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“É muito difícil pensar em ’ser escritor’ quando se nasce num país em
que ninguém lê: os pobres porque não sabem ou porque não possuem
meios para adquirir conhecimentos, e os ricos porque não sentem
vontade. Numa sociedade assim, querer ser escritor não é optar por
uma profissão, mas por um ato de loucura.” MARIO VARGAS LLOSA

31/08/2007 - 19:07

Pirataria ou obscuridade?

Nos últimos anos eu me tornei, para minha considerável surpresa, romancista em tempo integral. Como ganho a vida com a venda de meus livros, pode parecer estranho que eu esteja neste momento publicando em capítulos na internet um novo romance, Beasts of New York, para quem quiser ler, inteiramente grátis.

Por quê? Porque, para citar o editor Tim O’Reilly, “a maior ameaça que um artista enfrenta é a obscuridade, não a pirataria”. Não me preocupo com as pessoas que lêem meu trabalho sem pagar. Preocupo-me com as que não sabem que meus livros existem.

O escritor canadense Jon Evans, um autor de “thrillers de viagem” desconhecido no Brasil, deve ter ficado menos popular entre as editoras por este artigo no blog de livros do “Guardian”, mas é difícil negar que o raciocínio tem fundamento. Me lembrou a reação curiosa do espanhol Enrique Vila-Matas quando descobriu que um de seus primeiros títulos tinha sido pirateado e estava disponível online: ficou agradecido, porque o livro, sendo do tempo da máquina de escrever, ainda não existia em arquivo digital. Claro que resta a questão, inteiramente aberta, de como o escritor profissional do futuro comprará o leitinho das crianças. John Updike já declarou temer que seja com cachês para comparecer a eventos, sorrir e apertar mãos – algo como um Alemão do Big Brother com cérebro.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Uncategorized Tags:

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