Vamos falar de sexo
O Bad Sex Award, aquele prêmio britânico de gozação para o livro que contém a pior cena de sexo do ano, é um evento literário que o Todoprosa acompanha com atenção. A última edição foi das mais, digamos, excitantes, com a honraria conferida postumamente ao americano Norman Mailer por “O castelo na floresta”.
Para quem não leu aqui na época ou não se lembra, o último romance de Mailer contém uma inacreditável descrição de trepada em que o narrador diz a certa altura, referindo-se ao membro (pouco) viril do personagem, que “titio estava tão mole quanto um rolo de excremento”. Um trecho maior da cena pode ser encontrado aqui.
A má notícia é que o BSA 2008, divulgado esta semana em Londres, não teve o mesmo apelo: a vencedora, Rachel Johnson, é um nome de pouco peso por lá e inteiramente desconhecido entre nós. A boa é que, certamente cientes disso, os organizadores resolveram fugir do script e atribuir também um prêmio especial – pelo conjunto da obra, lifetime achievement – a John Updike.
Fiquei pensando se haverá suficiente material em nosso mercado para sustentar uma versão brasileira do BSA. Suponho que sim, mas não tenho certeza. Conto com a boa vontade e a erudição da comunidade todoprosista para esclarecer esse ponto.
A pergunta é simples: qual foi a pior cena de sexo da literatura nacional que você leu ultimamente?
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria Tags:
E por falar em vulgaridades, acho que João Gilberto Noll merecia um prêmio desses (que tal um cacetinho de prata?), pelo seu Acenos e afagos. Não li o livro – o Noll me enfada mais e mais de uns tempos para cá. Estou cada vez mais convencido de que o melhor Noll é o das décadas de 80 e 90 -, mas ouvi trechos que foram lidos durante uma aula na Uerj e fiquei não digo “chocado” mas “bouche bée”, como dizem os franceses. Minha professora – que deve ser amiga do Noll – ficou puta quando eu disse que aquilo era vulgar, sim senhora. Pra contrabalançar, ela comparou Noll ao Mirisola (sempre o pobre do Mirisola!) e este último foi, sem a menor pena, lançado na geena ardente da vulgaridade. Mas o Noll, ah, o Noll não!
Acho que vou reler o Harmada. Saudades do Noll antigo!!!
Tibor:
Mamom é a divindade tutelar dos praticantes de felação (isto é, de ‘boquete’, caso você não tenha entendido).
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Não, sorry, mentira. Mamom é uma espécie de “demônio” que é associado ao dinheiro. O prestígio do moço é tanto que ele foi citado até por ninguém menos que… Jesus Cristo, Nosso Senhor! Leia só:
“Ninguém pode servir a dois senhores, porque ou há de odiar um e amar o outro ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom”.
Estão escutando, malditos infiéis?
Caramba!
Alguém pode me explicar o que esses crentes horrorosos vieram fazer aqui? Será que ninguém mais lê a Bíblia, se chicoteia ou faz penitência? Será que os Salões, Igrejas, Centros & quetais não precisam mais ser limpos, lavados, decorados de graça para o bem e o amor de Nosso Senhor Jesus Cristo?
Chô, chô, chôoooooooooooooooooo!!! Suas gralhas! Vão pousar em outro milharal! Este aqui tem como patrono Stephen King e vou já já chamá-lo para dar um jeito em vocês, seus esfomeados!!!! Vampiros!
Jesus me chicoteia!
Sei que o trecho abaixo contraria a intenção do post (que é falar das piores cenas de sexo da literatura (embora uns ingênuos aí em cima tenham vindo com Cinema pra cima da gente)), mas gosto bastante desse trecho aqui ó:
Era raro encontrar meninas assim. Raríssimo. Difícil também ver adultos, principalmente durante o dia. Eles escolhiam a noite para perambular.(…)
Me agachei diante dela e voltei a tocá-la. Ela não esboçou nenhuma reação. Corri os dedos pelas ancas estreitas. Acariciei as coxas magras. Tateei as costas que exibiam as costelas de maneira impudente.
Eu a queria. E naquele momento.
Arranquei os trapos que a cobriam. Ela recuou o que pôde, espremendo-se contra a parede. Dois pequenos montículos se sobressaíam onde um dia ela – se continuasse viva – teria peitos. A vulva mostrava pequenos e sedosos pelinhos que iam cobrindo a região. Agarrei-a pelas pernas e a arrastei para o meio do esconderijo, sobre folhas de papelão. Virei-a para ver as nádegas. Brancas e exíguas. Espalmei-as. Apertei-as. Bati nelas. Avermelharam até parecer fogo.
Me levantei e tirei as calças. Desprendi a faca e a coloquei de lado, ao alcance da mão. Virei a menina mais uma vez. Abri suas pernas com força, me colocando entre elas. Agarrei seus cabelos e a fiz olhar para meu pau antes de penetrá-la.
- Você vai gostar, vaquinha. Pode crer que vai.
Me deitei sobre aquele corpo miúdo. Me infiltrei para dentro dela, fazendo-a, pela primeira vez, soltar a voz. O grito foi agudo. As pernas começaram a chutar, os braços a sacudir, desferindo socos nas minhas costas. A boca, nervosa, tentava me morder o rosto. Num golpe seco completei a penetração. Ela urrou, arregalando os olhos. As pernas pararam de se mover e os braços tombaram, inertes. Ela passou a me observar sem emoção enquanto eu ia e vinha.
Maravilha das maravilhas. Uma putinha para me satisfazer os desejos. Um objeto de prazer à disposição dia e noite. Uma jovem freguesa. A mais tenra, a mais atraente, a mais sedutora, a mais gostosinha.
Dou de prêmio uma Bíblia da Mulher Moderna e um chicote a quem descobrir o autor desse trecho.
Aí vai uma dica: trata-se de um autor brasileiro contemporâneo e ele está entre nós!
Façam suas apostas, Ladies & Gentlemen!!!
Já sei! Daniel Galera! É dele esse trecho, acertei?
Errou, Tibor!
O Galera é mais delicado – e não vai nesse comentário nenhuma insinuação nem levemente gay. Que eu saiba, o Galera é 110% macho hetero gaúcho.
Continua tentando… rsrsrsrs.