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“Então me digam que metáfora do solitário, pungente,
imaginoso ofício de escrever pode, nesta vida cachorra,
superar o velho ‘manutigium’?” CECILIO GIOVENAZZI

30/07/2007 - 15:44

Avellar encontra Bergman aqui em casa

avellar.jpgCorte, montagem, simultaneidade, monólogo interior. A literatura teria inventado o cinema sem se dar conta disso? E depois, conscientemente, teria se voltado para o que inventou para se reinventar (escrevendo adaptações literárias de filmes)? Para deslocar seu ponto de vista para a sudação interior dos rostos?

Ou o cinema inventou-se a si mesmo? Fez-se a si mesmo, tal como a literatura, a poesia, a música, a pintura? E se assim foi (a invenção continuando a se inventar), as artes no século XX inventaram com o cinema novas formas de percepção do espaço e do tempo? Ou, como propõe Carlos Fuentes, apenas desenvolveram outros instrumentos para prosseguir “la pugna del arte desde el Renacimiento”?

A notícia da morte do cineasta sueco Ingmar Bergman (leia mais no blog irmão do Calil, aqui) me pega às voltas com as provocações do crítico cinematográfico José Carlos Avellar – um dos ídolos da minha geração aspirante a uma vaguinha no jornalismo cultural, lá se vai um quarto de século – no recém-lançado “O chão da palavra – cinema e literatura no Brasil” (Rocco, 438 páginas, R$ 48,50).

Além de ser leitura recomendada a todos os interessados em literatura, cinema ou ambos, o livro também deve agradar a quem não se dedica a nenhuma dessas artes em especial, mas sabe apreciar ensaios inteligentes que insistem em sondar as profundezas de tudo aquilo que a cultura contemporânea, com estranha volúpia, garante ser mais superficial e chapado que propaganda de cerveja.

O que o genial Bergman tem a ver com isso? Tudo. Inclusive o fato de não me ocorrer, assim de estalo, um exemplo de cineasta mais literário e cinematográfico ao mesmo tempo.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Uncategorized Tags:

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1 comentário para “Avellar encontra Bergman aqui em casa”

  1. Vera Sandroni disse:

    Não concordo com o literário e cinematográfico ao mesmo tempo. As artes não se misturam. Apenas há uma certa preguiça de análise mais profunda dos generos e suas possibilidades nos diversos meios. Vera

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