A polêmica da vez
É boa a polêmica surgida entre Vinicius Jatobá e Gaston Gallimard na caixa de comentários da nota “Littell, Goncourt no bolso, é da Alfaguara”, aí embaixo. Boa, exaltada e complexa, mas no geral vejo uma dose maior de bom senso nos argumentos de Gaston. Tudo indica que a Alfaguara empregou bem seu dinheiro em Jonathan Littell – qualquer que seja o valor exato. Com a histeria internacional de público e crítica que cerca “As Benevolentes”, não é improvável que o investimento gere lucro. Quem sabe, até, muito lucro. Creio ser este o ponto fraco do retrato que Vinicius faz dos best-sellers – ralos de dinheiro que o autor brasileiro, se bem entendi, financia. Ora, best-sellers fazem dinheiro. É o que eles fazem, por definição. Exatamente de que forma isso seria ruim para o autor brasileiro aspirante?
Na história da indústria editorial, pelo contrário, é recorrente que fenômenos comerciais financiem o ambiente de afluência em que bancar a publicação de meia dúzia de escritores duvidosos, “literários”, passa a ser encarado como um piquenique. Convém não esquecer que o negócio de livros é, como sempre foi, um negócio. Interessa ao ambiente intelectual como um todo que o negócio seja saudável. Comprar os direitos de um livro que o mundo inteiro está comprando não é ruim para o Brasil. É fundamental, é o básico. Isso me parece cristalino: o mínimo para quem quer estar pelo menos na platéia de um certo Concerto das Nações.
Acho também que não se deve abusar do argumento nacionalista. Em seu sucesso, Jonathan Littell é parente próximo de Paulo Coelho, de Luis Fernando Verissimo. Do mesmo modo que o autor brasileiro incompreendido pelas editoras é primo do autor americano – ou, a propósito, búlgaro, ugandense, islandês – incompreendido pelas editoras.
Está tudo uma beleza, então? Sabemos que não, longe disso. Mas algo me diz que a culpa não é de Jonathan Littell.
Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Posts Tags:
Cuenca,
Bem ridícula essa sua postura. Posar de fodão é coisa de quem, “no íntimo”, sabe ser um merda.
Porra, Vinicius de Morais! Eu te amo, cara. Não faz assim comigo. Eu não poso de fodão nem por um minuto. Sou um jovem modesto. Só não aceito que me esculachem, ainda mais usando trocadilho com o meu nome, trauma desde a infância, como fez seu xará. E acho que antes de se preocupar em debater a “profissionalização do escritor brasileiro”, a rapeize deveria se preocupar mesmo é em escrever mais e melhor. Marketing, profissionalização? Tô fora desse papo anódino. Abraços do fã,
Essa história de “escritor profissional” me dá uns arrepios… Pouquíssimos, como o Verissimo, conseguem ser ganhar o pão escrevendo e se manterem fiéis a si mesmos.
Não conheço nenhum bom escritor novo que não consiga publicar seu livro numa edição decente. Todas as editoras têm coleções ou linhas de literatura brasileira contemporânea.
E sobre publicar estrangeiros X publicar brasileiros, que preguiça desse papo. No fundo é o mesmo papo de quem diz “esses nordestinos vêm roubar os empregos dos paulistas”, só que revestido de uma causa lítero-social.
O Brasil é um dos países que mais traduzem no mundo e isso deve ser motivo de orgulho. Significa circulação de idéias, de sintaxes, histórias. Os escritores brasileiros só têm a ganhar. Pobres dos americanos, que com seu mercado pujante só traduzem 8% dos livros que publicam.
Sérgio, proximo post, por favor.
Post bem ameno de preferência com autor daqueles inatacáveis.
Meninos, o que é isto? Vocês estão brigando por causa do mercado editorial? Eu heim! Já não basta ter de pagar um absurdo por livros?
Homem tem que ter a palavra final. Oh raça! Ainda bem que sou mulher e posso falar bobagem. Vocês dizem “-Bobinha” e fica até bonitinho. A gente faz muchocho, beicinho e vocês vem logo abraçar a gente. Mas entre vocês… nossa senhora! Daqui há pouco vão começar a discutir futebol, política nacional… Tô fora.
Mon cher Jatobá,
mais uma vez,vc fugiu da discussão para subir no caixote e fazer comício. Se vc quiser, aumentemos o adiantamento do Amis para US$ 5mil (embora vc se recuse a acreditar, ele não é mais a estrela que foi nos anos 80). OU ainda para US$ 8 mil (US$ 10 mil ele não bate mais). A conta continua sem fechar. A discussão é realmente séria, mas é preciso saber do que se fala.
Na continuação de desqualificar os meus argumentos, reais, que vc se recusa a discutir, vc me faz o favor (merci!) de demonstrar a tese da caranguejada: quando um caranguejo sobe (o Cuenca) vem outro ( o Jatobá) pra puxar pra baixo. Eu, como autor, ficaria feliz de ver um cara iniciante ganhar espaço. Não por ser bonzinho e bom samaritano, mas pela ÓBVIA constataçãode um+um+um+um é sinal de interesse por autores novos e, assim, cria-se o “bolo” de onde sai o tal do “mercado maduro” a que vc se refere.
Enfin, acho que não há mais o que discutir porque isso aqui virou o exemplo do que descrevi: a caranguejada trocando sopapos e ninguém pensando que tem que combinar suas estratégias com o adversário. Que, curiosamente, neste caso é o leitor mesmo.
Daqui do meu túmulo no Père Lachaise, isso é muito claro…
O brasileiro não está preparado para ser “o maior do mundo” em coisa nenhuma. Ser “o maior do mundo” em qualquer coisa, mesmo em cuspe à distância, implica uma grave, pesada e sufocante responsabilidade.
Vinícius Jatobá é nome de agente funerário. Jatobá, qual o caixão mais apropriado para a Dona Maroquinha, aquela senhora gorda e babona do segundo andar?
em tempo, cher Jatobá,
embora vc não saiba, talvez porque não tenha assinado nenhum contrato, é perfeitamente negociável ter os direitos para uma edição pocket. o diabo é encontrar quem queira publicar.
e, em tempo,o que quer dizer, na prática e concretamente, “aumentar a profissionalização do escritor brasileiro”? não vale responder me xingando… ou melhor, vale o que vc quiser, pois até agora só estou respondendo às tuas questões…
Eu só vou comentar de novo porque fui eu quem deu corda. No comentário anterior eu peguei um trecho do comentário de um dos “Paulo” e falei um pouco sobre. Eu não critiquei ninguém nem ironizei nada. O Paulo disse: “A verdade é que o autor estrangeiro sabe falar melhor à massa de leitores do que o brasileiro. Quer um exemplo? “Dália Negra”, citado aqui no Todoprosa. Um livraço. Qual o autor brasileiro hoje é capaz de escrever um livro desses?”. Eu só quis expressar a seguinte opinião: o autor nacional fala melhor à massa do que os autores estrangeiros. O que faz com que estes últimos vendam mais que os nossos é, ao meu ver, o marketing feito em cima dos livros deles e o fato de não termos cultivado, desde crianças, o gosto pela leitura. Acredito que muita gente compre “Dom Casmurro”. Se não por livre e espontânea vontade, por livre e espontânea pressão, pois é obra obrigatória em vestibulares e muitos professores de ensino médio “obrigam” seus alunos a lerem o romance de Machado, além de outros livros. Sobre eu ser um “Maria vai com as outras”, eu não falei nada demais, apenas disse o seguinte: “Mas que autor estrangeiro poderia escrever “Vidas secas” ou “Dom Casmurro” ou “Grande sertão: veredas”? (este último não li, mas cito pelo tamanho de sua importância).” Eu sei da importância de “Grande sertão”, já li sobre o livro, converso com pessoas que sempre falam muito bem dele, e não vejo mal nenhum em citá-lo. Eu não escrevi uma resenha sobre um livro que não li. Apenas citei, num comentário em um blog, o nome de uma obra (e ainda deixei claro que não a lera). Não vejo nada de mais nisso. Enfim, eu só fico chateado com o fato de a caixa de comentários do Sérgio ter virado um mural de ofensas bobas e sem sentido, baseadas em sabe-se lá o quê. Não falo do comentário do Paulo, mas dos outros comentários trocados entre os outros leitores. Vamos pegar leve, pessoal. Opinião cada um tem a sua e temos que respeitar. Discordar é um direito que todo mundo tem, mas sair ofendendo fica chato. E pra terminar, se o Paulo quiser continuar a conversar, é só mandar um email. Abraços a todos!
Sérgio e Rafael, meus queridos sobrinhos-bisnetos, vocês estão defendendo muito bem o nome de nossa família, estou com os olhos rútilos.
Deve-se ler pouco e reler muito. Há uns poucos livros totais, três ou quatro, que nos salvam ou que nos perdem. É preciso relê-los, sempre e sempre, com obtusa pertinácia. E, no entanto, o leitor se desgasta, se esvai, em milhares de livros mais áridos do que três desertos.
bom, depois de ler TODOS os comentários, a única coisa que tenho a dizer é: sou redator publicitário, ganhador de alguns prêmios,o que,no caso, não vem ao caso. O que vem ao caso é: tenho um livro pronto(de contos) e outro de poemas. Moro em Teresina, onde assino uma coluna no mais tradicional jornal do Estado há 5anos. Quem quer receber meus originais para ver se quer publicá-los? Já que se falou em novos escritores sem oportunidades de serem editados…
André: se ainda não imprimiu e mandou os originais para várias editoras, faz isso. E depois aguarda. Se já fez isso, faz de novo. Se não der certo, tenta uma publicação independente, é o jeito… Espero que você tenha sucesso. Abraço!
Caro Gaston, estou enviando rosas para Pére Lachaise. Vou falar por alto, e vou esconder as melhores idéias…
Formas razoáveis de profissionalizar os autores seria debater certos arranjos fiscais de isenção de impostos para escritores (caso da Irlanda), tiragem numerada dos livros para diminuir as fraldes nas contagens (quem não se recorda do caso da Bojunga?), um sindicato forte que faça com que as editoras cumpram seus compromissos (quantos escritores publicam até por grandes editoras e simplesmente não recebem: eu conheço alguns casos).
A idéia do livro de bolso é complexa, mas creio que seria de grande ajuda estabelecer uma janela padrão (como no cinema) para que o escritor possa, a partir de certo momento, e sem qualquer tipo de autorização, negociar com quem deseja edições de bolso do seu trabalho. Você acha que se isso fosse debatido não surgiria um empresário disposto a investir seriamente nisso? Alguém perderia a chance de publicar Marçal Aquino, Adriana Lisboa e Rubens Figueiredo, digamos, três anos depois de suas publicações originais? O escritor não possue tanto controle assim do seu texto; conheço vários que tem a impressão de que seus livros mereceriam reimpressões, mas que como o lançamento é o fetiche dos livreiros as editoras preferem não arriscar. O livro fica esgotado; têm leitores buscando; e as editoras não arriscam. Porque o escritor, que dedicou anos nesse livro, tem que se submeter a isso? Pelo que sei, ele negocia livros que já fizeram parte de catálogos. Quem sabe edições mistas como o bem sucedido e exemplar caso dos pocketts Simenon?
Estou ventilando idéias; não vou dar as soluções. Quanto ao marketing criativo que falo seria levar a literatura para o espaço além do livro. Eu vejo o livro como um suporte, não como a finalidade. É um suporte. Acredito que as editoras deveriam criar estratégias específicas para cada escritor. Querem vender todos os escritores da mesma forma: uma imagem, uma chamada de jornal, uma foto. Mas quê há de comum nos universos imaginativos de, digamos, Bernardo Carvalho e Marcelo Mirisola? Se são literaturas diferentes que utilizam o mesmo suporte, o que deveria ser anunciado é essa literatura. Não o livro em pé, em diagonal, com uma frase de efeitoe e elogios de amigos. A questão é que isso não funciona porque vender um livro demanda criar um meio de comunicar específico para esse livro. O Marçal Aquino é um autor que com a estratégia certa venderia 50000 exemplares. E sem gastar muito dinheiro.
Pessoas acham que marketing é banalizar, mas Joyce era um gênio na hora de vender seus livros, o próprio Proust redigiu um anuncio de jornal para venda de seus livros; e ele quera pagar do próprio bolso! Cada livro deveria ser trabalhado pelo que ele tem de específico, e não com uma sempre mesma forma vaga de divulgação. Uma divulgação específica e honesta ajudaria o livro encontrar o seu leitor. Posso citar alguns exemplos: os anuncios de rua para o romance ‘Outra Vida’ de Pamuk são brilhantes: a primeira frase do livro, sem nenhuma outra informação. Eu vi outro dia uma foto. É fantástica; e dá a idéia exata do livro: é mágico, é magnético, enigmático. Esses cubos que a Alfaguara brasil coloca debaixo das mesas de lançamentos é brilhante, também. São formas criativas de despertar a curiosidade; as pessoas ficam curiosas. Não falo de enganar o leitor, mas dar a idéia exata do que é o livro. E são, muitas vezes, mais baratas que esses anuncios loucos no meio do nada.
Seria interessante, sim, que escritores começassem a se interessar por conhecer mais a máquina das editoras. Balzac, Sthendal, Proust, Conrad, Faulkner, Bellow: todos se preocupam com isso. Quem escreve quer escrever mais. No Brasil quando escritor fala de dinheiro as pessoas acham um absurdo; mas, Faulkner, o grande Faulkner, sempre que perguntado sobre o motivo de escrever, respondia que era pagar suas contas. O escritor brasileiro gosta de se ver como um ermitão, comendo vento, flutuando num abismo de sensações. É um tema que me interssa e que em nada diminue o valor da literatura, até porque sempre desconfio de escritores que querem se manter limpos, intocados; escritor é fanático e compulsivo, e quer financiar seu trabalho. Fala-se de viver apenas de venda de livro? Não, apenas de que o livro possa circular de novo. O livro foi feito para circular. Não para ficar encalhado. Isso não é bom pra ninguém.
Agora, ainda bem que tenho boa alto-estima… Porque vocês pegam pesado… Rs… Seria bom que o assunto não morrese aqui não porque é do interesse de todos, escritores, críticos, editores e leitores. Todos falam sempre do editor, pobre do editor, que está pobre, com prejuízo, etc… Mas e o escritor? E o tradutor? Como ficam? Acho que é isso, mas creio que o calor das intervenções distraíram um pouco as possibilidades de diálogo. Mas Gaston tem razão, pela ótica do editor. Mas falo do escritor. É errado um escritor querer melhorar suas condições de trabalho? Não é buscar paternalismo; é buscar apenas maior transparência.
Grande abraço, foi legal, gostei muito de certas coisas, cresci intelectualmente, aprendi a usar a crase, relembrei Cuenca de traumas da juventude, mostramos paixão, indignação, revolta, e direto da França a maravilhosa metáfora do Carangueijo, e a conta um+um+um+um que Gallimard, como todo bom defunto, esqueceu de responder: que dia maravilhoso! Como diria meu avô: antes ser ridículo que ser resignado… Meu avô não lia Proust mas sabia das coisas… Grande abraço,
E num é que continuaram? Entrou até o Père Lachaise. Gente mais esnobe. Contente-se com o Monmartre ou o Montparnaise. O Père é de Chopin para cima. Aliás quando eu visitei não tinha ninguém. E quando dei de cara com o túmulo do Chopin saí correndo. Se desse com algum escritor que gosto ia ser um “poblemão”. Ia dar trauma… A minha morte eu não tenho nenhum problema com ela. Mas a dos familiares e as de quem admiro fico arrasada. Ih saí do assunto. Não pode. Confesso que quando o Haroldo de Campos se foi eu fiquei triste prá chuchu.
… o Cort… então, 1984… sniff
Vinicius Jatobá,
Mas que texto inspirado! Foi o único que tive vontade de ler. Cojmo já disse não sou muito ligada na máquina de publicação. Mas depois que te li abri os olhos. e: “Como diria meu avô: antes ser ridículo que ser resignado” … eu já escrevi em algum lugar que perder a indignação ou nunca ter se indignado é.. não lembro, mas algo por aí parecido com o que o teu avô disse.
Rafael,
obrigado pelo toque.
Ainda não enviei nada. Vou fazer isso. Quem sabe, né?
Fui ao seu blog.
Me interessei pelos livros.
Deixo meu mail lá.
Abraço!
Foram 41 mensagens para meu e-mail, apenas cinco delas ofensivas. Duas questões imperam: reclamações pelo preço dos livros e certo desgaste com o excesso de publicações; e, por outro lado, curiosidade acerca da janela legal e possibilidade de um mercado de bolsos com livros de qualidade e não apenas republicações daquilo que já fazia sucesso em outras edições brochura. Sete escritores, quatro deles publicados por grandes editoras, estão entre as pessoas que escreveram. Ao que parece a questão é mais rica e interessante do que algumas pessoas aqui (e até o próprio moderador do blog) pensaram.
Vinicius, não entendi. Se eu não considerasse a questão boa – boa e complexa, foi como a chamei – por que diabos daria a você e ao Gaston o privilégio de uma nota inteira, com citação nominal e tudo? Compulsão por derrubar meu próprio blog? Auto-sabotagem? O tema se presta a argumentações simplistas e agressões gratuitas? Sem dúvida, como vimos. Mas isso não o diminui em nada. Um abraço.
Das 41 mensagens pro email do Vinicius, não teve nenhum revisor se oferecendo, não? “Alto-estima” é brincadeira!!! Antes de buscar melhorar a “condição do escritor”, o sujeito deveria SER um escritor, ou pelo menos aprender a escrever.
Ê, Jatobá! Tu é anarfabeto, cabra da peste! Mió trabaiá de ajenti fonerário – u açuguero!