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“É muito difícil pensar em ’ser escritor’ quando se nasce num país em
que ninguém lê: os pobres porque não sabem ou porque não possuem
meios para adquirir conhecimentos, e os ricos porque não sentem
vontade. Numa sociedade assim, querer ser escritor não é optar por
uma profissão, mas por um ato de loucura.” MARIO VARGAS LLOSA

12/11/2008 - 17:48

Afeganistão literário

O prêmio Goncourt para o romance Syngué sabour, de Atiq Rahimi, anunciado segunda-feira, é a prova que faltava de que o atributo mais valioso para um escritor do Terceiro Mundo, hoje, é ser afegão. Exilado, claro.

De Rahimi, li apenas a bela novelinha “Terra e cinzas”, lançada aqui em 2002 pela Estação Liberdade e mais tarde adaptada para o cinema por ele mesmo. O suficiente para saber que, nacionalidade da moda à parte, o sujeito é um escritor de verdade.

A mesma editora publicou também, no ano seguinte, o romance “As mil casas do sonho e do terror”. Os dois livros ainda estão disponíveis nas livrarias online.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria Tags:

14 comentários para “Afeganistão literário”

  1. Tibor Moricz disse:

    Não sou afegão, nem exilado… tô fodido.

  2. Bernardo Brayner disse:

    Pareceu-me bom quando li também. É escrito em segunda pessoa e tem uma ótima passagem com o menino ficando surdo. Ops, falei demais?

  3. Tomás disse:

    Segunda pessoa?

  4. Tomás, o que o Bernardo quer dizer é que o narrador se dirige o tempo todo ao protagonista – quase sempre na terceira pessoa em nossa tradução, por razões de coloquialidade, mas provavelmente na segunda no original. Bota o leitor na pele dele. “Você está sentado, com as costas viradas para o sol de outono, apoiado no parapeito da ponte…”. Funciona.

  5. Tomás disse:

    Entendido. Obrigado pelo esclarecimento, Sérgio.

  6. Minha pergunta é qual será a próxima nação da moda? Me perguntei outro dia no meu Blog. Acho que existem alguns indicativos que o pêndulo vai balançar para literatura cubana.

  7. Espero gostar desse. Aquele cara do As andorinhas de Cabul, Yasmina Reza, se não me falha a ortografia, eu não gostei. Meu escritor “árabe” preferido continua mesmo sendo o Tahar Ben Jelloun.

  8. Eu ainda estou caminhando para o Oriente. Antes de chegar lá preciso ler Katzanzakis, por exemplo. Sou cheio de manias, para chegar lá tenho que fazer uma caminhada geográfica nos livros que leio. Alguem tem algum bom autor Sérvio para indicar? Talvez um Croata? Os balcãs estão no meu caminho.

  9. Bernardo Brayner disse:

    Bem, da época da Iugoslávia tem Danilo Kis.

  10. Daniel Brazil disse:

    Serve um albanês, Fernando?

  11. Daniel: Serve.
    Bernardo: Obrigado e anotado.

  12. Thiago Maia disse:

    Fernando, em julho li os contos do balcânico Ivo Ándritch compilados em “Café Titanic”, da Globo, e o reputo como o melhor livro de contos que conheço. Amedrontador de tão bom.

  13. “Reputo” é um verbo assim, sei lá, tão lindo. Tem “re” e tem “puto”. E é caetaneanamente lindo. rsrsrsrsrs.

  14. Pedro de Oliveira disse:

    Na escolinha, lá em Salvador, ensinavam que o Gê era guê e o Jota era Ji, e que cidadão nascido nos Estados Unidos da América deveria ser chamado de norte-americano. Penso, hoje, que estavam certos. Não faz mal ser orgulhoso, não. O que vejo nos posts é que parece ser ridículo ter um carinho pela terra; citam até poeta famoso pra desqualificar tal sentimento ou acusam-te de gostar do Argentino. Não é difícil antever o que sairá desse conúbio, é só observar Fausto de Sanctis ser perseguido pela retidão. É deprimente…

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