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“É muito difícil pensar em ’ser escritor’ quando se nasce num país em
que ninguém lê: os pobres porque não sabem ou porque não possuem
meios para adquirir conhecimentos, e os ricos porque não sentem
vontade. Numa sociedade assim, querer ser escritor não é optar por
uma profissão, mas por um ato de loucura.” MARIO VARGAS LLOSA

08/07/2009 - 18:10

‘Coetzee hath spoken’

Ele vai com seu pai a Newlands porque o esporte – rúgbi no inverno, críquete no verão – é o mais forte laço sobrevivente entre eles, e porque atravessou seu coração como uma faca, no primeiro sábado após seu retorno ao país, ver seu pai vestir o casaco e, sem uma palavra, sair na direção de Newlands como uma criança solitária.

Seu pai não tem amigos. Ele também não, embora por razões diferentes. Tinha amigos quando era mais jovem; mas esses velhos amigos estão agora dispersos pelo mundo e ele parece ter perdido o jeito, ou talvez a vontade, de fazer novos. Assim, viu-se arremessado de volta a seu pai, e seu pai arremessado de volta a ele. Como vivem juntos, aos sábados se divertem juntos. É a lei da família.

Atenção, coetzeemaníacos: o New York Review of Books – que resenha muito mais ficção do que a publica, mas nos últimos anos tem andado mais soltinho – antecipa um trecho (de onde traduzi os dois parágrafos acima) do próximo romance do homem, chamado Summertime, que sai em breve por lá.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria Tags:

7 comentários para “‘Coetzee hath spoken’”

  1. Walter disse:

    Que coisa linda!

    “And to be beside her all day, conscious of her slightest stirring: did his father’s sad response to Dr. Schwarz’s lifestyle quiz—”Have relations with the opposite sex been a source of satisfaction to you?”—”No”—have something to do with coming face to face, in the wintertime of his life, with beauty such as he has not known before and can never hope to possess?”

  2. Luiz Cláudio disse:

    No caso de J. M. Coetzee, até os livros menos citados são memoráveis. Leia, quem puder, “Terras de Sombras”. O escritor embrenha o leitor no universo da África do Sul. O lugar é fascinante e difícil, como o famoso “Desonra” deixa evidente.

    O último livro dele, “Diário de Um Ano Ruim”, foi uma excelente surpresa que, pela ousadia formal, não recomendo como primeira leitura de quem não o conheça.

    Além de J. M. Coetzee, Philip Roth e Ian McEwan são escritores infalíveis e divertidíssimos.

  3. Mr. WRITER disse:

    Além de J. M. Coetzee, Philip Roth e Ian McEwan são escritores infalíveis e divertidíssimos. [2]

    O Luiz Cláudio disse bem…

  4. Carlos Eduardo disse:

    “Além de J. M. Coetzee, Philip Roth e Ian McEwan são escritores infalíveis e divertidíssimos.”

    *

    “O Luiz Cláudio disse bem…”

    *

    Concordo cem por cento.

  5. Tatiana Siqueira disse:

    Ótimo texto. Bela tradução.

    (Se puder, corrige aí rapidinho: o pai pôs o casaco antes de sair, não o chapéu. Um lapso, claro, mas não custa avisar.)

  6. Sérgio Rodrigues disse:

    Ops, Tatiana, obrigado pelo toque. Acho que ainda prefiro o chapéu (vi a cena direitinho), mas o autor é o cara e é preciso respeitar. Um abraço.

  7. rafael justo disse:

    concordo plenamente com claudio,começei pelo “Diário de um Ano Ruim” ,não é realmente bom começar por ele,li depois Desonta….Desculpa mas,não tenho palavras para descrever o livro.

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