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“É muito difícil pensar em ’ser escritor’ quando se nasce num país em
que ninguém lê: os pobres porque não sabem ou porque não possuem
meios para adquirir conhecimentos, e os ricos porque não sentem
vontade. Numa sociedade assim, querer ser escritor não é optar por
uma profissão, mas por um ato de loucura.” MARIO VARGAS LLOSA

27/01/2009 - 11:43

Sei lá, mil livros…

Quem gosta de se sentir angustiado ao contemplar toda a montanha de livros que ainda não leu vai se divertir, mesmo que perversamente, com a lista de mil romances que “todo mundo precisa ler” publicada pelo “Guardian” na semana passada (em inglês, acesso gratuito). Bobagem, claro, como toda lista do gênero.

A própria idéia de que existam mil livros de leitura “obrigatória” é absurda – seja porque, como diria Nelson Rodrigues, bastam dois ou três, seja porque a relação de cada leitor deve ser sempre profundamente pessoal e idiossincrática, sob pena de ser tão vazia quanto aquelas lombadas decorativas em estante de novo-rico. Mas vale uma olhada.

Dividida em categorias temáticas, a relação exige fôlego do leitor, mas tem lá suas compensações. Como encontrar “Dom Casmurro” na prateleira Amor e “Grande sertão: veredas” na rubrica Guerra e viagem. Ou constatar que José Saramago só comparece com “Ensaio sobre a cegueira”, o que faz pensar sobre o papel espúrio desempenhado pelo celulóide numa lista que deveria ser só de celulose. Ou ainda ficar perplexo diante de nomes obscuríssimos (talvez apenas para o leitor brasileiro ou quem sabe para mim, acho que não importa muito nesse caso) e, naturalmente, imaginar quais são as mais clamorosas ausências – nada de Juan Rulfo, vocês só podem estar de brincadeira!

O que mais exigir de listas?

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria Tags:

28 comentários para “Sei lá, mil livros…”

  1. Outro Paulo disse:

    Em relação à angústia em relação a livros não lidos: em certo momento deixei de ir a livrarias, pois não podia suportar a idéia de quanto ainda havia para ser lido… hoje, acho que estou curado. Mas nunca mais fiz listas de “livros a ler” com mais de três títulos… faz mal pra cabeça!

  2. Mr. WRITER disse:

    Tem um bom número de livros de lá que eu li, mas fiquei feliz mesmo foi por ver na lista Neuromancer de William Gibson.
    Tem lá o Desonra do Coetzee que também me deixou muito feliz…

    Agora o amigo lá mais acima falar do André Vianco foi meio dose mesmo…
    Aí faltaria só colocar o Paulo Coelho na lista…

  3. Mr. WRITER disse:

    Realmente, a ISabel tem razão, listas são puro divertimento…

    Essa aí não deixa a teoria dela fura… Só rindo mesmo.

  4. Como estão presentes Terry Pratchett e Douglas Adams, posso considerar essa uma boa lista.

    As duas séries destes dois ingleses resumem muito bem a minha lista de livros imperdíveis.

  5. Mr. WRITER disse:

    RafaelB. Dourado,
    Cara, boa essa sua lembrança. Douglas Adams é impagável.

    A ficção nunca foi tão divertida como em seus livros.
    Abraços.

  6. Joca disse:

    Pô, que ranhetice. Há dois livros de Machado de Assis na lista, pessoal! Não é extraordinário que haja dois do Machado e nenhum “Borges, Vargas Llosa, Bioy Casares e Asturias. Além do Juan Rulfo…”? Se bem vi, são quatro escritores de língua portuguesa citados, mas apenas Machado com dois livros. Fantástico! Celebremos, pombas!

  7. Hefestus disse:

    Concordo que a ausência de Rulfo numa lista com MIL livros é criticável, bem como as ausências de Lobo Antunes, Cortázar – uma lista que não tem esses caras mas tem O Caçador de Pipas é algo muito estranho, admito.

    Mas também não dá para esquecer que é uma lista feita por um jornal inglês e que privilegia, por isso, alguns autores ingleses em detrimento de um olhar mais universal – só isso explica por que eles indicam cinco livros da Muriel Spark, seis de P.G. Wodehouse e toda, mas TODA a série Discworld do Pratchett (vai ter gente reclamando desta declaração, mas para mim o humor dele e do Douglas Adams não tem graça nenhuma, parece idolatrado por quem quer ler em inglês para esquecer que fala e vive em português).

    Ainda assim, é uma lista, pôxa, ela serve exatamente para se discordar dela – literatura não é o rancho da semana, pro qual é importante uma lista. Lista é pra divertir as massas, mesmo. Isso de “etnocentrismo” não cola. Tirando algum entulho, aí tem material suficiente para um curso introdutório completo de literatura.

    Ah, sim, e viva Machado.

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