Arquivo de outubro, 2007
30/10/2007 - 15:49
Atendendo a pedidos.
…não sobe escada, mas lê. Ou nem lê, mas freqüenta noite de autógrafo. Ai!!! Ui!!! # O Coletivo Soco na Boca do Inferno abre esta noite seu flat a tout le pessoal da literaDura (natural & desviagrada, por supuesto) para lançar o primeiro zine brasileiro feito especialmente para iPod. Meninos (e meninas e tudo mais e coisa), eu ouvi! Tudo de bom diz pouco: poemas-que-rompem-com-tudo-o-que-está-aí na voz do cultuado Coral das Prostitutas Mirins, quer mais???? # A escritora performática Giga T., 1,97m, que se apresenta como “a primeira escritora inteiramente analfabeta do Brasil, mas que peitos”, lança amanhã na Livraria Fashion Week sua série de microcontos impressos em Garamond em camisinhas GG sabor tutti-frutti. Se eu vou? Read my lips!!! # Ah, o que eu não faço pelos meus darlinguíssimos leitores (e queridas leitoras e tudo mais e coisa)!!! A coluna teve que subornar três garotas de programa e um michê fortinho para ter acesso à primeira versão do novo romance do cultuado Rique Focker, cabeça do cultuado Movimento Trans-Agressivo com Bolinhas Roxas. Aconteceu então que, víxe, a coluna está totally overwhelmed até agora. Só posso adiantar que o livro, com o cultuado título de “Cataratas de catarro”, é composto de duas telas e meia de Word cheias da cultuada palavra “porra”. E sem nenhum ponto, of course. Ai!!! Ui!!! # Fala a verdade: não é à toa que cultuam esse Rique, aliás, agora de cultuado hairstyle verde que é pra combinar com o cultuado título do petardo que vem aí. Não vai ficar Phedra sobre Phedra, quer mais??? # Pensamento do dia: hã? como assim? # Errata: diferentemente do que foi publicado ontem nesta coluna, o conto que a pré-adolescente Tati Schmidtevski, a mais cultuada escritora inédita do Brasil, começou a escrever para a antologia “Os melhores contos pegajosos” trata do seu clitóris, não do seu mamilo direito. # O concurso de poesia do site Gonzólidos & Gazeificados vai premiar com cinco balas Juquinha os versos mais transgressores sobre…
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Sobrescritos, Uncategorized
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29/10/2007 - 16:19
Em que anda metido agora?
Em nada. Mal tenho tempo para me concentrar em coisas sérias com tudo isso.
Mas está escrevendo?
Não.
Não quer escrever outro romance?
Veremos. Passo o tempo todo envolvido em coisas ligadas a esse maldito livro, estou farto.
Maldito livro? Já o odeia?
Não, tê-lo escrito, não. Mas tudo isso. Repetir esta entrevista 30 ou 40 vezes…
Você não dá muitas…
Demasiadas, considerando as que eu gostaria de conceder. Não vejo sentido nisso a não ser que surjam coisas novas. É preciso fazer, é parte do seu trabalho também, devem vender jornais, é puro comercialismo, não tem nada a ver com outra coisa. Fiz algumas entrevistas interessantes em que surgiram alguns elementos novos, e nesse caso valem.
Nesta você disse algo novo?
Não.
Pois acrescente-o.
Não tenho mais nada a acrescentar.
Se fosse apenas pelo final amargo, que na rapidez das raquetadas lembra uma partida de pingue-pongue de competição, já valeria a pena ler a longa entrevista do Babelia, suplemento literário do jornal espanhol “El Pais”, com Jonathan Littell, autor de “As Benevolentes” (Alfaguara, tradução de André Telles). Mas há outros atrativos na entrevista, entre eles o de questionar Littell sobre um certo “excesso” do romance – uma crítica que eu, tendo cumprido até aqui um terço da jornada de 900 páginas, julgo procedente. Fica mesmo uma certa impressão de que o autor, após fazer uma pesquisa exaustiva sobre seu tema, teve dó de desperdiçar qualquer migalha de informação e tratou de despejar tudo no livro. Curiosamente, trata-se da mesma crítica que costuma ser dirigida a outro romance de 900 páginas que, como “As Benevolentes”, também vai se firmando como tema de debate entre os leitores à revelia de nossa brava imprensa literária: “Um defeito de cor” (Record), de Ana Maria Gonçalves.
Não quero me estender na crítica por enquanto. Com menos páginas, o efeito pretendido pelo autor teria ficado mais nítido ou, pelo contrário, se perdido? Aquela impressão de afogamento em detalhes factuais que acomete o leitor é intencional? Tudo isso é complexo demais para que um pitaco disparado do meio da leitura seja qualquer coisa além de irresponsável. Prometo voltar ao assunto na hora certa. (Que, infelizmente, acabo de atrasar em cinco dias, tempo que passei de cama profunda na companhia de uma gripe cuja malevolência faz Maximilien Aue parecer uma donzela – se bem que ele parece mesmo uma donzela… Em situações desse tipo, o inferno fica próximo demais para que um livro como “As Benevolentes” seja tolerável. Mas passou.)
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Uncategorized
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23/10/2007 - 10:19
(E já que entramos no assunto…)
Download é uma das palavras mais saidinhas que importamos do inglês nos últimos anos, membro da onipresente família informática. Diferentemente dos verbos “deletar” e “escanear”, porém, tem sido refratária ao aportuguesamento. Daunloude? O Google mostra que há quem force essa barra, mas a solução parece canhestra. Tal rebeldia está longe de ser alarmante. Se a regra é a adaptação, há vocábulos anglófonos que se abancaram confortavelmente em nossa língua sem tocar num fio de cabelo da grafia original: show nunca virou “chou” nem “xou”, apesar das tentativas da Xuxa.
No inglês, download nasceu verbo, mas hoje – o que é comum no idioma de Steve Jobs – faz dupla jornada e atua também como substantivo. Entre nós é sempre substantivo. Para expressar a ação associada a ele, temos a forma “fazer (ou dar) um download”. Em casos mais raros e ousados de hibridismo lingüístico, encontra-se também “downlodear” ou “downlodar”, mas essas soluções parecem se justificar mais pelo desleixo lingüístico – ou por uma intenção brincalhona – do que por uma real necessidade de expressão.
Como verbo, o nativíssimo “baixar” está vencendo a guerra. É uma boa tradução. Download quer dizer “carregar para baixo” ou “baixar a carga”, ou seja, descarregar, copiar um arquivo de uma rede ou servidor para uma estação local. Opõe-se a upload, que designa o movimento inverso e é de uso bem menos freqüente, pouco difundido além do círculo dos programadores, embora nosso jargão informático já registre a ocorrência das curiosas formas “upar” e “upear”.
Tudo isso parece dar razão aos partidários do deputado Aldo Rebelo, autor de um projeto de lei, felizmente congelado, que prevê multa para quem usar palavras estrangeiras. A história, porém, mostra que a xenofobia acaba perdendo. Um intenso tráfego de downloads e uploads (figurados) de palavras sempre fez parte do comércio lingüístico mundial, dando razão à máxima “o que não mata, engorda”. O tempo se encarrega de limar os excessos, e o que sobra vira riqueza.
Texto publicado em minha coluna na “Revista da Semana”.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): A palavra é..., Uncategorized
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22/10/2007 - 15:57
Compreensivelmente, o Radiohead fez muito mais barulho – com e sem trocadilho – ao liberar seu novo álbum na internet para quem quiser baixá-lo, ao preço que quiser pagar. Mas o Man Booker Prize também está dando sua contribuição para tornar 2007 um ano-marco na história da indústria cultural. O grande prêmio da ficção britânica, vencido na semana passada pela irlandesa Anne Enright, anunciou estar em negociação (em inglês, acesso livre) com as editoras envolvidas para publicar online, sem custo para o leitor, todos os livros finalistas deste ano.
Sim, é provável que as duas iniciativas sejam menos comparáveis do que sugere uma primeira impressão. Músicas baixadas online podem ser ouvidas com o mesmíssimo conforto daquelas compradas na loja, enquanto ler um romance inteiro na forma digital, dado o atual estágio pré-histórico dos e-books, ainda é uma perspectiva desoladora. Mas não deixa de ser animador ver a literatura, essa senhora antiquada, se meter a competir – pelo menos no marketing “radical” – com o pop-rock.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Uncategorized
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19/10/2007 - 13:35
Foi num sábado. Quero dizer que se não fosse num sábado talvez não tivesse acontecido. Porque sábado é um dia violento. Um dia em que as pessoas se sentem muito alegres ou muito tristes. Ele se sentiu muito triste.
Se minha memória ainda merece confiança, é a primeira vez que uma abertura de conto vem parar nesta seção, normalmente dedicada a romances. Essas são as linhas iniciais de Num sábado, um dos 25 contos do livro “Tarde da noite” (Vertente Editora, 1970), do mineiro Luiz Vilela. Se vamos fugir à regra ou, quem sabe, inaugurar uma nova tradição, que seja com um dos maiores contistas brasileiros da história.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Uncategorized
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18/10/2007 - 10:24
“Chega, vá!” é um grande argumento crítico-literário.
O relato de Ivan Lessa sobre a troca de cachações (por enquanto apenas metafóricos) entre o escritor Martin Amis e o crítico literário Terry Eagleton, ambos ingleses, está impagável – mesmo porque o site da BBC Brasil é gratuito. Amis, que vai se firmando como o grande porta-voz mundial da islamofobia, foi apanhado pelo adversário de guarda, mais que baixa, nanica.
Só Ivan para nos lembrar que supercílios abertos, de um lado, e gargalhadas ferozes, do outro, salvam o debate literário desse tédio brasileiríssimo que nem a anunciada – e já revogada – venda de Jorge Amado para Harvard conseguiu abalar.
Falando nisso, Gonçalo M. Tavares ganhou o Portugal Telecom. Faz sentido, viva a lusofonia, coisa e tal. Mas a vaga de um prêmio literário peso-pesado para a literatura brasileira volta a ficar aberta. Alguém se habilita? Brasil Telecom, talvez?
Ainda PT: será que só eu fiquei constrangido com os clichezões trevisânicos enfileirados por Dalton Trevisan, o segundo colocado, na mensagem “emocionante” que enviou para ser lida na cerimônia de premiação? “Quem me dera o estilo do suicida em seu último bilhete”? Uau.
Não foi à toa que o Ivan se mandou.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Uncategorized
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16/10/2007 - 20:28
O dízimo com que os fiéis alimentam a riqueza da Igreja Universal do bispo Edir Macedo – e que ajudou a tornar a TV Record vice-líder na guerra da audiência – é palavra antiguinha, presente no português desde o século 13, para uma prática de idade bíblica. Dízimo quer dizer a décima parte. É termo gêmeo de décimo, com o qual compartilha o ancestral latino decimus, mas, enquanto este é um derivado culto, dízimo é um desdendente vulgar. Existe ainda a palavra “dízima”, também velhinha e também referente a um tributo de 10% – este, porém, devido ao governo e pago em dinheiro, enquanto o dízimo, na origem, era cobrado em gêneros.
Vale conferir o que dizia sobre o dízimo Rafael Bluteau em seu “Vocabulário Português e Latino”, o primeiro grande dicionário de nossa língua, no início do século 18. Atenção para a mistura de definição objetiva e justificação moral, não fosse Bluteau um padre: “A décima parte, que é paga às Igrejas, párocos delas, e pessoas eclesiásticas para sua côngrua sustentação; que assim como estes sustentam aos fiéis com o pasto espiritual da doutrina e sacramentos, assim é razão, que os fiéis sustentem aos tais ministros com a décima parte dos frutos que colhem”.
O estilo é arcaico: “côngrua”, palavra caída em desuso, era a pensão paga aos párocos. Mas o discurso, desatualizado no contexto do catolicismo, que aboliu o dízimo, encontra eco no toma-lá-dá-cá de Macedo. “É um compromisso que revela a fé prática. A de que Deus fica obrigado a esse compromisso com a pessoa que deu o dízimo…”, diz ele no livro “O bispo – A história revelada de Edir Macedo”, que está sendo lançado com tiragem inicial de 700 mil exemplares, recorde no mercado editorial brasileiro.
Uma curiosidade: o verbo “dizimar”, que significa exterminar, devastar, matar em grande número, tem a mesma origem. Nasceu de uma punição adotada pelo exército romano em casos de sublevação das tropas: matar um em cada dez soldados, aleatoriamente. Logo o sentido se estendeu para grandes matanças em geral.
Texto publicado em minha coluna na “Revista da Semana”.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): A palavra é..., Uncategorized
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15/10/2007 - 12:03
Meus alunos relativistas se sentem valorizados por uma teoria niveladora que põe sua banda de rock favorita em pé de igualdade com Bach e Mozart; mas repare como uma hierarquia qualitativa lhes volta correndo quando, em nome da coerência, você sugere que sua banda de rock favorita também não pode ser melhor que os Backstreet Boys (…). As velhas dicotomias entre o que é elitista e o que é popular, entre alta e baixa cultura, podem estar mesmo corrompidas por privilégios injustificáveis, mas sem uma nova linguagem de mérito para as artes os pós-modernistas são forçados a viver numa paisagem achatada onde Barry Manilow e Beethoven são iguais.
A certa altura de sua reflexão sobre a tendência editorial manifesta em títulos de sucesso como “Os Simpsons e a filosofia”, esse artigo publicado pelo professor de filosofia Stephen T. Asma na revista americana The Chronicle of Higher Education (dica do Arts & Letters Daily) acende uma lâmpada no trevoso beco sem saída em que boa parte da crítica de arte – com a literária em posição de destaque – se meteu nas últimas décadas, ao jogar pela janela o bebê (a análise qualitativa, a avaliação de mérito) junto com a água suja do banho (o preconceito contra estéticas marginais ou de consumo popular).
O texto tem uma vantagem adicional: expõe seu argumento numa linguagem que os fãs de Barry Manilow conseguem acompanhar.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Uncategorized
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12/10/2007 - 01:13
O leitor Pedro Santos me cobra uma palavra sobre o Nobel de Doris Lessing. Com razão. Nunca li a mulher, mas isso não é desculpa. Também nunca tinha lido Orhan Pamuk quando, há um ano, às 9h58 da manhã, comentei a notícia de seu Nobel.
Sobre Doris Lessing, mesmo atrasado: além de parecer uma mulher de fibra, batuta, é uma escritora-escritora, para ficar na definição luxemburguiana, e isso é legal. Não gosto quando o Nobel vai para dramaturgos búlgaros ou poetas dialetais das Ilhas Maurício. Prefiro que premiem escritores que as pessoas lêem. E, claro, dar uma guinada para a ficção científica ou fantasia espacial depois de velha – fase que ela considera sua melhor – é uma idéia muito divertida. O Nobel laurear isso, mais ainda.
Ah, sim: é uma mulher. A 11a.
Acho que sob um outro aspecto é um Nobel cômodo, pois vai para uma escritora que já teve o seu tempo – já entrou para a história, digamos – e cuja explosão inicial, com os contos africanos e o título de persona non grata na Rodésia do Sul e na África do Sul em 1956, se deu em meados do século passado.
Não sei se o fato de, sendo cidadã britânica, Doris Lessing ter nascido há 88 anos na Pérsia, hoje Irã, não será uma espécie de mensagem cifrada desse prêmio. Mas divago.
De resto, parabéns, dona Doris. Quem sabe um dia eu leio a senhora. Fiquei curioso sobre a série Canopus.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Uncategorized
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11/10/2007 - 20:17
Países soberanos têm o direito de trocar de nome e exigir que o mundo reforme seus idiomas para adaptá-los ao novo batismo? Antes de responder que sim, vale a pena examinar mais de perto esse rolo, tornado atual pela agitação política na Birmânia – ou seria melhor escrever, como tem feito a imprensa brasileira em peso, ex-Birmânia, atual Mianmar, Myanmar ou Mianmá?
Se é justo que a autodeterminação dos povos inclua algum poder sobre o modo como o mundo os chama, também é verdade que o processo de renomear países, regiões e cidades, por envolver razões políticas variadas e mexer com fatores lingüísticos seculares, não deve ser automático, como muita gente o encara.
O pensamento politicamente correto explica a boa vontade com que, sem refletir muito, boa parte de nós tende a encarar tais mudanças – mesmo quando elas não envolvem um rebatismo propriamente dito, mas apenas uma nova transliteração, um novo jeito de transportar palavras de um alfabeto a outro, como nas recentes tentativas de “transformar” Bombaim em Mumbai e Pequim em Beijing. Quando o nome muda de verdade, a luta contra a herança colonial explica a maioria dos casos: foi assim que a Rodésia do Norte virou Zâmbia e a do Sul agora é Zimbábue, para ficar em apenas dois exemplos, ambos africanos.
O caso Birmânia-Mianmar é semelhante, mas tem uma peculiaridade: contrariando a regra, não é politicamente correto endossar o novo nome. A resistência lingüística é uma arma da oposição à ditadura militar truculenta que, logo depois de tomar o poder no país, em 1988, tratou de ensinar ao mundo que o nome da ex-colônia britânica mudara de Burma (inglês) e Birmanie (francês) para Mianmar. No entanto, em vez de ser mais “inclusivo” para as etnias que compõem a população birmanesa, como alega o governo, o novo nome representa, segundo seus críticos, a cristalização de uma política elitista.
EUA, Grã-Bretanha e França não reconhecem a nova denominação. A ONU, o Brasil e, em grande parte, a imprensa internacional a adotaram.
Texto publicado em minha coluna na “Revista da Semana”.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): A palavra é..., Uncategorized
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10/10/2007 - 15:36
A “Bravo!” deste mês se dedica à caça de um novo “romance de geração” na literatura brasileira. Em texto assinado por André Nigri, a revista pergunta quem seria o Marcelo Rubens Paiva dos novos tempos. E responde com alguns suspeitos carimbados: Daniel Galera, João Paulo Cuenca…
Em seu blog, Marcelo Moutinho diz estranhar a analogia por um motivo, digamos, numérico. De fato, “Feliz ano velho”, de Paiva, vendeu em todo o país feito Nerds em escola particular de classe média alta, condição incontornável, embora não suficiente, para que um livro ganhe o rótulo midiático “de geração”. E os novos escritores citados – como, aliás, os ficcionistas brasileiros em geral – são lidos por uma seita.
Eu estranho por outra razão: sendo “Feliz ano velho” um livro autobiográfico, achei que estivesse muito claro que o Marcelo Rubens Paiva da nova geração é a Bruna Surfistinha.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Uncategorized
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09/10/2007 - 10:01
Qual a melhor maneira de se começar um romance? Pergunta eterna, para a qual naturalmente não há resposta. Para um iniciante, o desafio é considerável: o original mandado pelo correio deve imperativamente chamar a atenção de um editor, desde as primeiras linhas, sob risco de terminar no grande cemitérios dos textos recusados. E, mesmo quando publicado, um primeiro romance não tem chance de ser notado por críticos literários, livreiros e leitores se não conseguir de cara seduzi-los ou intrigá-los.
Esta rentrée do outono conta com 102 romances (contra 97 em 2006). Inútil procurar neles uma voga estilística, uma maneira comum de começar: são 102 tentativas individuais de arrancar o leitor do real para introduzi-lo no universo do autor. Entre o ataque sorrateiro e a partida brusca, entre o toque de clarim e a música vulgar, a palheta é vasta.
Le Monde publica matéria de Robert Solé sobre os começos dos romances de estréia que estão entre os 102 lançados recentemente na França, pós-férias de verão – na rentrée, como eles chamam. Como não havia tempo para ler tantos livros, fechar o foco em seus pontos de partida talvez não seja uma má idéia jornalística. Dos inícios citados, porém, quase todos me parecem bem esquecíveis, embora seja evidente em muitos deles a ânsia de causar impacto:
“Ponto final. Amém. Gilles está morto. A missa está dita.” Murielle Magellan, Le Lendemain, Gabrielle.
Ou a busca de profundidade:
“A deselegância é a vaidade da idade madura, como a elegância o é da mocidade.” Julien Capron, Amende honorable.
Me fisgou mais este curioso caso de in media res – expressão latina que um horaciano heterodoxo traduziria como “bonde andando”:
“O leite manchou a lama. Limpei a boca, o úbere da vaca ainda tremia.” Didier Séraffin, Un enfant volé.
Achei simpática também a seguinte tentativa de impressionar pela abolição sumária de todo elemento impressionante:
“Meu nome é Suzanne. Tenho cinqüenta e dois anos. Faz uns bons trinta e cinco anos que trabalho.” Christina Mirjol, Suzanne ou ou le récit de la honte.
Mas é claro que julgar um livro pelas primeiras frases é como julgar uma partida de futebol pelo pontapé inicial. O artigo reconhece isso:
Não convém entretanto atribuir importância excessiva à primeira frase. O essencial é que ela dê vontade de ler a segunda… O famoso “Durante muito tempo, fui para cama cedo”, que abre Em busca do tempo perdido, não impressionou os leitores: Proust penou para ser publicado. Foi somente depois de sua consagração que a frase se celebrizou.
O melhor do texto para mim, que não li “O quarteto de Alexandria”, foi a descoberta do seguinte trecho citado por Solé (embora, conferindo em seguida o livro de Durrell, eu tenha constatado que ele só aparece no sexto parágrafo, ou seja, não é bem, ao contrário do que diz o artigo, um Começo Inesquecível):
Nas duas primeiras frases de Justine, Lawrence Durrell resumiu todo o seu quarteto de Alexandria: “Cinco raças, cinco línguas, uma dúzia de religiões; cinco ondas crescendo nas águas sujas do porto. Mas existem mais de cinco sexos, e apenas o grego demótico, a língua popular, parece querer distingui-los.”
(Toda a tradução do francês contida nesta nota é de André Telles, a quem devo também a indicação do artigo. André acaba de traduzir “As Benevolentes”, nada menos, e está trabalhando numa tradução integral de “O conde de Monte Cristo” a quatro mãos com Rodrigo Lacerda – que já emplacou um Começo Inesquecível, o que, se formos reparar, fecha o circuito.)
É bom estar de volta.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Uncategorized
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02/10/2007 - 16:14
A segunda edição se deve ao sucesso da primeira? Também, mas ainda a um imprevisto: passo aqui apenas para avisar que aquelas duas semanas de férias, que se encerrariam hoje, vão precisar virar três. Dia 9 de outubro eu volto. Até.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Uncategorized
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