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“É muito difícil pensar em ’ser escritor’ quando se nasce num país em
que ninguém lê: os pobres porque não sabem ou porque não possuem
meios para adquirir conhecimentos, e os ricos porque não sentem
vontade. Numa sociedade assim, querer ser escritor não é optar por
uma profissão, mas por um ato de loucura.” MARIO VARGAS LLOSA

25/12/2008 - 12:35

Harold Pinter (1930-2008)

O dramaturgo inglês Harold Pinter morreu ontem, de câncer, aos 78 anos.

Nobel de Literatura de 2005, Pinter, muito doente, não pôde comparecer à cerimônia de premiação, mas gravou um discurso que foi exibido em Estocolmo. Então ficou claro que a saúde debilitada não tinha enfraquecido sua combatividade. O discurso incluía este irônico monólogo para George W. Bush – que àquela altura, convém lembrar, ainda tinha pencas de defensores ferrenhos por aí:

Deus é bom. Deus é ótimo. Deus é bom. O meu Deus é bom. O deus de Bin Laden é mau. É mau o deus dele. O deus de Saddam também era mau, a não ser pelo fato de que ele não tinha um. Ele era um bárbaro. Nós não somos bárbaros. Nós não cortamos cabeças. Nós acreditamos na liberdade. Deus também. Eu não sou um bárbaro. Sou o líder democraticamente eleito de uma democracia que ama a liberdade. Somos uma sociedade compassiva. Aplicamos eletrocussões compassivas e injeções letais compassivas.

Por mais que seja revoltante confrontar dessa forma um dos grandes escritores do século 20 com um anão moral, não deixa de ser tentador pensar que, agora que Bush está (espera-se) politicamente morto, Pinter pôde finalmente se deixar morrer também.

A íntegra do seu discurso de aceitação do Nobel pode ser lida no site oficial de Pinter. Ali ainda não se fala de sua morte. Mas fala-se bastante de sua vida (e obra), que afinal é o que importa.

Leia aqui, em inglês, a matéria do “Times” de Londres.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria Tags:

5 comentários para “Harold Pinter (1930-2008)”

  1. Saint-Clair Stockler disse:

    Nossa, fiquei sabendo agora há pouco, vim correndo ver se você tinha “repercutido” (argh) a informação, e estou tristíssimo. Meu Natal – que já não é lá a minha data preferida – acabou de acabar.

    Acho que vou trepar pra ver se passa.

    :-(

  2. Roberto disse:

    “Por mais que seja revoltante confrontar dessa forma um dos grandes escritores do século 20 com um anão moral, não deixa de ser tentador pensar que, agora que Bush está (espera-se) politicamente morto, Pinter pôde finalmente se deixar morrer também.”

    Na boa, Sérgio. Fico com o achar revoltante, ainda mais na morte dele. Esse coisa de jogar pedra ou sapato no Bush virou um saco, ainda bem que vem outro e vamos mudar um pouco o disco. Pinter foi um gênio, tanta coisa haveria para falar.

  3. eduardo keusseyan disse:

    cada ser temseu modo de penasr principalmente devido as condiçoes de cada um no momento vivido ,parrticularmente acho a vida ingrata conosco mortais, pois não temos como despedir desta de modo tão abrupto.

  4. Ronaldo José Tenório de Carvalho disse:

    Não conheço a obra do escritor, mas se realmente as palavras do discurso são do Bush, não se poderá considerar que a “democracia americana” que elegeu um retardado como presidente, possa ser considerada um exemplo para o mundo.

  5. Uma pena. Grande Pinter!

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