iG
iBest BrTurbo

Publicidade

Publicidade

“Rasgar contos é algo irremediável, porque escrevê-los é como
despejar concreto. Em compensação, escrever um romance é
como colar ladrilhos. Isso quer dizer que se um conto não se
consolida na primeira tentativa é melhor não insistir. Um romance
é mais fácil: volta-se a começar.” GABRIEL GARCÍA MÁRQUEZ

09/11/2006 - 15:03

A polêmica da vez

É boa a polêmica surgida entre Vinicius Jatobá e Gaston Gallimard na caixa de comentários da nota “Littell, Goncourt no bolso, é da Alfaguara”, aí embaixo. Boa, exaltada e complexa, mas no geral vejo uma dose maior de bom senso nos argumentos de Gaston. Tudo indica que a Alfaguara empregou bem seu dinheiro em Jonathan Littell – qualquer que seja o valor exato. Com a histeria internacional de público e crítica que cerca “As Benevolentes”, não é improvável que o investimento gere lucro. Quem sabe, até, muito lucro. Creio ser este o ponto fraco do retrato que Vinicius faz dos best-sellers – ralos de dinheiro que o autor brasileiro, se bem entendi, financia. Ora, best-sellers fazem dinheiro. É o que eles fazem, por definição. Exatamente de que forma isso seria ruim para o autor brasileiro aspirante?

Na história da indústria editorial, pelo contrário, é recorrente que fenômenos comerciais financiem o ambiente de afluência em que bancar a publicação de meia dúzia de escritores duvidosos, “literários”, passa a ser encarado como um piquenique. Convém não esquecer que o negócio de livros é, como sempre foi, um negócio. Interessa ao ambiente intelectual como um todo que o negócio seja saudável. Comprar os direitos de um livro que o mundo inteiro está comprando não é ruim para o Brasil. É fundamental, é o básico. Isso me parece cristalino: o mínimo para quem quer estar pelo menos na platéia de um certo Concerto das Nações.

Acho também que não se deve abusar do argumento nacionalista. Em seu sucesso, Jonathan Littell é parente próximo de Paulo Coelho, de Luis Fernando Verissimo. Do mesmo modo que o autor brasileiro incompreendido pelas editoras é primo do autor americano – ou, a propósito, búlgaro, ugandense, islandês – incompreendido pelas editoras.

Está tudo uma beleza, então? Sabemos que não, longe disso. Mas algo me diz que a culpa não é de Jonathan Littell.

Autor: Sérgio Rodrigues - Categoria(s): Posts Tags:

61 comentários para “A polêmica da vez”

  1. Psiu donimo disse:

    É chato esse Chatobá.
    Não surpreende que chore pitangas não publicadas. Tudo o que não precisamos é de complexo de embrafilme. Já temos burrice demais.

Deixe um comentário:

Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!

Os campos com * são de preenchimento obrigatório






Voltar ao topo