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“É muito difícil pensar em ’ser escritor’ quando se nasce num país em
que ninguém lê: os pobres porque não sabem ou porque não possuem
meios para adquirir conhecimentos, e os ricos porque não sentem
vontade. Numa sociedade assim, querer ser escritor não é optar por
uma profissão, mas por um ato de loucura.” MARIO VARGAS LLOSA

26/02/2007 - 11:46

Da arte de não ler

O recém-lançado Comment parler des livres que l’on n’a pas lus (“Como falar de livros que não se leu”), do professor de literatura e psicanalista francês Pierre Bayard, não é exatamente um daqueles manuais para blefadores que andaram na moda alguns anos atrás. Sendo um intelectual francês, Bayard tem pretensão maior – alguma coisa a ver com uma defesa da não-leitura como atividade criadora. Como estou falando do livro dele sem tê-lo lido, fica tudo em casa.

Mas Comment parler… é, antes de mais nada, uma provocação, e como tal tem atingido seu objetivo. De um lado Bayard vem colhendo o apoio risonho de quem reconhece sua coragem de ir contra a hipocrisia e cutucar um tabu de intelectuais – pois é evidente que todo mundo trapaceia de vez em quando, mesmo porque o tempo para ler tudo o que se deveria ler anda escasso pelo menos desde o início do século XVIII. Recepções simpáticas ao livro de Bayard podem ser lidas no artigo da “Lire”, em francês, e, com uma dose maior de ironia, na resenha do “New York Times”, em inglês.

Naturalmente, também é possível carregar no sarcasmo, como fez esse artigo publicado no “Times” de Londres (onde mais?) ao dizer que o livro de Bayard confirma algo que sempre se suspeitou sobre os acadêmicos franceses: “que, em sua maioria, são fraudes subsidiadas além do que valem”. É provável que a verdade esteja em algum lugar no meio do caminho, mas uma coisa é certa: não é pequena a coragem de Pierre Bayard ao revelar que nunca terminou de ler “Ulisses”.

Inspirado por ele, confesso que eu também não. Comecei algumas vezes, por caminhos diversos: no original, na tradução de Antonio Houaiss, na de Bernardina Pinheiro. Nunca me pareceu que valesse a pena prosseguir. Prefiro “Dublinenses”. Por quanto tempo devo ficar ajoelhado no milho?

E você, qual é aquele livro obrigatório que nunca leu?

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Posts Tags:

109 comentários para “Da arte de não ler”

  1. Tibor Moricz disse:

    101

  2. Clarice disse:

    102

  3. Clarice disse:

    103 rsrsrsrsrs

  4. Tibor Moricz disse:

    104 hehehe…

  5. lucilia silva disse:

    gostei muito

  6. lucilia silva disse:

    hhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa

  7. D. disse:

    Cem Anos de Solidão, Dom Casmurro, O Idiota, Crime e Castigo, Ulisses, Grande Sertão: Veredas, etc. etc. etc.

  8. mausoléu disse:

    Aposto que ninguém lerá meu comentário. Se alguém ler, por favor avise. Assim, saberemos se há excentricos que lêem discussões antigas.

  9. Robert disse:

    Sensacional o seu post!!!
    Os franceses tem realmente a arte de chamar a atençao criticando (e muito bem) o mundo. Acho que é a “consciência” que muitos precisam.
    Bayard deve ser no minimo um realista bem humorado parecido com os nossos Verissimo e Jabor.
    Rapaz, o meu livro que nao li é o Grande Sertao Veredas.
    Um abraço

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