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“É muito difícil pensar em ’ser escritor’ quando se nasce num país em
que ninguém lê: os pobres porque não sabem ou porque não possuem
meios para adquirir conhecimentos, e os ricos porque não sentem
vontade. Numa sociedade assim, querer ser escritor não é optar por
uma profissão, mas por um ato de loucura.” MARIO VARGAS LLOSA

30/11/2008 - 08:16

Começos inesquecíveis: Virginia Woolf

Ele – pois não havia a menor dúvida a respeito de seu sexo, embora a moda da época contribuísse para dissimulá-lo – empenhava-se em desferir golpes de espada numa cabeça de mouro que pendia das vigas do teto.

Faltava Virginia Woolf nesta seção. Não mais: eis a primeira frase do magnífico “Orlando”, romance publicado em 1928 (Grafton Press, 1986, tradução caseira). O gancho de suspense plantado ali entre os travessões só vai se explicar lá pelo meio do livro, quando Orlando acorda de um sono mórbido de dias:

Ele se espreguiçou. Levantou-se. Ficou de pé diante de nós, inteiramente nu, e enquanto as trombetas ressoavam, Verdade! Verdade! Verdade!, não nos resta outra saída senão confessar – era uma mulher.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria Tags:

31 comentários para “Começos inesquecíveis: Virginia Woolf”

  1. ADRIANO NUNES (ASTRIPASDOVERSO.BLOGSPOT.COM) disse:

    Caro Sérgio,

    Um dos meus sonetos! Abraço forte!

    SONETO IV (PARA PÉRICLES CAVALCANTI)

    O PENSAMENTO
    PESA O POEMA.
    POR QUE SUPÕE
    SER ASSIM LEVE

    COMO UMA PENA?
    POR QUE SEQUER
    NADA PONDERA
    OU PRINCIPIA?

    O PENSAMENTO
    É MESMO CEGO.
    POR QUE NÃO VÊ

    QUE SÓ O POEMA
    TUDO SUPORTA,
    TUDO SUSTENTA?

    ADRIANO NUNES, MACEIÓ/AL.

  2. Dr. Adriano Nunes,

    Não tenho nada contra a sua proposta! PORÉM É CONSIDERADO FALTA DE EDUCAÇÃO INTERNÉTICA ESCREVER EM CAIXA ALTA, PORQUE DÁ A ENTENDER QUE SE ESTÁ GRITANNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNDO!!! Você tiraria meleca em público? Pois então: escrever em caixa alta é a mesma coisa.

    Aproveitando o ensejo, eis um poema meu, rsrsrs:

    “Estou aqui esperando o Senhor”

    Para Carmencita la Serenissima

    Estou a esperar o Senhor.
    Disseram-me que daqui a 5 minutos ele passará
    por esse caminho.
    Estou sentada e espero.
    Espero com as mãos cruzadas no colo,
    como antes de mim fizeram minha mãe
    e todas as mães do mundo.
    Mas minha mãe não esperava o Senhor,
    esperava seu homem.
    Que era, ao seu modo, o Senhor dela.
    Eu não tenho homem.
    Eu já tive muitos homens,
    mas nenhum deles foi meu senhor.
    Estou sentada e espero.
    O calor queima-me as pernas
    (quem mandou vir esperar o Senhor
    com essas saias tão curtas?)
    Sinto uma gota de suor que brota da minha nuca
    e escorre gravidade abaixo
    até chegar ao meio das costas
    e some.
    Estou sentada e espero.
    Doem-me os pés, que noto agora
    sujos de poeira
    (achei que fariam boa figura
    sandálias de couro, tão franciscanas)
    Doem-me os pés e ainda por cima estão
    sujos.
    De repente canso-me de esperar,
    sozinha debaixo do sol.
    Uma estranha idéia ocorre-me
    súbita
    como a gota de suor que há pouco
    brotou em minha nuca e
    escorreu pele das costas abaixo:
    E se o Senhor já estiver aqui?
    Se ele for este pedaço morto de árvore
    no qual estou sentada?
    Se ele for a poeira da estrada
    nas sandálias
    ou
    aquela pedra do outro lado, jogada
    dentro da vala, perto da bosta de vaca?
    O mundo é cheio de mistérios e o Senhor
    pode já ter vindo.
    Aliás, pode até mesmo ter-se
    cansado e ido embora.
    Fiquei eu.

  3. Tibor Moricz disse:

    Saint-Clair, vai arrumar alguma coisa pra fazer, vai…rs

  4. Eric Novello disse:

    Escrever tudo em maiúscula e achar bonitinho merece o prêmio ’sem noção’ da semana. Mas o Saint se sentiu ameaçado e roubou o prêmio para si com essa poesia. rs.
    Abss!

    ps. parabéns pelo novo livro.

  5. ADRIANO NUNES disse:

    Sr. Saint-Clair Stockler,

    Você ainda se prende às regras da comunicação? Então, seria incapaz de apreciar um poema concreto ou visual, ou até mesmo as canções de Carlinhos Brown ou Djavan. Jamais entenderia O disco Araçá Azul de Caetano! Se a caixa alta das palavras tanto o incomoda – sempre há o agravo de não satisfazer ao leitor o que se é proposto – ao menos devia ter sido educado, para dar o exemplo, não acha? Há zil formas de apontar erros, sem ser grosseiro ou ridículo!

    Abraço forte!
    P.s.: gostei do poema!

    Adriano Nunes.

  6. Sérgio Rodrigues disse:

    Adriano, obrigado pelo link e muito boa sorte com seus escritos. Se me permite um palpite, acho que não devia levar o Saint-Clair a mal, vamos em frente. Um abraço.

  7. ADRIANO NUNES disse:

    Grande Sérgio,

    Grato! felicidades!

    Adriano Nunes.

  8. Mr. WRITER disse:

    Belíssima escolha Sérgio…
    Realmente é um começo e um livro inesquecível.
    E como disse um amigo mais acima, Mrs Dolloway também é maravilhoso.

    Orlando é um livro pelo qual tenho carinho especial. E sempre que falo em Virginia, lembro-me de Clarice. Simplesmente perfeitas.

  9. Hefestus disse:

    “Você ainda se prende às regras da comunicação? Então, seria incapaz de apreciar um poema concreto ou visual, ou até mesmo as canções de Carlinhos Brown ou Djavan”

    Primeiro: um comentário para fazer propaganda de um blog de poesia não é a poesia propriamente dita, então sim, neste caso é saudável se ater às regras de cortesia.

    Segundo: não sei o Saint-Clair, mas acho Carlinhos Brown e Djavan um saco.

    Terceiro: esperemos o romance. Até hoje não consegui ler as “sementes…” também.

  10. Guilherme Freitas disse:

    Tem razão, para ler Virgina é preciso estar em um estado de espírito especial, é preciso estar devidamente desejoso de vivenciar uma experiência de tal magnitude.
    Orlando é realmente um tesouro da humanidade. Eu não me esqueço do cheiro de armário da rainha Elizabeth, da tribo nômade da Turquia, da conversa com o poeta (qual era o nome dele? Green?) ou o duque/duquesa com aparência de urubu… hahahaha!
    Inesquecível!!!!!!!!

  11. Gisele Lemper disse:

    Orlando pode ser para uma autodidata um caso de amor à primeira vista. E foi. Como nominimo e o todo prosa e projetoreleituras e o rafael galvao, e por aí vai pela blogosfera que gosta Muito de você. Que bom. ;-)) Um abraço da leitora do DF; -)

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