Arquivo de outubro, 2008
31/10/2008 - 18:35
Uma boa novidade marca o aniversário de 50 anos do velho Jabuti: a solenidade de premiação, daqui a pouco, em São Paulo, poderá ser acompanhada em vídeo pela internet a partir das 19h30 neste link. Além da entrega de troféus aos três primeiros colocados de cada uma das vinte categorias do prolixo prêmio (o que bastaria para encher a Sala São Paulo), serão anunciados os Jabutizões para os dois livros realmente laureados – um de ficção e um de não-ficção. Cristovão Tezza já está se dirigindo para o local.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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30/10/2008 - 11:20
A vitória de Cristovão Tezza no Portugal Telecom, confirmada ontem à noite em São Paulo, foi uma das mais previsíveis da curta história do mais importante prêmio literário do país. Isso é chato? Não, isso é muito bom.
Se, no método científico, a capacidade de sustentar previsões é prova fundamental da validade de uma teoria, no discurso sobre a literatura, que de científico não tem nada, previsões que se confirmam podem nos dar a sensação quase eufórica de que ainda somos capazes de falar a mesma língua após (ou no meio de?) um longo inverno de cada-um-por-si pós-modernista, com sua galeria de luminares que não dura(va)m mais que uma Flip, dois meses ou três quarteirões.
Romance em que o experiente escritor catarinense, no auge da forma, se transforma em personagem para tematizar com coragem e sem pieguice sua relação com Felipe, seu filho com síndrome de Down, “O filho eterno” (Record, trecho aqui) foi, disparado, o livro brasileiro lançado em 2007 que equilibrou com maior sucesso os pinos malabares freqüentemente antagônicos da legibilidade (aquilo que ganha o público) e do rigor estético (aquilo que ganha a crítica); da alta voltagem emocional (que atrai leitores) e do trabalho maduro de linguagem (que atrai elogios).
Fez isso com tanta naturalidade e desenvoltura que deixa no ar uma pergunta incômoda: os tais pinos precisam mesmo se repelir ou nós é que, por comodidade, incompetência ou vício, os tratamos assim?
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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28/10/2008 - 17:39
Regozijai-vos, ó militantes do livro eletrônico!
A apresentadora americana Oprah Winfrey decretou em seu programa de TV que o Kindle, o aparelho de leitura digital da Amazon, é uma maravilha: “Não sou uma pessoa de engenhocas eletrônicas, mas me apaixonei por esta aqui”. (Via blog de livros da “New Yorker”.)
Depois que Oprah transformou Cormac McCarthy em best-seller, pôr um Kindle em cada lar americano não deve ser tão difícil.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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27/10/2008 - 23:21
Contos recontados – covers literários, talvez se possa chamá-los assim – por autores diversos para coletâneas comemorativas não estiveram em falta no recente centenário de Machado de Assis. É até possível que, no meio da oferta claramente excessiva, tenha passado despercebida uma ou outra maravilha que um dia, para o bem de nossa inteligência coletiva, teremos que aprender a valorizar. Mas pelo menos uma pepita eu posso apontar desde já com o maior entusiasmo: uma pequena obra-prima do conto chamada “Lembranças de dona Inácia”.
Trata-se da parte que coube a Antonio Callado numa diversão a doze mãos intitulada “Missa do galo – Variações sobre o mesmo tema” (José Olympio, 112 páginas, R$ 24), uma coletânea que tem ainda histórias curtas de Autran Dourado, Julieta de Godoy Ladeira, Lygia Fagundes Telles, Nélida Piñon e Osman Lins, todas baseadas no conto “Missa do galo”, um dos mais famosos de Machado. Lançado em 1977, o livro não se confunde com a recente supersafra machadiana – embora se deva à efeméride a bem-vinda reedição de um título esgotado.
Se bem me lembro da leitura feita há anos, a qualidade média dos contos baseados na menos natalina das histórias de Natal é razoavelmente alta, mas ninguém brilha tanto quanto Callado. Já ouvi leitores de respeito dizendo que o autor de “Reflexos do baile” nunca foi tão bom quanto nessas onze paginetas. O que é uma maldade, claro, sem deixar de ser também um baita elogio.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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26/10/2008 - 14:02
Publicado em 10/12/2006:
Eu, Valfredo Margarelon, subscrevo esta declaração no intuito de recolocar a justiça acima dos boatos e restaurar a fachada honrosa do brasão de minha família, sordidamente maculada por três elementos nocivos à ordem e aos bons costumes do reino inglês. Meu espírito simples, desabituado à lida com as palavras, vem a público para desmentir as ignominiosas calúnias feitas contra minha prima, Maria Margarelon, por um desclassificado de nome João Manningham, em conluio com o autor teatral Guilherme Shakespeare, integrante da companhia Homens do Lorde Camarista, e outro chamado Ricardo Burbage, ator na mesma companhia. Juntos, os três espalharam boatos deturpados e desonrosos, que alteram o curso da verdade e mancham a honra de minha prima e irmã de criação. Eu afirmo, perante Deus e a justiça real, que tais aleivosias nasceram de suas mentes imundas e tiveram divulgação a partir de tavernas e bordéis, sítios tão infectos quanto indecorosos. Provarei aqui como sua versão dos fatos é caluniosa, além de muito deturpada pela arrogância que caracteriza o círculo teatral e os que nele perambulam.
O primeiro parágrafo anuncia com todas as letras a delícia que é a novelinha farsesca “O mistério do leão rampante” (Ateliê Editorial, 1995), livro de estréia de Rodrigo Lacerda – até hoje, em minha opinião, não superado por ele. Andei especulando por aqui que a literatura brasileira, tão queixosa da indiferença do público, talvez fizesse bem em se despir de uma certa sisudez para cair na gandaia (do texto), cuidando em primeiro lugar de divertir à larga – e de forma inteligente, claro – o pobre do leitor. “O mistério do leão rampante” faz isso com a maior elegância.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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25/10/2008 - 11:12
O governo federal não quer que a medida provisória 443 fique conhecida como pacote. Nenhuma surpresa. Pacote é uma palavra de tom crítico que costuma ser mais favorecida pela imprensa do que por governantes. Usado no Brasil desde aproximadamente 1960, segundo o Houaiss, com o sentido de conjunto de medidas adotadas de um só golpe a fim de atacar um problema emergencial na área econômica ou política, não é de hoje que o termo carrega um ar pejorativo que pode até chegar à zombaria nos aumentativos pacotão ou pacotaço.
As conotações negativas parecem ter se incorporado à palavra aos poucos. O auge da má fama carrega a data de 1o de abril de 1977, quando o chamado Pacote de Abril baixado pelo presidente Ernesto Geisel fechou o Congresso Nacional e criou os senadores biônicos. Isso fez colar na palavra para sempre uma mancha de autoritarismo. Mesmo após o fim da ditadura militar, pacote conservou alguma truculência: afinal, a adoção em bloco de medidas de alcance social sempre carrega o risco do erro de cálculo.
Pacote não aparece apenas em contextos negativos. Fala-se de forma simpática em pacotes de incentivo a atividades acima de qualquer suspeita. Nem os dicionários destacam o uso pejorativo – mesmo que o governo, como se vê, esteja longe de ignorá-lo.
A entrada desse sentido de pacote no português brasileiro também parece ter sido inocente. Trata-se da importação de uma acepção figurada, datada dos anos 50, do inglês package, para aplicá-la a uma palavra que já existia aqui com o significado de embrulho ou conjunto de objetos reunidos numa embalagem. A acepção de artigos comercializados em bloco, como em pacote turístico, chegou na mesma leva. Pacote e package têm um ancestral comum – talvez o holandês antigo packe, embora os etimologistas não ponham a mão no fogo por isso.
Publicado na “Revista da Semana”.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): A palavra é...
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24/10/2008 - 17:07
A web acaba de ficar mais inteligente com duas adesões quase simultâneas ao mundo virtual: Tina Brown com sua revista eletrônica, The Daily Beast, e Lúcia Guimarães, ex-”Manhattan Connection”, com seu site.
Ao mesmo tempo, para nos lembrar que a guerra vai ser longa e difícil, uma idéia brilhante como a da Copa de Literatura Brasileira, que teve início promissor ano passado, corre o risco de atolar na lama das torcidas organizadas.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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23/10/2008 - 16:22
Autores que admiramos nunca devem ser tratados com intimidade excessiva – um risco sempre presente em nossa era de superinformação. Que Virginia Woolf, uma escritora e tanto, era também uma intelectual londrina enfarada e esnobe (com perdão da múltipla redundância) eu já sabia. Mas acho que preferia não ter ouvido isso corporificado em sua voz.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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22/10/2008 - 19:36
Foram as poucas linhas daquela carta de recusa que fizeram Lúcio Nareba, lenda da blogosfera literária nacional, perder a cabeça. Não fosse o veneno destilado – gratuitamente, gratuitamente! – pela famosa editora Bia Escarpin, o adorável Nareba estaria entre nós até hoje, esvaziando dois engradados e meio de cerveja por dia às custas de seus admiradores mais jovens, fumando pelos ouvidos, coçando a bunda agressivamente como lhe parecia apropriado aos gênios irascíveis e rabiscando nanocontos em guardanapos com nódoas de azeite. Mas aquela carta de recusa…
Prezado Nareba,
Abri seu manuscrito com grande interesse e, já na primeira página, fui ao delírio com a epígrafe. Genial mesmo, parabéns. Infelizmente, não consegui passar da epígrafe, motivo pelo qual sou obrigada a recusar a publicação de “Sou phodão & outras modéstias”. Como sinal de boa vontade, uma crítica construtiva: a epígrafe é genial mas precisa ser aprimorada. Os versos “Astros! noite! tempestades!/ Rolai das imensidades!/ Varrei os mares, tufão!…” são do Castro Alves e não do Chacal.
Isso posto, não desista jamais. Ou desista, phoda-se.
Bia Escarpin
Gratuito, não? Mais que gratuito, humilhante. Típico dessa alta burguesia editorial insensível e decadente que aí está. Mesmo assim, o plano de estrangular Bia Escarpin não teria ido longe se, ao sair do botequim certa madrugada, um cigarro fumegando em cada ouvido e dois engradados e meio de cerveja no sangue, Nareba, numa dessas coincidências incríveis que a literatura aprecia, não tivesse topado com a famosa editora no calçadão do Leblon. Piscou para espantar a aparição, mas o fantasma continuou lá. Sozinha, veias saltadas na testa, Bia parecia nervosa, escarpin tiquetaqueando de um lado para o outro nas pedras portuguesas, celular no ouvido, echarpe de seda ao vento.
Enquanto estrangulava Bia Escarpin com a echarpe, ele pensou naquele personagem de Tolstoi que mata a velhinha – como era mesmo o nome dele, Nabokov? Foi quando se decidiu por uma epígrafe em russo para o seu próximo livro, atualmente em produção, chamado “Meu companheiro de cela é phodão & outras delícias”. Tinha que ser em russo, talvez alguma coisa do Ibsen. Um abaixo-assinado pela imediata libertação de Lúcio Nareba rola na internet.
Publicado em 16/3/2007. Republicado a pedidos.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sobrescritos
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21/10/2008 - 17:20
Sabe aquela guerrinha literária entre Europa e Estados Unidos, que a Academia Sueca abriu de forma um tanto cretina ao atacar os escritores da terra de Philip Roth? Pode estar se deslocando – o que, pensando bem, talvez estivesse nos planos europeus o tempo todo – para um campo de batalha mais interessante: o da lendária inapetência do mercado editorial de língua inglesa diante das traduções. Segundo um estudo da Universidade de Rochester citado pelo “New York Times”, apenas 2% dos lançamentos de literatura no mercado americano este ano são de livros traduzidos.
Talvez estivesse faltando nesse conflito justamente um topete como o que desfilava Anne Solange, editora da Gallimard, na recém-encerrada Feira de Frankfurt. Encarregada de vender os direitos do nobelizado J-M.G. Le Clézio para outras línguas, a francesa se recusou de forma categórica a negociar seu último livro com editores de língua inglesa, temendo um lançamento meramente oportunista. Prefere esperar o aparecimento de uma editora que garanta um bom tratamento também aos títulos anteriores de Le Clézio. Sobre o assunto, Anne Solange deu esta antológica declaração (está no blog de livros do “Guardian”):
Em Frankfurt, eles [Estados Unidos e Grã-Bretanha] subitamente se deram conta de sua insularidade. Eu digo aos anglo-americanos: parem de dizer que o resto do mundo não merece ser traduzido para o inglês. Digam que vocês preferem ser ignorantes, mas não digam que nós não merecemos sua tradução.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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19/10/2008 - 09:18
Era uma vez um post publicado em 6/8/2007:
*
Era uma vez e uma vez muito boa mesmo uma vaquinha-mu que vinha andando pela estrada e a vaquinha-mu que vinha andando pela estrada encontrou um garotinho engrachadinho chamado bebê tico-taco.
Seu pai lhe contava aquela história: seu pai olhava para ele através dos óculos; ele tinha um rosto peludo.
Não deixa de ser uma prova de que não há palavras proibidas, apenas maior ou menor habilidade no uso delas, o fato de “Um retrato do artista quando jovem” (Alfaguara, 2006, com bela tradução de Bernardina da Silveira Pinheiro), romance lançado por James Joyce em 1916, começar com a mais batida das fórmulas, “era uma vez” (once upon a time).
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Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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18/10/2008 - 00:12
Nas últimas semanas brilharam nesta página as palavras juros, crise e pânico. Como a histeria financeira ainda parece longe de passar, é hora de voltar à vaca-fria – expressão que quer dizer retomar algo deixado para trás no atropelo da conversa, mas que não se considera devidamente resolvido. No caso, retomar o saudável ecletismo do papo sobre termos de nosso vocabulário. Como, por exemplo, vaca-fria.
“Voltar à vaca-fria” é uma locução misteriosa. Por que vaca? Por que fria? Isso não afeta sua popularidade no Brasil e em Portugal – talvez maior lá do que aqui –, como se pode comprovar numa rápida consulta ao Google. Dicionarizada desde que o lexicógrafo português Cândido de Figueiredo a registrou, em 1899, a vaca-fria é cercada de silêncio quando se trata de investigar sua origem.
Um silêncio que não é completo, felizmente. No oitavo volume de seu Grande Dicionário Etimológico-Prosódico da Língua Portuguesa, de 1968, o filólogo brasileiro Silveira Bueno vai buscar a seguinte história no colega e compatriota Teobaldo, pseudônimo de Francisco Mendes de Paiva, que em 1879 publicou o livro Provérbios Históricos e Locuções Populares:
“Com pequena variante de animais, ora o carneiro, ora a cabra, diz Teobaldo (…) que é muito velha a frase, prendendo-se, em português, ao fato de litigarem perante um juiz sobre a posse de uma vaca: a certa altura, quando o advogado da defesa fazia longas digressões, falando até de Faetonte e do seu carro ardente, atalhou o juiz: ‘Tudo isto é muito bonito, mas voltemos à vaca fria’.”
Legenda necessária: Faetonte é um personagem da mitologia grega, filho do deus Hélios, que um dia foi dirigir a carruagem paterna – o Sol – e ateou fogo ao mundo. É a essa figura desastrada, e ao calor da oratória que ela inspira ao advogado, que o sarcástico juiz contrapõe sua vaca-fria.
Publicado na “Revista da Semana”.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): A palavra é...
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16/10/2008 - 17:47
O jornal português “Diário de Notícias” estranha o fato de não encontrar grande repercussão por aqui a vitória de um brasileiro na primeira edição do gordo prêmio da editora lusa Leya (para romance inédito, em português):
A conquista do primeiro Prémio Leya pelo brasileiro Murillo António de Carvalho, autor do romance “O Rasto do Jaguar”, surpreendeu os portugueses. No seu país de origem a situação não foi muito diferente. É verdade que os sites dos principais jornais brasileiros referiram a vitória do seu conterrâneo, mas não deram grande destaque ao prémio. Durante a tarde de ontem, o DN tentou contactar alguns jornalistas brasileiros, que preferiram continuar anónimos, pois não conheciam sequer o escritor.
Em declarações ao DN, José Menezes, o director de comunicação da Leya, admitiu que a vitória de um nome pouco sonante é uma mais valia para o novo título. No seu entender, “a possibilidade de qualquer pessoa ganhar o prémio”, no valor de 100 mil euros, é um dos aspectos mais interessantes.
Fora o fato de que a matéria aproveita para estranhar também a supremacia dos brasileiros – que eram seis entre os finalistas, contra dois portugueses –, a recepção discreta me parece compreensível. Pouca gente conhece Murilo Antônio de Carvalho, e o livro premiado, “O rastro do Jaguar”, é seu primeiro romance. Antes de lê-lo, é difícil dizer alguma coisa. E a verdade é que prêmios não se tornam culturalmente relevantes apenas por um critério pecuniário – mesmo que seja um belo critério de 100 mil euros, isto é, R$ 291 mil e subindo. Um tempo de maturação se faz necessário. Seja como for, uma boa notícia.
E para falar de um prêmio já maduro: a surpreendente vitória do indiano Aravind Adiga no Booker, com o romance “The White Tiger”, está provocando uma chuva de críticas. Uma das mais violentas é a do irlandês John Self, do prestigiado blog Asylum, que o blog coletivo Amálgama traduziu e publicou ainda ontem por aqui, com grande agilidade. Self chega a insinuar que o livro não merecia sequer ter sido publicado.
A coluna de Ancelmo Góis informa que “O tigre branco” sairá no Brasil já no mês que vem, pela Nova Fronteira.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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15/10/2008 - 12:02
Esta é para fazer a festa daquela turma de freqüentadores do Todoprosa (Tibor e Saint-Clair à frente) que leva a sério a ficção científica – como ela merece ser levada mesmo, por mais que a dinâmica anti-renascentista do novo século, com sua ultracompartimentação do mundo em gôndolas de supermercado, tente trancafiar o gênero num gueto. Numa das entrevistas que deu à imprensa americana no dia em que foi anunciado seu Nobel de Economia, segunda-feira, o excelente Paul Krugman declarou o seguinte (via blog de livros da “New Yorker”) quando lhe perguntaram como tinha surgido a idéia de virar economista:
Ah, é um pouquinho embaraçoso. Eu estava… Não sei quantos de seus espectadores assistem a ficção científica, lêem ficção científica, mas existe uma série muito antiga de livros do Isaac Asimov, “Fundação”, na qual os cientistas sociais que compreendem a verdadeira dinâmica da civilização a salvam. Era isso que eu queria ser. O que não existe, mas a economia é o mais perto que se pode chegar.
Apenas como registro, embora nada tenha a ver com a notícia: li uns dois títulos de “Fundação” há vinte anos, não me perguntem quais, e achei de uma chatice intergaláctica. Mas cabe controvérsia, como se vê.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sem categoria
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