Patrimonialismo
Ao fazer seu mea culpa no caso do uso abusivo pelos parlamentares de passagens aéreas pagas pelo contribuinte, o deputado Fernando Gabeira deu certa profundidade ao debate: “Agi como se a cota fosse minha propriedade soberana”, disse a Josias de Souza, da Folha de S.Paulo. “Confesso que caí na ilusão patrimonialista brasileira.” O uso do conceito de patrimonialismo, termo do vocabulário sociológico, é preciso. Estranho é vê-lo associado à palavra ilusão.
Patrimonialismo vem de patrimônio, do latim patrimonium – em seu sentido original, conjunto dos bens paternos, herança familiar. Mas o significado que vem ao caso nasce como um conceito cunhado pelo jurista alemão Max Weber (1864-1920), um dos pais da sociologia. Em linhas gerais, trata-se de uma forma de dominação política comum em regimes absolutistas, em que o governante não diferencia bens particulares de públicos, tratando a administração como assunto pessoal.
O patrimonialismo weberiano encontrou solo fértil no pensamento brasileiro do século 20. O primeiro a usá-lo foi Sérgio Buarque de Hollanda no clássico Raízes do Brasil. “Para o funcionário ‘patrimonial’, a própria gestão política apresenta-se como assunto de seu interesse particular”, escreve ele, parecendo falar do que ocorre hoje no Congresso. “As funções, os empregos e os benefícios que deles aufere relacionam-se a direitos pessoais do funcionário e não a interesses objetivos, como sucede no verdadeiro Estado burocrático, em que prevalecem a especialização das funções e o esforço para se assegurarem garantias jurídicas aos cidadãos.”
Como se vê, longe de ser uma “ilusão”, o patrimonialismo é um sistema bem real, tratado por Raymundo Faoro em outro livro clássico, Os donos do poder, como a característica mais marcante do Estado brasileiro. Não vai ser tão fácil sair dessa.
Publicado na “Revista da Semana”.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): A palavra é... Tags:
Viajando…
Eu tô viajando
no barato da minha onda
Não sabia pra onde ia
e nem quem pagava a conta
Fazia tempo que não consumia
então deu a nóia de ir pra Holanda
iludindo a todos, até mesmo eu vou me convencendo
explicação atrás de explicação
assim eu vou me mantendo…
Caro Sergio,ajude a fomentar uma campanha nacional para enfrentamento da farra em todas as circunstancias na politica brasileira, no Judiciario e no jornalismo. Afinal, até quando seremos vitimas destes párias sociais.
Será que tudo bem, sem problemas par o cidadão.
Ainda não morremos.
……..Ronaldo!
…na política dessa vida
só se dá bem quem é malandro
na carteira alheia passa a mão
e sai gritando pega ladrão
Mas espera pra ver que tudo tem seu preço
o bilhete, o voto e a paciência da nação
seja aqui ou em outro endereço…
O tempo é esse !
Caro Paulo, por favor, não rebaixe as prostitutas para a mesma categoria dos politicos, pois ao contrário desta corja de vagabundos, as nobres prostitutas fazem jus ao dinheiro que ganham. Abraços.
INFELIZMENTE AQUELE QUE PARECIA COERENTE FICOU ELAMEADO PELO USO DO PÚBLICO COMO SE FOSSE PRIVADO.
NÃO CREIO NO JEITO INOCENTE E MUITO MENOS EM DEPUTADOS, CUJO NOME JÁ DA MARGEM A IDÉIA DE UMA ZONA DO MERETRÍCIO.
AIRTON – O CÉTICO
O patrimonialismo é o conceito utilizado principalmente pelo Faoro no Brasil. O Sergio Buarque de Hollanda não trabalha mais com o de paternalismo?