Vila dos Confins 2008
Nelson chegou com dois caminhões apinhados. Entregou os títulos: cinqüenta e sete. Entrou na venda a correr, e levou Paulo para o quarto:
– Compraram o meu pessoal, deputado! Mais de trinta! Quis acudir, mas foi tarde. Graças a Deus, eu tinha recolhido a maioria dos títulos. Se não, ia tudo de embrulho… Deram dez contos para o Armando da Várzea Limpa. Dez contos por oito eleitores! Soltaram dinheiro mesmo. Mas o pior foi que tive de prometer também; caso contrário, nem a metade embarcava nos caminhões. Estamos perdidos…
Paulo ouvia a má notícia resignado. Procurava animar o companheiro:
– Se você trouxe estes cinqüenta, podemos garantir mais de trezentos, fora o pessoal que já veio, e o da cidade. Nenzinho chegou com trinta e nove; Bilico ainda não veio, mas deve trazer também uns trinta… e os protestantes não apareceram ainda. Podemos pôr mais uns vinte, por baixo… Ah, e tem o João Soares! Do Fundão vêm mais de cem, com certeza. Mais de trezentos, não, mais de trezentos e cinqüenta! A eleição é nossa, Seu Nélson!
Mas o candidato a vereador pelo Brejal estava desanimado:
– Sei lá, doutor! Se compraram títulos na minha zona, compraram também nas zonas dos outros.
Numa eleição em que surge com força na política brasileira a triste figura do curral eleitoral urbano, convém lembrar o melhor retrato literário dos currais eleitorais de origem, os rurais, feito pelo escritor mineiro Mário Palmério (1916-1996) no romance regionalista “Vila dos Confins”, de 1956. Deputado federal pelo PTB de 1950 a 1962, o autor sabia o que estava falando. O quê? O livro está fora de moda? Completamente. Mais um motivo para lê-lo.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Uncategorized Tags:
A propósito, só para deixar claro: para mim, essa discussão de highbrow x middlebrow já morreu faz tempo. Como eu disse no post que deu origem a essa conversa toda, “se sustenta mais em acordos tácitos de reserva de mercado do que em pressupostos propriamente artísticos”. A frase do Borges sobre Stevenson não me choca nem por acreditar na sinceridade dele nem por não acreditar – não sei se ficou claro.
Olha eu aqui de novo. Hoje bato um recorde. A sinceridade de Borges: que eu saiba, ele nunca escreveu nada contra o Fausto, nem deu entrevista. A conversa relatada por Casares é uma conversa deles, à mesa. Há outros ataques frontais, por exemplo, a Joyce. Mas em público Borges apenas beliscou Joyce. Outra coisa: se confirmos no Casares, Borges não sabia que estava sendo anotado. E, se soubesse, não estava nem aí. A verdade é que gostava de semear confusão.
Concordo contigo Rafael, sobre a falta de sinceridade da critica que muitas vezes confunde propositalmente iconoclastia com arrivismo dos fins. E Ernani: pode ser que Borges nao levasse Goethe a serio, afinal ele, Borges, era em sua coerencia um tanto avesso ao Romantismo – sei que isso eh discutivel quando se fala de Goethe – que nao considerasse apenas o Facundo do Sarmiento o epico dos epicos gauchos. Mas eh o que o Rafael disse, se Borges dissesse que Fausto era maior que a Ilha do Tesouro, choveria no molhado, assim como choveu no molhado o Cortazar ao dizer que Porgy and Bess foi a mais popular porem pior tentativa americana na opera.
So pra terminar, ca pra nos Sergio, o Tom Stoppard disse que “Chinatown” é o maior produto da cultura americana do século 20? E alguem aplaudiu isso? Acho que ele estava curtindo com a cara dos consumidores de palestras. Mas como nunca tive o privilegio do Verissimo em assitir as pecas do Stoppard, posso estar falando besteira e ele talvez seja mesmo esse genio cantado aos 4 ventos….
Nota: parei pra ler o Disgrace do Coetzee – dica do Todo Prosa – e gostei muito.
Para que gosta deste assunto sugiro:
FINKELKRAUT, Alain. A Derrota do Pensamento. 2ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988.
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Entre iluministas, iluminados e ilusionistas
Fonte: Observatório da Imprensa nº 245 (7 de outubro de 2003)
http://br.geocities.com/mcrost11/oi075.htm
Observatório da Imprensa – Vol. 1
Seleção de textos publicados no sítio “Observatório da Imprensa”.
Sérgio, eu não neguei a sinceridade do Borges. Ele, sem sombra de dúvida, admirava enormente Stevenson, e não nutria muito interesse por Goethe, que raramente é citado nos seus livros (num autor como Borges, que faz citações eruditas em profunsão, o silêncio é muito sugestivo). Mas, para mim, pobre mortal, parece claro que o escritor argentino estava fazendo tipo quando disse que “Goethe deve ter sido inteligente”. Ele podia gostar mais de Stevenson, o que é perfeitamente legítimo, poderia achar que ele era injustamente menosprezado, mas sugerir que o autor escocês poderia ser superior a Goethe: isso é uma evidente piada.
Borges fez de si próprio um personagem, a quem era lícito dizer certas impertinências. Vargas Llosa interessante sobre essa faceta borgeana, que pode ser lido aqui: http://www.secrel.com.br/jpoesia/mvllosa1.html
No que diz respeito à Virgínia Woolf, concordo plenamente. Ela fazia parte de um sodalício de intelectuais britânicos, o Bloomsbury Group, todos esnobes e auto-referenciais, que assumiram o lema de que “nada é sagrado” (salvo eles próprios, é claro). A alta cultura coincidia com aquilo que eles pensavam.
Aliás, um dos critérios para se medir a superioridade de Goethe é a completa soberania do seu espírito a respeito dos seus contemporâneos. Em Conversações com Goethe, um livro maravilhoso, pode-se ler as opiniões de um ancião famoso e cercado de glória que sabia apreciar os novos talentos de uma forma sincera e com muita sensibilidade. Goethe não se tornou um personangem de si próprio, característica que o distingue da maioria dos autores dos últimos cem anos.
…voltando a palmério…
despautereo seriam as comparações…
sou de Uberaba… e as obras de Palmério vão além das letras… vide Google…
Guimarães nem é preciso falar…
ótimo blog sergio!
sou estudante de História na Universidade de Uberaba… univerdidade fundada por Mário Palmério…
o certo: despautério*
Instant High Cult
31/07/2008 – 11h07
Piada mais antiga do mundo é de 1900 a.C
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Já a piada britânica mais antiga do mundo data do século 10 e revela o lado obsceno dos anglo-saxões: “o que é que fica pendurado nas coxas de um homem e quer entrar em um buraco no qual já entrou antes? Resposta: uma chave”.
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podem ser vistas no site http://www.dave-tv.co.uk. (Por John Joseph
MAIS EM:
http://noticias.bol.uol.com.br/entretenimento/2008/07/31/ult26u26707.jhtm
Falta alguém escrever um romance sobre a moderna compra de voto: aos milhões com uma tal de bolsa família.