Cuba
A origem do nome Cuba é uma zona conflagrada em que teses eruditas se enfrentam há tempos, sem um vencedor à vista. Se essa guerra língüística de guerrilhas não se compara em ardor àquela outra, política e reavivada pela renúncia de Fidel Castro, entre castristas a anticastristas, ostenta em compensação um número maior de lados na disputa.
Embora cuba seja uma palavra espanhola (e também portuguesa) de bom pedigri latino – derivada de cuppa e com o sentido de tonel, recipiente grande, especialmente para guardar bebida –, o nome do país caribenho nada tem a ver com isso. Todas as teses etimológicas buscam a origem de Cuba em termos indígenas: coa + bana (“lugar grande”), ciba (“montanha”) e ainda cubanacan (“lugar central”).
O Houaiss registra que a palavra aparece no diário de Colombo em 1492. Isso não impediu o navegador de batizar a ilha à moda européia, chamando-a Juana em homenagem a Juan de Castilla, herdeiro do trono espanhol. Mais tarde, os colonizadores ainda tentaram emplacar os nomes de Fernandina, Santiago e Ave María. Acabou prevalecendo Cuba mesmo.
O interesse da questão escapa de ser simplesmente acadêmico devido à transformação pela qual passou a palavra a partir da revolução de 1959. Tornada ícone pop nos anos 1960 e 1970, Cuba embalou milhões de namoros adolescentes em forma de cuba-libre, uma mistura de rum com Coca-Cola hoje fora de moda.
Vista por muitos na época como celebração da “Cuba livre” – livre do imperialismo americano e de um ditador impopular como Fulgencio Batista –, a palavra composta cuba-libre é na verdade bem anterior à revolução liderada por Fidel: segundo o filólogo Antenor Nascentes, nasceu durante a guerra de independência, em fins do século 19, quando, à falta de café, as tropas nacionalistas preparavam no campo uma beberagem quente à base de mel e água.
Publicado na “Revista da Semana”.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): A palavra é..., Uncategorized Tags: