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“É muito difícil pensar em ’ser escritor’ quando se nasce num país em
que ninguém lê: os pobres porque não sabem ou porque não possuem
meios para adquirir conhecimentos, e os ricos porque não sentem
vontade. Numa sociedade assim, querer ser escritor não é optar por
uma profissão, mas por um ato de loucura.” MARIO VARGAS LLOSA

30/06/2007 - 14:12

Dicionário de papo furado

O Cânone – Documento misterioso (que ninguém jamais viu) idealizado (ninguém sabe quando) secretamente por uma conspiração (ninguém sabe onde) de pouquíssimos machos europeus mortos, a fim de ditar aquilo que todo mundo precisa ler.

O divertido Dictionary of Fashionable Nonsense, glossário satírico do “pensamento” (perdão pelo substantivo impreciso) politicamente correto escrito pelo pessoal do ótimo site inglês Butterflies and Wheels, merece uma visita – a dica é do blog de livros do “Guardian”.

Pode-se ler online uma amostra da versão de papel, com mais de quinhentos verbetes, que está à venda na Amazon.com. Duvido que a obra esgote o tema – que talvez seja inesgotável – mas, a julgar pelo trailer, deve garantir um bom sobrevôo no território da neoburrice.

Outros exemplos:

Educação – Introdução violenta e brutal de material arbitrário nas cabeças limpinhas e inocentes das crianças, que deviam ser deixadas vazias.

Elitista – Alguém que sabe mais do que eu.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Posts Tags:

6 comentários para “Dicionário de papo furado”

  1. confetti disse:

    “Zen
    The best way to do most things. Just kind of like let it happen, man.”

    delicioso esse dictionary !

  2. Bemveja disse:

    Uma das alegrias da minha vida é observar essa reação, ainda que tardia, à farsa do pós-modernismo e do pseudo-estruturalismo nas instituições literárias e acadêmicas.
    Nessa mesma linha, existe em algum lugar da internet um “gerador de títulos de dissertação pós-moderna” ou algo parecido.

  3. joao gomes disse:

    É verdade Bemveja, tanto que Alan Sokal, físico usou e abusou de termos ditos pós-modernos e levou a Social Text Magazine a passar uma tremenda vergonha nos idos da segunda metade dos anos noventa.

  4. Bemveja disse:

    Perfeito, bem lembrado joão gomes, eu tenho o livro em que eles (Sokal e Bricmont) contam toda essa história, ridiculaziram mistificadores tipo Lacan e Luce Irigaray e incluem o texto do artigo publicado na revista.
    Esse fim de semana li sobre um caso parecido, que foi a biografia “Nat Tate”, que o William Boyd publicou sobre um pintor inteiramente fictício que vários marchands e personalidades desse execrável mundo intelectual de NY afirmaram, quando perguntados, conhecer muito bem etc etc.

  5. joao gomes disse:

    pois é, pois é, Bemveja

    ser “doutor” hoje em dia é cada vez mais fácil.
    aí vão os links
    http://del.icio.us/tag/postmodernism

    http://www.elsewhere.org/cgi-bin/postmodern

    http://www.elsewhere.org/pomo

  6. joao gomes disse:

    Bemveja,

    Veja que hoje em dia é muito fácil se tornar “doutor” em humanidades
    Conhecendo estes Links:
    http://del.icio.us/tag/postmodernism
    http://www.elsewhere.org/cgi-bin/postmodern
    http://www.elsewhere.org/pomo

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