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“É muito difícil pensar em ’ser escritor’ quando se nasce num país em
que ninguém lê: os pobres porque não sabem ou porque não possuem
meios para adquirir conhecimentos, e os ricos porque não sentem
vontade. Numa sociedade assim, querer ser escritor não é optar por
uma profissão, mas por um ato de loucura.” MARIO VARGAS LLOSA

25/04/2009 - 10:58

Patrimonialismo

Ao fazer seu mea culpa no caso do uso abusivo pelos parlamentares de passagens aéreas pagas pelo contribuinte, o deputado Fernando Gabeira deu certa profundidade ao debate: “Agi como se a cota fosse minha propriedade soberana”, disse a Josias de Souza, da Folha de S.Paulo. “Confesso que caí na ilusão patrimonialista brasileira.” O uso do conceito de patrimonialismo, termo do vocabulário sociológico, é preciso. Estranho é vê-lo associado à palavra ilusão.

Patrimonialismo vem de patrimônio, do latim patrimonium – em seu sentido original, conjunto dos bens paternos, herança familiar. Mas o significado que vem ao caso nasce como um conceito cunhado pelo jurista alemão Max Weber (1864-1920), um dos pais da sociologia. Em linhas gerais, trata-se de uma forma de dominação política comum em regimes absolutistas, em que o governante não diferencia bens particulares de públicos, tratando a administração como assunto pessoal.

O patrimonialismo weberiano encontrou solo fértil no pensamento brasileiro do século 20. O primeiro a usá-lo foi Sérgio Buarque de Hollanda no clássico Raízes do Brasil. “Para o funcionário ‘patrimonial’, a própria gestão política apresenta-se como assunto de seu interesse particular”, escreve ele, parecendo falar do que ocorre hoje no Congresso. “As funções, os empregos e os benefícios que deles aufere relacionam-se a direitos pessoais do funcionário e não a interesses objetivos, como sucede no verdadeiro Estado burocrático, em que prevalecem a especialização das funções e o esforço para se assegurarem garantias jurídicas aos cidadãos.”

Como se vê, longe de ser uma “ilusão”, o patrimonialismo é um sistema bem real, tratado por Raymundo Faoro em outro livro clássico, Os donos do poder, como a característica mais marcante do Estado brasileiro. Não vai ser tão fácil sair dessa.

Publicado na “Revista da Semana”.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): A palavra é... Tags:

27 comentários para “Patrimonialismo”

  1. Marcus Wagner disse:

    Viajando…
    Eu tô viajando
    no barato da minha onda
    Não sabia pra onde ia
    e nem quem pagava a conta
    Fazia tempo que não consumia
    então deu a nóia de ir pra Holanda
    iludindo a todos, até mesmo eu vou me convencendo
    explicação atrás de explicação
    assim eu vou me mantendo…

  2. Caro Sergio,ajude a fomentar uma campanha nacional para enfrentamento da farra em todas as circunstancias na politica brasileira, no Judiciario e no jornalismo. Afinal, até quando seremos vitimas destes párias sociais.
    Será que tudo bem, sem problemas par o cidadão.
    Ainda não morremos.

  3. corinthiano do Programa Pânico disse:

    ……..Ronaldo!

  4. Marcus Wagner disse:

    …na política dessa vida
    só se dá bem quem é malandro
    na carteira alheia passa a mão
    e sai gritando pega ladrão
    Mas espera pra ver que tudo tem seu preço
    o bilhete, o voto e a paciência da nação
    seja aqui ou em outro endereço…
    O tempo é esse !

  5. marilda disse:

    Caro Paulo, por favor, não rebaixe as prostitutas para a mesma categoria dos politicos, pois ao contrário desta corja de vagabundos, as nobres prostitutas fazem jus ao dinheiro que ganham. Abraços.

  6. AIRTON - O CÉTICO disse:

    INFELIZMENTE AQUELE QUE PARECIA COERENTE FICOU ELAMEADO PELO USO DO PÚBLICO COMO SE FOSSE PRIVADO.
    NÃO CREIO NO JEITO INOCENTE E MUITO MENOS EM DEPUTADOS, CUJO NOME JÁ DA MARGEM A IDÉIA DE UMA ZONA DO MERETRÍCIO.

    AIRTON – O CÉTICO

  7. Francisco disse:

    O patrimonialismo é o conceito utilizado principalmente pelo Faoro no Brasil. O Sergio Buarque de Hollanda não trabalha mais com o de paternalismo?

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