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“É muito difícil pensar em ’ser escritor’ quando se nasce num país em
que ninguém lê: os pobres porque não sabem ou porque não possuem
meios para adquirir conhecimentos, e os ricos porque não sentem
vontade. Numa sociedade assim, querer ser escritor não é optar por
uma profissão, mas por um ato de loucura.” MARIO VARGAS LLOSA

27/10/2008 - 23:21

A volta de uma pequena obra-prima

Contos recontados – covers literários, talvez se possa chamá-los assim – por autores diversos para coletâneas comemorativas não estiveram em falta no recente centenário de Machado de Assis. É até possível que, no meio da oferta claramente excessiva, tenha passado despercebida uma ou outra maravilha que um dia, para o bem de nossa inteligência coletiva, teremos que aprender a valorizar. Mas pelo menos uma pepita eu posso apontar desde já com o maior entusiasmo: uma pequena obra-prima do conto chamada “Lembranças de dona Inácia”.

Trata-se da parte que coube a Antonio Callado numa diversão a doze mãos intitulada “Missa do galo – Variações sobre o mesmo tema” (José Olympio, 112 páginas, R$ 24), uma coletânea que tem ainda histórias curtas de Autran Dourado, Julieta de Godoy Ladeira, Lygia Fagundes Telles, Nélida Piñon e Osman Lins, todas baseadas no conto “Missa do galo”, um dos mais famosos de Machado. Lançado em 1977, o livro não se confunde com a recente supersafra machadiana – embora se deva à efeméride a bem-vinda reedição de um título esgotado.

Se bem me lembro da leitura feita há anos, a qualidade média dos contos baseados na menos natalina das histórias de Natal é razoavelmente alta, mas ninguém brilha tanto quanto Callado. Já ouvi leitores de respeito dizendo que o autor de “Reflexos do baile” nunca foi tão bom quanto nessas onze paginetas. O que é uma maldade, claro, sem deixar de ser também um baita elogio.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria Tags:

8 comentários para “A volta de uma pequena obra-prima”

  1. Maria Mendes disse:

    Nossa! Tenho uma edição de 77 desse livro, com dedicatória do Callado e assinaturas de Osman Lins e Nélida Piñon. Para o meu pai, mas tudo bem, ótimo pretexto para ler agora.

  2. “tenha passado despercebida uma ou outra maravilha que um dia, para o bem de nossa inteligência coletiva, teremos que aprender a valorizar”

    Será essa nossa sina?

  3. Tibor Moricz disse:

    1ª linha, segundo parágrafo… um “de” no lugar de “que”…

  4. Chico disse:

    Chego a ter comichoes com a imprecedencia da mensagem sobre o meio…. Nao vejo a hora deste tambem sair em livro eletronico!!

    Sindico, mas voltando ao dispensavel, lembra do pequeno detalhe das biografias, quando eu disse, e afirmo, que eh melhor nao conhece-las? Pois eh, o Miroslav Dvoracek que o diga:

    “Não estamos surpresos do envolvimento de Kundera. Entre os famosos da época, muitos eram fanáticos do regime comunista nos anos 50. (Kundera) é um bom escritor, mas não tenho nenhuma ilusão a respeito dele como ser humano”, concluiu.

    ingleis
    http://www.economist.com/books/displaystory.cfm?story_id=12414940

    portugueis
    http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI3253685-EI8142,00.html

  5. Que beleza, Maria! Aquela edição da Summus (eu também tenho um exemplar, infelizmente sem dedicatória nenhuma) é feia de doer, não é? Bem anos 70. Mas acho que você não vai se arrepender de agarrar o pretexto.

    Obrigado pelo toque, Tibor.

    Chico: de acordo.

    Abraços a todos.

  6. Maria Mendes disse:

    Horrorosa. Parece trabalho escolar. E já li o conto do Callado e gostei muito, bem divertido.

  7. Pessoal, sorry, mas OFF TOPIC de novo: acabei de saber (e conferir) que a loja virtual da Cosac Naify (www.cosacnaify.com.br) está com 50% de desconto, mas só até 23h59 de hoje. Abraços

  8. Daniel Brazil disse:

    Também tenho a edição original aqui na prateleira. Curioso, depois de muitos anos de outras leituras, muita dispersão, desvios e alguns neurônios a menos, só lembro bem do conto original. Vou reler o Callado, valeu o toque!

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