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“É muito difícil pensar em ’ser escritor’ quando se nasce num país em
que ninguém lê: os pobres porque não sabem ou porque não possuem
meios para adquirir conhecimentos, e os ricos porque não sentem
vontade. Numa sociedade assim, querer ser escritor não é optar por
uma profissão, mas por um ato de loucura.” MARIO VARGAS LLOSA

27/09/2008 - 09:52

Voto

Voto, do latim votum, é uma palavra que veio do vocabulário religioso para entrar no da política. Seu sentido original, que ainda conserva, é o de promessa, desejo íntimo, e por extensão o de oferenda com que se paga tal promessa, consagração. Do voto de castidade dos padres aos votos de boas festas, das velas votivas aos ex-votos com que os fiéis agradecem as graças que acreditam ter recebido de Deus ou de algum santo, não faltam exemplos da permanência desse núcleo semântico religioso na linguagem moderna.

De forma menos evidente, as bodas (casamento) também têm a mesma origem, segundo a maioria dos etimologistas. E a própria palavra devoção é descendente de votum, particípio do verbo latino vovere (obrigar-se, prometer), um termo de raiz indo-européia aparentado de outros do sânscrito e do grego.

Se a história do voto devocional vem de muito longe, seu sentido político hoje dominante – “modo de manifestar a vontade ou opinião num ato eleitoral ou assembléia”, segundo o Houaiss – é bem mais recente. Registrada em inglês a partir do século 15 ou 16, consta que essa acepção da palavra vote nasceu no parlamento da Inglaterra e logo foi importada pelas línguas latinas, a começar pelo francês.

O voto político tem em comum com os significados religiosos da palavra apenas o suficiente – a expressão de um desejo íntimo – para que seja possível compreender a lógica que determinou seu surgimento. Quem quiser ir um pouco mais longe e lhe atribuir também um certo ar solene, no sentido de que, ao votar, assumimos um compromisso com nossas escolhas, vai descobrir que a etimologia não lhe nega argumentos para sustentar esses arroubos poéticos. No entanto, convém parar por aí. A riqueza semântica da palavra não esconde o fato de que religião e política nunca deram boa mistura.

Publicado na “Revista da Semana”.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): A palavra é... Tags:

44 comentários para “Voto”

  1. Parsifal disse:

    PERDER TEMPO COM DISCUSSÕES EMBASADAS NA INTOLERÂNCIA RELIGIOSA (SEJA ELA QUAL FOR) É DE UMA IMATURIDADE EMOCIONAL E INTELECTUAL RISÍVEL!

  2. nego-drama disse:

    o voto e muito enportante temos que presta atensao quen eatamos votando

  3. João disse:

    Carvalhal, sou Cristão, e não e com isso tipo de palavras que vc vai conseguir um mundo melhor, o que vc demonstrou ai vou odio isso não veem de Deus. Sou evangelico, estou de saco cheio desse povo que faz a religião uma guerra…Deus ama a todos…

  4. Gabiru disse:

    Como eleitor, voto em branco diante da pobreza espiritual dos candidatos que se apresentam. Como religioso, voto nulo pela deturpação que fizeram em todas as igrejas, transformando-as em seitas inimigas da razão e do sentimento fraterno. Acredito num Deus único que rege o universo de acordo com suas leis, não em sistemas religiosos que só estimulam o ódio e o preconceito. Acredito também na democracia, apesar dos oportunistas que se apropriam de seus ideias em proveito próprio. Um bom dia a todos.

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