Extra são, em sua maioria, de literatura oriental (zen, sufi, budista, hindú, etc). Ele apenas os reescreve (piorando-os, por sinal).

    Ou seja, ele ganha o dinheiro mais fácil do mundo, “chupando” textos antigos e publicando-os nos jornais. Já me ofereci ao Globo para fazer o mesmo ganhando muito menos. Aceito até que me chamem de mago, e quando bater uma brisa, poderei até dizer que fui eu o responsável. Por exemplo, sou eu quem estou fazendo chover no Rio de Janeiro nesse momento.

  4. Claudio Faria disse:

    Me esqueci de mais um detalhe. Na tal entrevista ele disse mais; disse que era capaz de tornar-se invisível (!!!!!). De novo questionado pela Bruna, de novo saiu-se pela tangente.

    Parece mentira, mas não é.

  5. Tibor Moricz disse:

    Cuidado! Vocês estão prestes a sofrer a terrível maldição do mago Cláudio Soares. Ele e Paulo Coelho são assim, ó.

  6. Mr. WRITER disse:

    Que é literatura é, só que também é RUIM…

    Eu acho ruim… assim como acho ruim Dan Brawn (é assim?). Não me diverte, não me prende, não me fascina… só isso já é suficiente, para, de meu ponto de vista, ser literatura ruim.

  7. Tomás disse:

    Eu acho que o Paulo Coelho é mesmo mágico.
    Que outra explicação haveria para o fato dele ainda causar tanta polêmica. Quer dizer, o povo aqui, do Todoprosa, perde um tempão falando mal do cara que já foi totalmente apedrejado, mas continua sorrindo e vendo sua conta bancária crescer. E até eu, que não vejo sentido nenhum nessa discussão, estou aqui, pensando no sujeito.
    Humpf, só pode ser magia mesmo.

  8. Inutil disse:

    Para Eric Novello.
    Li Galileia. Recomendadíssimo. Gosto muito de contos, terreno que o Romero Correia de Brito domina como poucos, e achei que ele perderia um pouco na passagem para o romance. Mas não. Pode ler sem medo.

  9. Tibor Moricz disse:

    Cuidado com as generalizações. Se tudo o que não me prende, nem diverte, nem fascina for considerado péssima literatura, então Joyce é uma bosta.

  10. Otto disse:

    Pela pequena amostra aqui este ano a Copa de Literatura vai ferver. Pena que 98% dos comentários serão monopolizados pelo assunto Paulo Coelho. Nada contra falar sobre o homem. Mas engraçado como em alguns casos a paixão toma o lugar da razão!

  11. Pedro de Oliveira disse:

    Ele é um fenômeno… Fenônemo de vendas! Rá!!!

  12. Mr. WRITER disse:

    Tibor,
    daí mesmo que coloquei “do meu ponto de vista”… se Joyce me prende, nem diverte, nem fascina EU considero boa literatura.

    Sacou? Acho que isso tudo depende de leitor para leitor. Não digo que algo é bom até que tenha lido.
    Já li algumas coisas super-valorizadas pela crítica “especializada” e achei uma verdadeira bosta.

  13. Mr. WRITER disse:

    Para complementar, também já li coisas que a “critica especializada” e os “leitores cultos” têm verdadeiro horror (e não, não é Paulo Coelho).

    Mas isso tem a ver com o fato de que muita gente lê pelo motivo errado, lê para, como se diz, “se achar”, “se sentir”…

    Eu leio para me divertir… E que nem aquele lance dos filmes de arte e dos filmes blockbuster ou pipoca… Tem gente que se diverte vendo um tipo, tem gente que se diverte vendo outro tipo e há aqueles que se divertem vendo ambos.

    Acho que com livros é por aí. Há os que lêem de tudo um pouco, há os que só lêem o pouco, há os que lêem tudo, os que não lêem nada e há os quem fazem tudo isso pra ou quase tudo isso para se divertir com uma boa história.

    Mas sempre gostei de dizer que literatura é boa só nos livros, porque discutir sobre literatura já se tornou algo como discutir política, religião e futebol…

    É até uma questão de lógica.
    Lógica real: Eu digo que tenho um lápis e mostro para você que tenho um lápis…

    Lógica Religiosa: Eu digo que tenho um lápis e peço para que você prove que eu não tenho um lápis…

    Reflictam…

  14. Mr. WRITER disse:

    Agora é só esperar as teses que vão ser elaborada com base em nesses comentários…

    :B

  15. Mosca de 10.000 anos disse:

    O problema do Paulo Coelho é que, quando ele “virou” escritor, o Brasil inteiro já conchecia a “peça” de outros carnavais, dos seus “rocks protesto” com Raul Seixas…E, naquela época, todo mundo já percebia o Belchior era muito melhor. poeticamente..
    “Eu soooooooou apenas uma rapaz, latiiiiiiino américano, sem dinheiro no bolsooooo….”

  16. Saint-Clair Stockler disse:

    Sobre o Paulo Coelho:

    Eu não mencionei, em momento algum, qualidade (ou a falta dela). Só quis fazer ver aos nobres colegas todoprosianos que Paulo Coelho é, sim, para o bem ou para o mal (ou seria para o bom e para o mau?), literatura. Ponto.

  17. Kleber disse:

    Creio ser boa a participação de Paulo Coelho, afinal, mesmo não gostando, negar o rótulo Literatura para o autor é questionável. Vivem chamando esses livros iranianos que fazem sucesso pelos mesmos motivos dos livros do PC de Literatura… Apesar de ruim, ao meu ver, não é um texto tão fraco como romance como, por exemplo, um desses livros de bolso Sabrina, para afirmar tão claramente não ser Literatura. Vou acompanhar a discussão e espero a oportunidade para ver argumentos contra o autor (ou a favor, quem sabe, dizem que os últimos livros dele não são tão ruins – por isso andam vendendo menos? rs.) e não apenas xingamentos.

  18. Arnoldo disse:

    Pô, gente… E o Chalita? Que injustiça!

  19. Maria H. San disse:

    Fala-se de estética como argumento-mor na constituição do livro, mas se esquece que a mensagem para ser passada precisa de substância e clareza, estilo é perfumaria. Claro que enleva o espírito, mas apenas de maneira intelectual. Um enelvo superior, realmente espiritual necessita mais do que mentes e dedos sobre teclados. Precisa do resto do corpo e da consciência desperta, coisa que fanáticos por ‘intelectualismo’., não alcançam.

    O diferencial do Paulo é que ele teve coragem de passar a sua mensagem com simplicidade, focou na substância. Quem a utiliza como exemplo de vida cresce, quem não utiliza na prática só resta falar mal. Só compreende ao largo do próprio umbigo. E assim vem a frustração invejosa de quem não tem o sucesso que somente um mago poderia ter. São os fracassados que recriminam txts chupados, como se Freud, Jung, George Lucas não tivessem se apropriado genialmente de Shopenhauer, Platão, Nietzsche, Campbell e assim ‘construiram sobre’. Chupar é outra coisa. Nada se cria.. êe prepotência da ignorância e falácias frouxas!

    O txt abaixo, chupado do Claudio Faria, mostra o quanto a inveja é o que move as pessoas contra o Paulo Coelho.

    “Ou seja, ele ganha o dinheiro mais fácil do mundo, “chupando” textos antigos e publicando-os nos jornais. Já me ofereci ao Globo para fazer o mesmo ganhando muito menos. Aceito até que me chamem de mago, e quando bater uma brisa, poderei até dizer que fui eu o responsável. Por exemplo, sou eu quem estou fazendo chover no Rio de Janeiro nesse momento.”

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