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“É muito difícil pensar em ’ser escritor’ quando se nasce num país em
que ninguém lê: os pobres porque não sabem ou porque não possuem
meios para adquirir conhecimentos, e os ricos porque não sentem
vontade. Numa sociedade assim, querer ser escritor não é optar por
uma profissão, mas por um ato de loucura.” MARIO VARGAS LLOSA

31/05/2009 - 10:36

Começos (ainda) inesquecíveis: Graciliano Ramos

Antes de iniciar este livro, imaginei construí-lo pela divisão do trabalho.

Dirigi-me a alguns amigos, e quase todos consentiram de boa vontade em contribuir para o desenvolvimento das letras nacionais. Padre Silvestre ficaria com a parte moral e as citações latinas; João Nogueira aceitou a pontuação, a ortografia e a sintaxe; prometi ao Arquimedes a composição tipográfica; para a composição literária convidei Lúcio Gomes de Azevedo Gondim, redator e diretor do Cruzeiro. Eu traçaria o plano, introduziria na história rudimentos de agricultura e pecuária, faria as despesas e poria o meu nome na capa.

O intrigante começo de “São Bernardo” (1934), de Graciliano Ramos (39.a edição, Record, 1983), apareceu aqui no blog no distante 20/6/2006. Já estava na hora de voltar.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria Tags:

8 comentários para “Começos (ainda) inesquecíveis: Graciliano Ramos”

  1. isaac disse:

    mestre supremo.
    para mim o maior romancista desse país.

  2. Carlos Eduardo disse:

    Concordo com o isaac: mestre supremo.

    Só não digo que é o melhor romancista deste país porque há Machado de Assis. Mas pra mim é o único romancista brasileiro do século XX que mereceu, de verdade, o Nobel.

  3. Cezar Santos disse:

    Escritorzaço!
    E esse início…. percebo um carrada de ironia, naquele estilo enviezado, torto dele, disfaçado em clareza e limpidez. Coisa de gênio, mesmo.

  4. Poderíamos dizer que temos três grandes romancistas brasileiros? Machado, Rosa e Graciliano Ramos?

  5. Rafael disse:

    Sempre achei uma incoerência inexplicável o Graciliano Ramos ter feito do bronco Paulo Honório o narrador em primeira pessoa do livro.

    Para mim, este “intigrante começo” de São Bernardo é uma fratura no edifício de verossimilhança realista que o velho Graça tentou erguer.

  6. Mário disse:

    Um desafio: qual início dos livros de Graciliano não é inesquecível?

  7. Carlos Eduardo disse:

    Respondendo ao Mário: acho que o começo de Caetés não é tão bom quanto o dos outros livros do mestre.

  8. Laurindo B. Regueira disse:

    Loas ao “Velho Graça”.
    Pérola especial de nossa literatura, entre algumas outras de beleza e de grandeza que nos orgulham.
    Bela lembrança, Sérgio Rodrigues

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