iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade

“É muito difícil pensar em ’ser escritor’ quando se nasce num país em
que ninguém lê: os pobres porque não sabem ou porque não possuem
meios para adquirir conhecimentos, e os ricos porque não sentem
vontade. Numa sociedade assim, querer ser escritor não é optar por
uma profissão, mas por um ato de loucura.” MARIO VARGAS LLOSA

07/07/2009 - 11:46

Um balanço impressionista

A Flip 2009 – que para mim e muita gente foi uma das melhores da série, logo atrás da edição de 2004 – vai começando a desbotar em contato com a realidade, que aliás não existe, como proclamou por lá um autor que agora não recordo. E se a memória, como sabemos, tem uma vontade própria e meio insondável na hora de decidir o que será guardado e o que será posto fora, não custa fazer um exercício de futurologia para tentar antecipar algumas cenas e ditos públicos que têm tudo para ficar arquivados anos a fio, em meio aos muitos prazeres de que o fim de semana prolongado foi cheio. Por exemplo: alguém chamando o debate-lavanderia entre a artista francesa Sophie Calle e seu ex, Grégoire Bouillier, de “Márcia Goldsmith na Casa do Saber” – perfeito. Ou o historiador inglês Simon Schama, sessentão alucinado, se escangalhando de dançar, com direito a longas sessões de air guitar, na festa promovida pelo portal Saraiva na Casa de Cultura, sábado à noite. A mesma festa em que Alex Ross, crítico de música clássica da “New Yorker”, arriscou um rebolado ao som de Sidney Magal. Mas talvez o melhor de tudo seja a alcunha que meu amigo Paulo Werneck pespegou em Lobo Antunes após a melhor mesa do evento: “turrão de açúcar” – simplesmente genial. Sim, deve ter havido coisas bem mais doutas e relevantes, não se discute. Mas sabe como é a memória…

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria Tags:

15 comentários para “Um balanço impressionista”

  1. Rodrigo disse:

    “…a realidade, que aliás não existe, como proclamou por lá um autor que agora não recordo. ”

    falsa modéstia…ehhehe

  2. Sérgio, é isso aí. Essas lembranças são as melhores (tenho as minhas da edição 2004). Parabéns de novo pela mesa (vi alguns trechos online) e bem-vindo de volta! :-)

  3. Tibor Moricz disse:

    Sobrou o melhor, então.

  4. Eu lembro com muito carinho da Edição de 2005, com Rushdie.

  5. Edson Bueno de Camargo disse:

    para mim a melhor foi a que consegui ir, quando fui buscar o Prêmio OFF FLIP de poesia. 2006

  6. Diana Zaidman disse:

    Tenho vindo a muitas FLIPS.Cada um com sus peculiaridades.Mas esta foi, sem dúvida, uma das melhores.Talvez a melhor.LOBO ANTUNES é qualquer coisa de indizível.Pobre de ti Saramago!!A última mesa, com os versos de Bandeira foi brilhante.Enfim, o saldo é muito, muito positivo.

  7. sidneiaugusto disse:

    Não vi nenhum comentário sôbre a situção de escandalos no Senado , nada sôbre o membro da Academia de Letras e digno presidente do Senado Sr José Sarney bem como de seus atuais eferrenhos defensores de esquerda

    O que aconteceu com a classe literária e Cultural da Nação perderam a sua capacidade de se indignar com o que está errado , sugiro que leiam Paulo Freire e seus textos sôbre a Consciência Ingenua e Consciência Critica

  8. Eu queria que o Lobo Antunes fosse o meu pai…

  9. merda nenhuma filhos das putas

  10. Carlos Eduardo disse:

    O Saint-Clair Stockler, que tem uma das prosas mais refinadas da literatura brasileira atual, fez o comentário que eu gostaria de ter feito.

  11. Djalma Toledo disse:

    Cai na real Sérgio Rodrigues

  12. Luiz Cláudio disse:

    “Ou o historiador inglês Simon Schama, sessentão alucinado, se escangalhando de dançar, com direito a longas sessões de air guitar, na festa promovida pelo portal Saraiva na Casa de Cultura, sábado à noite. ”

    Como iniciativa, a Flip é louvável. Mas o público ali parece ser mais tiete de alguns poucos do que leitor interessado. Chico Buarque que o diga. O trecho acima dá o tom do mercantilismo meio bocó que toma conta de ambientes como aquele. Mas não falo isso nem tanto pela festa, ok?, mas por ter sido uma festa da Saraiva.

    Falo isso porque, a propósito das férias escolares, está disponível em qualquer loja da rede (megastore Saraiva, este é o nome do troço) um folheto muito interessante, chamado “Férias Saraiva- Tudo para sua viagem do começo ao fim”.

    Entre vários guias Folha, Michelin, Key Guides, Frommer’s, há uma lista de livros “afins” com o tema: Sob o Sol de Toscana, de Frances Mayes, Querida Companhia Aérea, de Jonathan Miles. Aí sapecaram o Saga Lusa- O Relato de Uma Viagem, de Adriana Calcanhoto, que, apesar do título, não trata de turismo, mas sim de um surto psicótico que ela sofreu durante uma turnê em Portugal. Seria otimista se eu dissesse que o livro foi selecionado porque a turnê foi em Portugal e não pelo título, que cita a palavra “viagem”. Google faria melhor.

    A Saraiva tem estagiários iletrados que fazem seus folderes. E, se leitores desinformados caem no conto do vigário, merecem ter caído. Eis um casamento é perfeito. E nada melhor do que uma festa em Paraty para comemorar, né não?

    Por isso eu compro livros com livreiros. Saraiva never.

  13. Eu disse:

    Caro Luiz Cládio,
    Comprar livros com livreiros? O melhor livreiro sou eu, pra que vou precisar da ajuda de outro? A Saraiva é só mais uma loja que vende, entre outras coisas, livros. No dia em que precisar da ajuda de alguém pra escolher os livros que quero ler, paro de ler.

  14. Luiz Cláudio disse:

    Eu,

    Eu concordo contigo. Apenas mostrei como as livrarias (megastores e tais) estão cada vez mais subestimando a inteligência dos consumidores. Ou estimando corretamente o público que mais a frequenta. Sabe-se lá.

    Por isso que sebos e similares são mais frequentáveis por quem gosta de… livro. Pelo livro.

    A diferença no nível dos funcionários dos dois ambientes é gritante. Exceção feita à Livraria Cultura.

  15. Eduardo disse:

    Sérgio, aquele cara muito louco ali do lado era o Simon Schama? Acho que fiz alguma piada lá que ele não entendeu. rs Gostei do post. Abçs.

Deixe um comentário:

Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!

Os campos com * são de preenchimento obrigatório






Voltar ao topo