Sei lá, mil livros…
Quem gosta de se sentir angustiado ao contemplar toda a montanha de livros que ainda não leu vai se divertir, mesmo que perversamente, com a lista de mil romances que “todo mundo precisa ler” publicada pelo “Guardian” na semana passada (em inglês, acesso gratuito). Bobagem, claro, como toda lista do gênero.
A própria idéia de que existam mil livros de leitura “obrigatória” é absurda – seja porque, como diria Nelson Rodrigues, bastam dois ou três, seja porque a relação de cada leitor deve ser sempre profundamente pessoal e idiossincrática, sob pena de ser tão vazia quanto aquelas lombadas decorativas em estante de novo-rico. Mas vale uma olhada.
Dividida em categorias temáticas, a relação exige fôlego do leitor, mas tem lá suas compensações. Como encontrar “Dom Casmurro” na prateleira Amor e “Grande sertão: veredas” na rubrica Guerra e viagem. Ou constatar que José Saramago só comparece com “Ensaio sobre a cegueira”, o que faz pensar sobre o papel espúrio desempenhado pelo celulóide numa lista que deveria ser só de celulose. Ou ainda ficar perplexo diante de nomes obscuríssimos (talvez apenas para o leitor brasileiro ou quem sabe para mim, acho que não importa muito nesse caso) e, naturalmente, imaginar quais são as mais clamorosas ausências – nada de Juan Rulfo, vocês só podem estar de brincadeira!
O que mais exigir de listas?
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria Tags:
muito divertido!
Em relação à angústia em relação a livros não lidos: em certo momento deixei de ir a livrarias, pois não podia suportar a idéia de quanto ainda havia para ser lido… hoje, acho que estou curado. Mas nunca mais fiz listas de “livros a ler” com mais de três títulos… faz mal pra cabeça!
Tem um bom número de livros de lá que eu li, mas fiquei feliz mesmo foi por ver na lista Neuromancer de William Gibson.
Tem lá o Desonra do Coetzee que também me deixou muito feliz…
Agora o amigo lá mais acima falar do André Vianco foi meio dose mesmo…
Aí faltaria só colocar o Paulo Coelho na lista…
Realmente, a ISabel tem razão, listas são puro divertimento…
Essa aí não deixa a teoria dela fura… Só rindo mesmo.
Como estão presentes Terry Pratchett e Douglas Adams, posso considerar essa uma boa lista.
As duas séries destes dois ingleses resumem muito bem a minha lista de livros imperdíveis.
RafaelB. Dourado,
Cara, boa essa sua lembrança. Douglas Adams é impagável.
A ficção nunca foi tão divertida como em seus livros.
Abraços.
Pô, que ranhetice. Há dois livros de Machado de Assis na lista, pessoal! Não é extraordinário que haja dois do Machado e nenhum “Borges, Vargas Llosa, Bioy Casares e Asturias. Além do Juan Rulfo…”? Se bem vi, são quatro escritores de língua portuguesa citados, mas apenas Machado com dois livros. Fantástico! Celebremos, pombas!
Concordo que a ausência de Rulfo numa lista com MIL livros é criticável, bem como as ausências de Lobo Antunes, Cortázar – uma lista que não tem esses caras mas tem O Caçador de Pipas é algo muito estranho, admito.
Mas também não dá para esquecer que é uma lista feita por um jornal inglês e que privilegia, por isso, alguns autores ingleses em detrimento de um olhar mais universal – só isso explica por que eles indicam cinco livros da Muriel Spark, seis de P.G. Wodehouse e toda, mas TODA a série Discworld do Pratchett (vai ter gente reclamando desta declaração, mas para mim o humor dele e do Douglas Adams não tem graça nenhuma, parece idolatrado por quem quer ler em inglês para esquecer que fala e vive em português).
Ainda assim, é uma lista, pôxa, ela serve exatamente para se discordar dela – literatura não é o rancho da semana, pro qual é importante uma lista. Lista é pra divertir as massas, mesmo. Isso de “etnocentrismo” não cola. Tirando algum entulho, aí tem material suficiente para um curso introdutório completo de literatura.
Ah, sim, e viva Machado.