Um escritor no hospício
Os cursos de escrita, especialmente quando envolvem a palavra “criativa”, são os novos hospícios. Uma das coisas que se nota é que, toda vez que ligamos a televisão e um estudante enlouqueceu com uma metralhadora em algum campus dos Estados Unidos, é sempre um aluno de um desses cursos.
Hanif Kureishi, autor do roteiro de “Minha adorável lavanderia” e do romance “O buda do subúrbio”, estava atacado em sua palestra no Festival de Hay, matriz galesa da Flip – notícia completa no “Guardian”, em inglês. Professor de um dos cursos que criticou, na Kingston University, Kureishi deve saber o que diz. E diz o seguinte:
A fantasia é que todos os estudantes vão se tornar escritores de sucesso, e ninguém os desilude. Quando você usa a palavra “criativo” e a palavra “curso”, há algo de enganador nisso.
Os chutes de Kureishi não miraram apenas o pau da barraca das oficinas de ficção. Outros alvos foram a superficialidade da imprensa…
Vêm e tiram fotos das escrivaninhas dos escritores. Eles não vêm e tiram fotos das suas escrivaninhas, vêm? É como se o talento estivesse na escrivaninha.
…e sua própria vida, quando revelou o que pensa ao se sentar para escrever, a cada manhã:
Por que estou fazendo isso? Devo cometer suicídio?
E aí, meninos? Têm certeza de que querem ser colegas desse sujeito?
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Uncategorized Tags:
é fácil: quantos Pelés saíram das centenas de escolinhas de futebol que existem por aí? tá bem, Pelé é mio “intocável”. quantos Zicos? quantos Romários?
e todo mundo já sabe, mas não custa lembrar: sucesso (na acepção “popular”) não é sinônimo de talento. tem gente boa por aí que não faz sucesso, tem bomba que faz, tem gente boa que faz e bomba que não faz. se é que me entendem.
abraços a todos.
Só uma observação, o Ian McEwan se formou num desses cursos de creative writing.
Eu não acredito que um curso de escrita criativa forme escritores, escrever envolve mais que apenas a vontade de contar uma história. Pode até se afirmar que este ou aquele escritor fez um curso de escrita criativa em algum momento da vida, mas não foi o curso que o tornou um escrito, foi principalmente o talento (inato) e o esforço. Escrever pode ser algo terrivemente prazeirozo e frustrante, e escrever bem exige verdadeira perseverança. Alem do mais criatividade não se aprende, mas se desenvolve por meio de trabalho duro.
Dizer que alguem vai se tornar um novo beletrista porque fez um curso é acreditar em um unicornio pastanto o ibirapuera.
Complementando o que foi dito pelo André Gonçalves: Disseram para o sujeito que ele seria como o Pelé e ele foi apenas Maradona, resultado ficou um pó.
acredito que um universitario se formou em medicina por ter talento antes de qualquer outra coisa, se nao tivesse desmaiaria ao ver sangue, o talento faz arquitetos construirem verdadeiros monumentos, matematicos solucionarem equacoes inimaginaveis e tambem faz um alguem ser tornar um escritor que consegue com palavras comuns construir historias que nos fazem sonhar, chorar, vibrar a cada frase, pois se nao fosse o talento o enteresse em escrever duraria apenas até a primeira virgula.
escritor constroi, atrapalha as palvras e daí nasce a estória