iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade

“O fato é que o valor intrínseco do livro, peça ou
qualquer outra coisa que o autor esteja tentando vender
é o último e menos importante fator da transação. É provável
que não haja outro ramo da indústria em que seja tão tênue
a relação entre lucro e valor real, ou em que a pura sorte
tenha papel tão destacado.” GEORGE BERNARD SHAW

Arquivo de janeiro, 2009

31/01/2009 - 09:32

Holocausto

A palavra holocausto entrou no vocabulário de nossa língua no século 14. Vinha em última análise, depois de uma tabela com o latim, do grego holókaustos, “sacrifício ritual pelo fogo”. Mas isso se tornou uma espécie de pré-história do vocábulo depois que seu sentido dominante – já como nome próprio – passou a ser o genocídio dos judeus empreendido pelo regime nazista de Adolf Hitler.

Não era a primeira vez que a palavra era usada em referência a massacres. Consta que, antes da Segunda Guerra, o brilhante orador Winston Churchill a tinha empregado para descrever o assassinato de um milhão de armênios pelo governo turco. Mas a escala inédita do extermínio de judeus europeus pelos nazistas exigia um nome próprio para marcar seu caráter único – um crime que, em relação a todos os outros pogroms que vitimaram judeus ao longa da história, era diferente “não só em grau de seriedade, mas em essência”, nas palavras da filósofa Hannah Arendt.

Holocausto começou a ganhar esses contornos específicos como tradução do termo hebraico Shoah, “catástrofe”, que já em 1940 era usado para designar o massacre de judeus poloneses pelos alemães. Segundo dicionários etimológicos americanos, a palavra apareceu registrada com inicial maiúscula pela primeira vez em 1957. Desde então, tornou-se comum ampliar seu sentido para abarcar o aniquilamento de outros povos e grupos humanos pelos nazistas, como ciganos, homossexuais e deficientes físicos.

A conotação religiosa original da palavra faz com que algumas pessoas considerem insultuoso usá-la, preferindo adotar Shoah em seu lugar. No entanto – e apesar de tentativas criminosas de negar a história, como a do bispo britânico Richard Williamson, recém-reabilitado pelo papa –, Holocausto parece ter tudo para se eternizar como expressão definitiva do horror que lhe coube nomear.

Publicado na “Revista da Semana”.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): A palavra é... Tags:
30/01/2009 - 13:07

Sei lá, mil livros… (II)

Crise séria no mercado editorial turco, o secretário-geral do sindicato nacional dos escritores aparece com uma proposta que, embora pareça fadada a ser ignorada pelo governo de lá, tem tudo para frutificar em certos setores da literatura brasileira: “Poderia ser um primeiro passo se o ministério (da Cultura) comprasse mil exemplares de cada livro publicado”. Atenção, isso é só uma notícia: depois não vão dizer que eu dei a idéia.

Via blog de livros da “New Yorker”.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria Tags:
29/01/2009 - 00:18

Prefácio do autor à edição portuguesa

“Tudo aquilo que o malandro pronuncia com voz macia é brasileiro, já passou de português.” Assim cantava o grande Noel Rosa, um dos gênios da música brasileira, num samba-crônica dos anos 1930 chamado Não tem tradução. Apesar dos óbvios pontos de contato entre a canção – que diz a certa altura que “as rimas do samba não são I love you” – e o livro que você tem em mãos, não foram tais semelhanças que trouxeram o velho sambista para esta página. Noel está aqui para ser publicamente desautorizado diante do leitor lusitano.

Porque o idioma falado no Brasil é o português, ponto. Um português à brasileira, claro, como não podia deixar de ser. No entanto, com todas todas as suas liberdades, ousadias, alfinetes espetados no umbigo, influências indígenas e africanas, plasticidade dos pronomes e paixão pelas vogais, nunca “passou de português” e não creio que algum dia passará. E por que deveria?

Se a língua de Fernando Pessoa é estrangeira para mim, então já não sei quem sou – “fico sem poder ligar ser, idéia, alma de nome a mim, à terra e aos céus”. Da língua de Luís de Camões, com seus gerúndios de sabor tão brasileiro quanto os nossos, nem se fala. Será que isso é tão difícil de entender?

Ocorre que alguns lingüistas modernos dão razão ao menino-prodígio de Vila Isabel ao defender que o idioma falado no Brasil já se diferenciou da matriz lusa de tantas e tão profundas formas que merece declarar sua independência lingüística. Uma idéia que deve encontrar aí mesmo em Portugal um bom número de adeptos contentes – afinal, melhor que aqueles lá (ou seja, nós aqui) enxovalhem sua própria língua e não a dos outros, pois não?

A satisfação que me dá a edição portuguesa deste livro tão mergulhado nas dores e delícias do “brasileiro” de Noel não se limita ao mero orgulho de autor. Confunde-se com a alegria de constatar que, muito além dos ânimos nacionalistas acirrados de parte a parte pela recente polêmica do acordo ortográfico, é possível trocar dois dedos de civilizada prosa, de preferência com uma ou outra piada de entremeio, sobre o passado, o presente e o futuro desse belíssimo patrimônio cultural que compartilhamos.

Compartilho com os leitores do Todoprosa o prefácio que escrevi para a edição portuguesa do meu livro “What língua is esta?”, uma coletânea de crônicas lingüísticas aparecidas inicialmente no “Jornal do Brasil” e no site NoMínimo, publicada aqui em 2005 pela Ediouro. Nos próximos dias, a editora Gradiva lança o livro por lá.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/01/2009 - 18:05

John Updike (1932-2009)

A morte de John Updike, hoje, aos 76 anos, de câncer no pulmão, deixa Philip Roth como o último remanescente dos Grandes Machos Narcisistas (obrigado, David Foster Wallace) que dominaram a literatura americana na segunda metade do século 20: Norman Mailer, morto em novembro de 2007, era o terceiro da trinca. Prosador excepcional e romancista por excelência do subúrbio americano, o narigudo Updike passou a vida criando alter egos mal disfarçados como Henry Bech e Rabbit Angstrom, homens solitários – ainda que às vezes (mal) casados – fixados em sexo. Escritor prolífico, foi também presença constante na imprensa como crítico literário. Dos cerca de cinqüenta livros que publicou, a Companhia das Letras tem 14 em catálogo. O mais recente deles, lançado ano passado, é “Cidadezinhas”.

Aqui, em inglês, mediante cadastro gratuito, o obituário do “New York Times”.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria Tags:
27/01/2009 - 11:43

Sei lá, mil livros…

Quem gosta de se sentir angustiado ao contemplar toda a montanha de livros que ainda não leu vai se divertir, mesmo que perversamente, com a lista de mil romances que “todo mundo precisa ler” publicada pelo “Guardian” na semana passada (em inglês, acesso gratuito). Bobagem, claro, como toda lista do gênero.

A própria idéia de que existam mil livros de leitura “obrigatória” é absurda – seja porque, como diria Nelson Rodrigues, bastam dois ou três, seja porque a relação de cada leitor deve ser sempre profundamente pessoal e idiossincrática, sob pena de ser tão vazia quanto aquelas lombadas decorativas em estante de novo-rico. Mas vale uma olhada.

Dividida em categorias temáticas, a relação exige fôlego do leitor, mas tem lá suas compensações. Como encontrar “Dom Casmurro” na prateleira Amor e “Grande sertão: veredas” na rubrica Guerra e viagem. Ou constatar que José Saramago só comparece com “Ensaio sobre a cegueira”, o que faz pensar sobre o papel espúrio desempenhado pelo celulóide numa lista que deveria ser só de celulose. Ou ainda ficar perplexo diante de nomes obscuríssimos (talvez apenas para o leitor brasileiro ou quem sabe para mim, acho que não importa muito nesse caso) e, naturalmente, imaginar quais são as mais clamorosas ausências – nada de Juan Rulfo, vocês só podem estar de brincadeira!

O que mais exigir de listas?

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria Tags:
25/01/2009 - 09:26

Começos inesquecíveis: Cormac McCarthy

Mandei um garoto para a câmara de gás em Huntsville. Foi só um. Eu prendi e testemunhei contra ele. Fui até lá conversar com ele duas ou três vezes. Três vezes. A última foi no dia da execução. Eu não tinha que ir, mas fui. Claro que não queria ir. Ele tinha matado uma garota de catorze anos e posso te dizer hoje que nunca tive muita vontade de conversar com ele, muito menos de ir à sua execução, mas fui. Os jornais diziam que tinha sido crime passional e ele me disse que não havia paixão nenhuma naquilo. Andava saindo com essa garota, mesmo tão jovem como ela era. Ele tinha dezenove. E me disse que estava planejando matar alguém desde quando era capaz de se lembrar. Disse que se o soltassem ia fazer de novo. Disse que sabia que ia para o inferno. Disse isso para mim com sua própria boca. Não sei o que pensar disso. Não sei mesmo. Achei que nunca tinha visto uma pessoa assim e fiquei me perguntando se ele seria de uma nova espécie. Fiquei observando enquanto amarravam ele no assento e fechavam a porta. Ele talvez parecesse um pouco nervoso, mas era tudo. Eu realmente acredito que ele sabia que estaria no inferno dentro de quinze minutos. Acredito nisso. E já pensei um bocado a respeito. Não era difícil conversar com ele. Me chamava de Xerife. Mas eu não sabia o que dizer a ele. O que você diz a um cara que, segundo ele mesmo, não tem alma? Por que você diria alguma coisa? Pensei bastante sobre isso. Mas ele não era nada comparado ao que viria pela frente.

O que vem pela frente é o romance “Onde os velhos não têm vez”, de Cormac McCarthy (Alfaguara, 2006, tradução de Adriana Lisboa), que a maioria deve conhecer do belo e oscarizado filme dos irmãos Coen. Mas o livro é melhor. Bem-vindo ao inferno.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria Tags:
24/01/2009 - 09:31

Lobby

Não vai ser fácil. O lobby que o presidente americano Barack Obama atacou em uma de suas primeiras medidas depois de ser empossado, numa tentativa de estabelecer um novo pacto de transparência na administração pública, é uma tradição política americana – e provavelmente universal, embora a palavra que a designa tenha surgido em Washington – que, se acreditarmos que as coisas só passam a ter existência plena quando são nomeadas, tem exatamente dois séculos de idade. Para quem acha que a realidade precede a linguagem, a tradição do lobby é ainda mais antiga.

No inglês americano, foi registrada pela primeira vez no distante 1808 – data do desembarque da família real no Brasil – a acepção de lobby como grupo de pressão ou atividade exercida por esse grupo, como forma de influenciar os políticos e obter vantagens para causas privadas, empresariais etc. O mais curioso dessa acepção é que sua origem é, por assim dizer, arquitetônica.

A palavra inglesa lobby já tinha naquela época o sentido – que conserva até hoje – de vestíbulo, salão que fica na entrada de um prédio público. Sua origem era o latim medieval laubia ou lobia, de raiz germânica, com o significado primitivo de área coberta diante de um monastério. Foi por uma simples extensão de sentido que o termo passou, com o tempo, a dar nome ao trabalho daqueles sujeitos que ficavam no lobby das casas legislativas americanas à espera dos políticos, para se pendurarem em seus ouvidos assim que eles deixassem o plenário.

De importância cada vez maior no jogo político, essa acepção de lobby foi adotada no português em algum momento do século 20. O Houaiss não sabe dizer exatamente quando isso ocorreu. Até hoje o termo mantém sua grafia original, mas isso não o impediu de se desdobrar em uma série de vocábulos aportuguesados como lobismo, lobista e lobístico.

Publicado na “Revista da Semana”.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): A palavra é... Tags:
22/01/2009 - 18:17

Enquanto o lobo não vem

Depois de orgulhosamente confirmar as presenças de Carlos Fuentes e do historiador Simon Schama, a organização da Flip anuncia seu (provavelmente) maior trunfo, o português António (com acento agudo, pois não?) Lobo Antunes. Recluso, mal-humorado, irascível, o lobo solitário que escreve a prosa mais luxuriantemente musical do português contemporâneo costuma ser confrontado com seu compatriota José Saramago por quem acredita que só pode haver um vencedor nas batalhas infinitas da literatura. Eu, que não concordo com essa bobagem, só posso adiantar que a festa deste ano em Parati está ficando imperdível.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria Tags:
21/01/2009 - 17:51

É grave a crise

Quem assina a epígrafe desse convite virtual, com a venerável chancela da PUC-RJ, é a escritora brasileira Clarisse (sic) Lispector.

O lado bom é que pelo menos acertaram o sobrenome. Não faltam Clarisses Linspector por aí.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria Tags:
20/01/2009 - 12:43

Internet, diálogos e monólogos

As possibilidades democratizantes da internet estão acelerando a degeneração da esfera pública numa proliferação de nódulos insulares, cada um combatendo uma guerra que nunca poderá ser vencida. Não se vencem nem se perdem batalhas na rede. O que resta é uma política solipsista de EU, EU, EU: meus pontos de vista, minhas verdades, meus fatos, minha dor, minha raiva. Convencer os outros e mudar o mundo ficou esquecido em favor da perpetuação da perspectiva individual.

O artigo escrito a quatro mãos por Keith Kahn-Harris e David Hayes para o Open Democracy (em inglês, acesso gratuito) parte da guerra virtual que Gaza acirrou, mas acaba tocando em alguns pontos que dizem respeito aos “debates de idéias” em geral na internet. Quem ainda não sentiu um profundo desalento e achou que perdia seu precioso tempo diante de uma discussão internética típica, ou seja, tão cheia de ofensas e certezas inabaláveis de parte a parte quanto vazia de argumentos? Mesmo aqui no Todoprosa, com suas taxas de civilidade muito acima da média, de vez em quando temos uma amostra do que parece ser uma – paradoxal? – vocação do meio para os múltiplos monólogos paralelos.

A solução? Sei lá. Só não acredito que seja a de submeter as caixas de comentários a uma moderação estrita ou mesmo acabar com elas, como os autores do artigo acima chegam a sugerir. Prefiro acreditar que o evidente fascínio dos leitores com sua própria voz acabará encontrando naturalmente um ponto de equilíbrio e respeito maior à divergência, à medida que a simples possibilidade de se expressar deixe de ser uma novidade para quem, durante o longo reinado da mídia tradicional, não podia ser ouvido. Ainda estamos na infância desta coisa.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria Tags:
18/01/2009 - 09:20

Começos inesquecíveis: Carlos Heitor Cony

Positivamente, meu irmão foi acima de tudo um torturado. Sua tortura seria interessante se eu a explorasse com critério – mas jamais me preocupei com problemas do espírito. Belo para mim é um bife com batatas fritas ou um par de coxas macias.

Não sou lido tampouco. A única atração que tive por livro limitou-se à ilustração de um tratado de educação sexual que o vigário do Lins fez o pai comprar para nosso espiritual proveito. Uma mulher nua, devorada por cobras e chamas, nas profundezas do inferno. Segundo o texto, era essa a imagem da luxúria e demais safadezas que atentam de uma forma ou outra contra os mandamentos da Santa Lei de Deus.

O livro fez sucesso em nossas mãos. Cometeu-se muita masturbação por causa dele – algumas páginas ficaram emporcalhadas. Se não cheguei a tanto não foi culpa da mulher, bem merecia o pecado, culpa das cobras, sempre me inspiraram repugnância.

Só creio naquilo que possa ser atingido pelo meu cuspe. O resto é cristianismo e pobreza de espírito.

Assim começa “O ventre” (Alfaguara, 2008, 12.ª edição), romance de estréia de Carlos Heitor Cony, escrito em 1955 e finalmente publicado em 1958 pela Civilização Brasileira. É impressionante constatar como envelheceu bem a narrativa brutal e malcriada do misantropo José Severo, provavelmente o mais bem acabado exemplo de existencialismo à brasileira.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria Tags:
17/01/2009 - 09:39

Vampiro

O fenômeno “Crepúsculo” está fazendo mais uma vez pela mitologia dos vampiros na cultura pop algo que combina bem com a principal característica desses seres lendários: garantir sua juventude eterna. Desde Lord Byron, passando por Anne Rice, não é de hoje que os dentuços chupadores de sangue mostram impressionante capacidade de adaptação a novos tempos.

Muita gente supõe, equivocadamente, que o monstrengo deve seu nome ao xará morcego, da família dos desmodontíneos, mas a verdade está no caminho inverso. Os bichinhos hematófagos foram batizados pelo famoso naturalista francês G.L. Buffon em 1774, quando a lenda do vampirismo já tinha se espalhado mundo afora: tratava-se de uma homenagem do cientista aos precursores do conde Drácula – que, aliás, só nasceria como personagem literário mais de um século depois, em 1897, no livro do irlandês Bram Stoker.

Entre os traços duradouros que a obra de Stoker, a mais influente do gênero, adicionou à mitologia vampiresca está a associação de sua maldição com o sexo, algo que encontrou profundas ressonâncias no público vitoriano para o qual o livro foi escrito. E que agora, curiosamente, “Crepúsculo” volta a tornar uma espécie de eixo da trama, mas em forma de ascese e negação. Sinal dos tempos?

A origem da crença em vampiros na Europa centro-oriental se perde nas brumas transilvanas da história, mas o momento em que ela transbordou para o resto do mundo costuma ser situado com precisão: a palavra húngara vampir – de fundas raízes eslavas que a tornam parente do búlgaro vapir e do ucraniano uper – chegou ao alemão em 1732, num relato de grande sucesso sobre o mito. Dois anos depois o termo estava aclimatado ao francês como vampire. Foi daí que migrou para o português. O primeiro registro em nossa língua data de 1784, segundo o filólogo Antônio Geraldo da Cunha.

Publicado na “Revista da Semana”.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): A palavra é... Tags:
16/01/2009 - 13:07

Salada da casa

A Flip anuncia a vinda do escritor mexicano (nascido no Panamá) Carlos Fuentes, de 80 anos. Pela importância histórica, um cachorro grande em Parati.

*

Khaled Hosseini e Ken Follett foram os autores mais lidos do ano passado, numa consolidação das listas de mais vendidos de nove países (de fora da Europa, só EUA e China). Paulo Coelho aparece em vigésimo lugar.

*

“Cada sentença é tão simples e verdadeira quanto o sangue.” Hã? O nível estilístico não é grande coisa, mas o entusiasmo do crítico por The taker and other stories, de Rubem Fonseca (uma coletânea americana pinçada de diversos livros e puxada por “O cobrador”, com tradução de Clifford E. Landers), vale a leitura do texto publicado este mês na revista eletrônica Words Without Borders.

*

Da editoria de bizarrices divertidas: quando você imaginou que veria Gustave Flaubert lendo um trecho de “Madame Bovary”? E tem muitas outras animações (toscas, mas…) com escritores mortos de onde saiu esta.

*

Michel Laub voltou a blogar, o que é ótimo. Mas prefere se abster de juízos sobre autores nacionais – o que é compreensível e talvez até sábio, mas uma pena assim mesmo.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria Tags:
14/01/2009 - 18:28

Shakespeare no iPhone

E enquanto os smartphones se tornam mais disseminados, em parte graças à popularidade do iPhone da Apple, também se espalham as ferramentas que facilitam para o usuário a tarefa de baixar um livro por uma fração do custo de adquiri-lo de outra forma. Usuários do iPhone e de seu primo, o iPod touch, baixaram as obras reunidas de William Shakespeare mais de 300 mil vezes da loja virtual iTunes, de acordo com a Readdle, a empresa novata baseada na Ucrânia que criou o aplicativo gratuito que torna isso possível. A seção de livros conta com cerca de setecentos títulos; sozinha, a Apple oferece também 72 audiolivros.

Na guerra dos leitores eletrônicos, a tela pequena do iPhone não parece ter munição para enfrentar a do Kindle ou similares, mas há quem acredite que a multifuncionalidade do aparelho vai compensar tudo isso – como andamos comentando aqui em julho do ano passado. O artigo recente (em inglês, acesso livre) de Olga Kharif, da “BusinessWeek”, de onde foi extraído o trecho acima, reforça essa tese. Não deve ser por outra razão que editoras graúdas como Random House e Simon & Schuster estão entrando na onda.

Não, eu não tenho um iPhone (ainda?) nem consigo me imaginar lendo naquela linda mas escassa telinha nada que tenha mais de dois parágrafos. Mas Shakespeare baixado 300 mil vezes é algo difícil de negligenciar.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria Tags:
Voltar ao topo