Copa de Literatura Brasileira
Um prêmio que se vende como capaz de escolher regularmente o melhor livro do ano não pode expor ao público nem os gostos dos seus jurados, nem as falhas do seu processo. Mas se a idéia é, como acredito que sempre seja, simplesmente falar de livros, por que não mostrar o processo por inteiro? Por que não dar voz e espaço a cada jurado para explicar sua escolha? E, se escolher o melhor é estatisticamente impossível, por que não tornar o prêmio mais emocionante com um regulamento em que, como nos torneios esportivos, os livros se enfrentam um ao outro até que reste apenas um?
Essa é a idéia da Copa de Literatura Brasileira. Dezesseis livros se enfrentam em quinze jogos. Cada jogo é decidido por um jurado, que explica e justifica sua decisão para o público. O campeão talvez seja o melhor romance brasileiro do ano, talvez não. Provavelmente não. O importante é que o campeonato seja divertido e o debate, inteligente.
Taí, gostei. Muito antes de ser um dos 16 concorrentes, sou um membro da enorme tribo dos que nunca entenderam por que o Brasil simplesmente não consegue criar prêmios literários – com a possível exceção do Portugal Telecom, mas convém aguardar mais um ou dois anos para ter certeza – que tenham relevância cultural, que não sejam meros joguinhos políticos entre editores e livreiros, que mobilizem leitores. Desejo sucesso e vida longa à divertida idéia que Lucas Murtinho acaba de lançar em seu blog Bom dia, França. A relevância cultural eu não garanto, mas o potencial de barulho parece bom.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Uncategorized Tags: