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“É muito difícil pensar em ’ser escritor’ quando se nasce num país em
que ninguém lê: os pobres porque não sabem ou porque não possuem
meios para adquirir conhecimentos, e os ricos porque não sentem
vontade. Numa sociedade assim, querer ser escritor não é optar por
uma profissão, mas por um ato de loucura.” MARIO VARGAS LLOSA

29/05/2008 - 18:56

Enfim, o nosso Booker?

A Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo vai lançar nos próximos dias o mais bem pago prêmio literário do Brasil. O Prêmio São Paulo de Literatura pagará R$ 200 mil para o melhor livro de ficção do ano, mais R$ 200 mil para o melhor livro estreante, também ficção. A primeira edição levará em conta livros de autores brasileiros publicados no ano passado.

A quantia ultrapassa com folga os valores máximos de outras láureas já concedidas no país, como o prêmio Portugal Telecom (R$ 100 mil), o Zaffari & Bourbon (R$ 100 mil), da Jornada de Passo Fundo, e o Jabuti (R$ 30 mil), o mais antigo e tradicional de todos.

A matéria de Eduardo Simões publicada hoje na “Folha de S. Paulo” (só para assinantes) é uma ótima notícia, e não apenas pela grana. Outro dia eu comentava aqui que não temos no Brasil um prêmio literário que chegue perto do peso cultural do Goncourt ou do Rómulo Gallegos, do tipo que vale manchete e faz os leitores correrem para as livrarias. Agora teremos, pelo menos, mais um concorrente à vaga.

A inspiração para o prêmio, segundo o secretário paulista de Cultura, João Sayad, é o britânico Booker – um bom começo. Naturalmente, para virar um galardão tradicional é preciso primeiro, como direi, tradição. Leva tempo, e as armadilhas no caminho são muitas e conhecidas. Politicagem e irrelevância estética são apenas duas das mais comuns.

Vou torcer pelo São Paulo – o prêmio, não o time. Por falar nisso, o nome não podia ser um pouquinho mais criativo?

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Uncategorized Tags:

48 comentários para “Enfim, o nosso Booker?”

  1. Aliás, isso é típico de gente com mentalidade de rotos & esfarrapados. Como se a qualidade literária (ou o prestígio) aumentasse com o aumento do valor do prêmio. Fala sério, né?

    Brasileiros, quando é que a gente vai mudar, hein? (Pergunta retórica, não precisam responder)

  2. Brasileiro disse:

    Mudar? Faz tempo que tendo mudar. Mas o Tim Sam não me concede o visto de entrada…

  3. Tibor Moricz disse:

    Dane-se o nome do prêmio literário. O importante é sua existência e sua suposta seriedade,

  4. Raquel disse:

    Sérgio,
    Pindamonhangaba é impronunciável…risos…

  5. Cezar Santos disse:

    Que tal “Prêmio Ó o Auê aí Ó”;…….kiakiakia

  6. Marco disse:

    Por que só ficcção? E a poesia? E a dramaturgia? Não é um prêmio de literatura?

  7. Chico disse:

    Perguntar que nem vem ao caso mas que as vezes incomoda…. quem eh mesmo o ministro da cultura? Gilberto Passos ou Juca Ferreira?

  8. carlos magno de melo disse:

    Fico besta. Cada vez mais besta. São Paulo lança um prêmio literário tão signficativo para as letras brasileiras, pois poderá influenciar outros estados ou cidades a fazerem o mesmo,e o que leio na maioria dos dos comentários? A relevância ou não do nome do concurso.

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