Começos inesquecíveis: Virginia Woolf
Ele – pois não havia a menor dúvida a respeito de seu sexo, embora a moda da época contribuísse para dissimulá-lo – empenhava-se em desferir golpes de espada numa cabeça de mouro que pendia das vigas do teto.
Faltava Virginia Woolf nesta seção. Não mais: eis a primeira frase do magnífico “Orlando”, romance publicado em 1928 (Grafton Press, 1986, tradução caseira). O gancho de suspense plantado ali entre os travessões só vai se explicar lá pelo meio do livro, quando Orlando acorda de um sono mórbido de dias:
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria Tags:Ele se espreguiçou. Levantou-se. Ficou de pé diante de nós, inteiramente nu, e enquanto as trombetas ressoavam, Verdade! Verdade! Verdade!, não nos resta outra saída senão confessar – era uma mulher.


Caro Sérgio,
Um dos meus sonetos! Abraço forte!
SONETO IV (PARA PÉRICLES CAVALCANTI)
O PENSAMENTO
PESA O POEMA.
POR QUE SUPÕE
SER ASSIM LEVE
COMO UMA PENA?
POR QUE SEQUER
NADA PONDERA
OU PRINCIPIA?
O PENSAMENTO
É MESMO CEGO.
POR QUE NÃO VÊ
QUE SÓ O POEMA
TUDO SUPORTA,
TUDO SUSTENTA?
ADRIANO NUNES, MACEIÓ/AL.
Dr. Adriano Nunes,
Não tenho nada contra a sua proposta! PORÉM É CONSIDERADO FALTA DE EDUCAÇÃO INTERNÉTICA ESCREVER EM CAIXA ALTA, PORQUE DÁ A ENTENDER QUE SE ESTÁ GRITANNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNNDO!!! Você tiraria meleca em público? Pois então: escrever em caixa alta é a mesma coisa.
Aproveitando o ensejo, eis um poema meu, rsrsrs:
“Estou aqui esperando o Senhor”
Para Carmencita la Serenissima
Estou a esperar o Senhor.
Disseram-me que daqui a 5 minutos ele passará
por esse caminho.
Estou sentada e espero.
Espero com as mãos cruzadas no colo,
como antes de mim fizeram minha mãe
e todas as mães do mundo.
Mas minha mãe não esperava o Senhor,
esperava seu homem.
Que era, ao seu modo, o Senhor dela.
Eu não tenho homem.
Eu já tive muitos homens,
mas nenhum deles foi meu senhor.
Estou sentada e espero.
O calor queima-me as pernas
(quem mandou vir esperar o Senhor
com essas saias tão curtas?)
Sinto uma gota de suor que brota da minha nuca
e escorre gravidade abaixo
até chegar ao meio das costas
e some.
Estou sentada e espero.
Doem-me os pés, que noto agora
sujos de poeira
(achei que fariam boa figura
sandálias de couro, tão franciscanas)
Doem-me os pés e ainda por cima estão
sujos.
De repente canso-me de esperar,
sozinha debaixo do sol.
Uma estranha idéia ocorre-me
súbita
como a gota de suor que há pouco
brotou em minha nuca e
escorreu pele das costas abaixo:
E se o Senhor já estiver aqui?
Se ele for este pedaço morto de árvore
no qual estou sentada?
Se ele for a poeira da estrada
nas sandálias
ou
aquela pedra do outro lado, jogada
dentro da vala, perto da bosta de vaca?
O mundo é cheio de mistérios e o Senhor
pode já ter vindo.
Aliás, pode até mesmo ter-se
cansado e ido embora.
Fiquei eu.
Saint-Clair, vai arrumar alguma coisa pra fazer, vai…rs
Escrever tudo em maiúscula e achar bonitinho merece o prêmio ’sem noção’ da semana. Mas o Saint se sentiu ameaçado e roubou o prêmio para si com essa poesia. rs.
Abss!
ps. parabéns pelo novo livro.
Sr. Saint-Clair Stockler,
Você ainda se prende às regras da comunicação? Então, seria incapaz de apreciar um poema concreto ou visual, ou até mesmo as canções de Carlinhos Brown ou Djavan. Jamais entenderia O disco Araçá Azul de Caetano! Se a caixa alta das palavras tanto o incomoda – sempre há o agravo de não satisfazer ao leitor o que se é proposto – ao menos devia ter sido educado, para dar o exemplo, não acha? Há zil formas de apontar erros, sem ser grosseiro ou ridículo!
Abraço forte!
P.s.: gostei do poema!
Adriano Nunes.
Adriano, obrigado pelo link e muito boa sorte com seus escritos. Se me permite um palpite, acho que não devia levar o Saint-Clair a mal, vamos em frente. Um abraço.
Grande Sérgio,
Grato! felicidades!
Adriano Nunes.
Belíssima escolha Sérgio…
Realmente é um começo e um livro inesquecível.
E como disse um amigo mais acima, Mrs Dolloway também é maravilhoso.
Orlando é um livro pelo qual tenho carinho especial. E sempre que falo em Virginia, lembro-me de Clarice. Simplesmente perfeitas.
“Você ainda se prende às regras da comunicação? Então, seria incapaz de apreciar um poema concreto ou visual, ou até mesmo as canções de Carlinhos Brown ou Djavan”
Primeiro: um comentário para fazer propaganda de um blog de poesia não é a poesia propriamente dita, então sim, neste caso é saudável se ater às regras de cortesia.
Segundo: não sei o Saint-Clair, mas acho Carlinhos Brown e Djavan um saco.
Terceiro: esperemos o romance. Até hoje não consegui ler as “sementes…” também.
Tem razão, para ler Virgina é preciso estar em um estado de espírito especial, é preciso estar devidamente desejoso de vivenciar uma experiência de tal magnitude.
Orlando é realmente um tesouro da humanidade. Eu não me esqueço do cheiro de armário da rainha Elizabeth, da tribo nômade da Turquia, da conversa com o poeta (qual era o nome dele? Green?) ou o duque/duquesa com aparência de urubu… hahahaha!
Inesquecível!!!!!!!!
Orlando pode ser para uma autodidata um caso de amor à primeira vista. E foi. Como nominimo e o todo prosa e projetoreleituras e o rafael galvao, e por aí vai pela blogosfera que gosta Muito de você. Que bom. ;-)) Um abraço da leitora do DF; -)